terça-feira, 25 de outubro de 2011

Gente Independente (Halldór Laxness)


A independência é o medo a esconder, ferozmente, o melhor coração do mundo.
Os independentes são os donos do melhor coração.
Paradoxo? Não...
É exactamente por isso que fogem.

E é aí que reside o meu amor. Pelo Bjartur.
E por ti, mocho.



Ao som de: Frou Frou "Hear Me Out"

Nota: Um dos melhores livros de sempre, que me tocou o coração. Recomendo-o com as duas mãos.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Flor Oculta (Pearl S. Buck)

Acredito que a maioria acredita que o amor é pré-fabricado, como tudo o que está à nossa volta.
Por vezes, dou comigo a pensar o que raio se anda a passar na mente de toda a gente. Depois, adormeço, acordo e descubro que não é a mente: são buracos no coração dessa gente toda.
O amor parece uma caixa, daquelas decoradas pela técnica do guardanapo e cada uma tem de condizer com a outra, numa simetria que não deixa os olhos se distraírem um só segundo. Nem fechar, para respirar o céu, que é azul, ou sentir as gotas da chuva, que caem descontroladamente pelo rosto, e beijam, beijam, beijam tão desavergonhadamente!
Simetrias. Cores iguais. Pontos comuns. Ingredientes essenciais para esse bolo, um amor comestível, ao pequeno-almoço apressado.
E o coração? Como é feita essa pré-selecção? O coração não se vê, dou comigo a pensar como fazer uma selecção dessas...
Vou amar-te porque és branco como eu, os teus olhos são azuis como os meus, e és baixo como eu. O coração, tem buracos e é frio? Não faz mal. O teu rosto é parecido e os nossos corpos podem somar-se todas as noites, nessa simetria tão perfeita aos olhos doentes!

Palhaços.

A maioria das pessoas não precisa de esperar pelo Carnaval. A pele é feita de fatos de palhaço. Escolhem cores e sorrisos condizentes e o coração, esse, arrumado em papel de seda, e numa gaveta.

Amor. Amor. São fragmentos de dias. Perguntem-me o que é o amor e começo logo por gritar. Grito ao tentar dizer que nada tem de visível, está tudo num casulo que só entende quem está dentro desses fragmentos de dias.
Fragmentos! O amor é feito de fragmentos. São as gotas da chuva, violentas, é o sentido do seu humor por cima do nosso corpo.

É uma sala onde só o coração entra.

Ao som de: Imogen Heap "Hide and Seek"






quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A mim. E a vocês!

Hoje o livro é o meu.
Quero dedicar 27 anos de literatura, dias caros, dias baratos, a todas as personagens que de alguma forma fizeram valer cada palavra, cada gesto, cada grito. Cada coisa.
A mensagem pode ser antiga, mas é importante sublinhá-la diariamente: vivam cada página intensamente, leiam-na e absorvam cada palavra até à exaustão.
A vida é curta demais para a ver passar à velocidade do vento.
Como eu digo, agarrem na vossa história e façam dela algo, para sempre, inesquecível!

A mim. E a vocês!
Muitos anos de boas histórias. De bons livros. Cheios de vida.


Será arrogante dizer que só depende de nós?
Não. Não é.


Dedicado ao 20 de Outubro :)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O Quase Fim do Mundo (Pepetela)

Ela fecharia os olhos e prolongaria aquele abraço de horas.
Beberia com ele.
Oh! E certamente lhe diria o quanto ele lhe fez ferver o coração triste.
Oh, sim!
Sem medos, seria isso sim.
Seria isso que ela faria no momento em que acordasse e desse por si sozinha no Mundo...


Dedicado a quem ama a chuva. Eu amo.

Ao som de: For The First Time (The Script)


Sobre o livro: Chamo-me Simba Ukolo, sou africano, e sobrevivi ao fim do mundo.
E se a vida animal de repente desaparecesse da Terra, excepto num pequeno recanto do mundo e em doses mínimas? Talvez as causas se conheçam depois, mas o que importa é a existência de alguns seres, aturdidos pelo desaparecimento de tantos, e procurando sobreviver. É sobre estes sobreviventes e as suas reacções, desejos, frustrações mas também pequenas/grandes vitórias que trata este romance. Detalhe importante: o recanto do mundo que escapou à hecatombe situa-se numa desgraçada zona da desgraçada África. O que permitirá questionar as relações contemporâneas no velho Mundo.




quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Pais dos Outros (Romana Petri)

Num conto, há sempre quem acrescente um ponto. Ou dois. Ou três.
Bem, o que fazer? Nada, diria eu.
Deus, que é Deus, não agradou a todos. Não é assim que diz o velho adágio popular?
Bem, o que fazer? Nada, digo eu, outra vez.
A culpa. Melhor, a atribuição da culpa é, para o ser humano, aquilo que o açucar é para a formiga: irresistível.
Os psicólogos são os abençoados que vos vêm defender com o trauma que carregam na pesada alma, que levou uns açoites em dias mais tortos, e continuará a doer, confortavelmente.
A dor pode ser confortável, e é de facto. A dor é confortável para tanta coisa!
É confortável no sentido em que nos permite deitar e culpar.
Culpem. Continuem a culpar. Certamente terão toda a razão em culpar. Gritem um bocado. Culpem mais ainda.
A questão é que culpar cria raízes, e nada mudará. De nada adiantará. E continuarão exactamente no mesmo sítio de sempre, mais e mais enraizados.

Culpar é nada mais do que adormecer no velho sofá das recordações de infância.

O caminho é por ali.

Filhos, cortem esse cordão.

Acordem e criem as vossas próprias culpas, passíveis de serem esculpidas e melhoradas, dia-a-dia, numa parede reservada a novos quadros...!






quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Velho e o Mar (Ernest Hemingway)

Não. Pois não.
Não basta um dia de sorte, e uma oportunidade.
É preciso que os pés saltem naquele momento e a boca, num beijo roubado, diga as palavras presas pela chuva dos anos.




Sobre o livro: Uma história centrada na importância da luta e perseverança. Sobre a força. A história de um velho, que após meses de azar, decide enfrentar o mar, encontrar a sorte e lutar perante os rasgos que esta nem sempre contempla.

Ao som de: Breakeven (The Script)