terça-feira, 31 de dezembro de 2013

E o vencedor é...

Só porque sim, não vou fazer balanços sobre os livros que li em 2013.
Vou antes nomear o vencedor dos vencedores nas leituras deste ano, a horas de terminar.
Porque os livros merecem aquele reconhecimento, porque devem ser respeitados, amados e perpetuados no tempo e na alma de quem lê, vou assim privilegiar um e apenas um, agora.
Com todo o meu encanto, meus caros, anuncio o livro vencedor das minhas leituras em 2013:
 
"Servidão Humana"
W. Somerset Maugham
 
 
 
Um livro brilhante.
 
 
E como este livro, assim desejo que seja 2014: brilhante em leituras e histórias.
Façam boas histórias, na mistura feliz dos dias e dos sonhos.
 
Boas leituras!
 
Ao som de: The Smashing Pumpkins | Tonight, Tonight
 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Onde os Últimos Pássaros Cantaram (Kate Wilhelm)

Ao ler este livro foi impossível não recordar o «Admirável Mundo Novo» de Aldous Huxley.
O mundo parece estar a perder as estribeiras daquilo que é tido por "normal" e os problemas associados ao clima, às pragas que parecem ameaçar tudo, fazem imergir uma nova concepção de vida.
O grupo é agora toda a razão de existir da comunidade. Viver por todos, em que a individualidade de cada um assume um perigo inquestionável.
É sobretudo a questão entre «grupo» e «indivíduo» que a autora faz a sua grande ênfase, ao longo de todo o livro.
Até que ponto pode uma comunidade viver em grupo, com seres semelhantes física e psicologicamente? Destinados a tarefas idênticas, cada um de acordo com as aptidões pré-concebidas?
E o lado único? A criatividade do ser único, genial, como Mark fez entender no seu discurso quase apagado, silencioso, mas sem desistência.
Lutar pela individualidade. Quebrar as ideias de um mundo que se diz moderno, com as pessoas integradas em padrões de acordo com as suas capacidades para intervir no mundo, é a base que acompanha toda a leitura deste livro.
Diria que Kate Wilhelm o fez de uma forma interessante, enfatizando essa urgência de sermos um num grupo, mas jamais um grupo uno em que o «um» se dilui sem contestações, na ideia de um mundo melhor.
Um pensamento que eleva a comunidade a um lugar de destaque, carregando em si a tarefa de produzir sem limites, e sem espaço ao brotar das emoções de cada um.
 
Um livro interessante.
 
Boas leituras.
 
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Pescador de Girassóis (António Santos)

 

 
Um livro sobre escolhas e mudanças. A vontade de mudar. A vontade. Talvez só a vontade a ganhar pó nos ombros cansados e na mente que já não trabalha, sob a pressão dos dias feitos de rotina, do relógio certeiro. Como um tiro.
Este é um livro sobre a possibilidade das segundas vias. Da estrada secundária. Aquela que vai de encontro aos sonhos roubados, aos girassóis que brilham que nem doidos, ao sol.
Pois é. Não peçam contratos sem termo, ou o que seja. Ninguém garante a segurança dessa escolha, e a fatalidade pode estar atrás de qualquer porta. Ou - ironia religiosa - de uma igreja.
São dias. São vontades. São medos. Ingredientes fortes de um livro que enfatiza essa fraqueza humana de mudar o rumo quando já nada faz sentido.
 
Boas leituras.
 
 
Ao som de: Spin Doctors | Two Princes
 
Said if you want to call me baby
Just go ahead now
And if you like to tell me maybe
Just go ahead now
And if you wanna to buy me flowers
Just go ahead now
And if you like to talk for hours
Just go ahead now


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A Rapariga Que Roubava Livros (Markus Zusak)




Este é um livro feito de amor. Palavras de amor, que a sacudidora de palavras encontrou e desbravou. Dentro de uma palavra tão densa, intensa, e profunda como o amor deve ser, muitas outras começaram a crescer, num solo fértil de criança. Esperança. Saudade. Sonho. Crença. Nostalgia. Medo. Resistência. Confiança. Cor. Amizade.
Nesse amor às palavras que se soltam e se juntam, acompanhamos a jornada de uma menina de coração cheio num momento em que nas cores dos dias, predomina um cinzento fiel de quem lá longe fere e mata.
"Eles". Prejudicam e mudam tudo, sem que saiba bem o porquê das coisas. Tantas as palavras mas impossíveis de explicar essas fogueiras de livros apetecidos e tantas outras coisas. "Eles, quem são eles afinal?". Não sabe, pensa ela. Mas sabe o peso que "eles" depositam nos seus dias, na sua casa, nos semblantes dos seus pais e o segredo que poderá pôr tudo em causa. Um judeu escondido na cave.
Este é um livro feito de livros. Amor pelos livros. Acompanhando a pequena Liesel em cada um dos seus percursos, bons e maus. Livros roubados. Livros que flutuam. Beijos que se pedem. E se aguardam num silêncio ansioso.
A morte anuncia o fim do mundo. Avisos que vão surgindo, aqui e ali. Pequenos avisos. Pequenas bombas. Aqui e ali.
Liesel lê. Num abrigo. O livro roubado e as palavras que se soltam, são sacudidas pelo ar e tranquilizam na medida do tempo, e de quem mais nada espera.
Este é um livro feito de dor. E só o amor a entende. Assim como a ignorância entende a esperança. Que de nada saber, vai esperando por um dia diferente. Por muito que tivesse esperado, a dor do que foi jamais passaria. Pelo menos naquele momento.
Ficam os livros. Agora rejeitados pelo prazer proibido que emanam em si mesmos. Mas fica a escrita. Nasce um novo livro. Feito da dor de uma pequena que viu esse cinzento de uma morte eficaz e fiel. Feito da dor de quem criou raízes numa rua com nome de céu, agora tornado inferno desarrumado. Feito da dor do arrependimento de um beijo que fora pedido. E ignorado.
Nasce um novo livro. Um futuro.
A velha história, essa, ficará para sempre.
 
 
 
Gostei muito deste livro. O tipo de narrativa. O contexto. A escrita. E a magia em torno dos livros.
O poder quase transcendente dos livros, e da escrita, no percurso da rapariga que roubava livros é verdadeiramente encantador. 
 
 
Recomendo. Kel, tinhas toda a razão!
 
 
Ao som de:  The Smashing Pumpkins | "Disarm"

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

30 Day Book Challenge - Day 30


Depois de uns dias de ausência, hoje apresento o último desafio...
 
Day 30 - Your favorite book of all time
 
Sem precisar de muito tempo para pensar, o preferido dos preferidos é «As Vinhas da Ira» do meu escritor de eleição Jonh Steinbeck.
 
 
 
 
Assim termina esta série de desafios!
 
Boas leituras