segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Prisioneiro do Céu (Carlos Ruiz Zafón)

 
Segundo a sinopse deste livro, há nele uma promessa de felicidade. Eu acrescento que em qualquer livro de Zafón há promessas de felicidade. São livros com livros lá dentro, que por sua vez narram histórias repletas de aventuras que largam em si fios e mais fios de suspense, intriga, receios, aventuras e desventuras entre amigos fiéis que procuram verdades inadiáveis. Essas,  capazes de mudar o rumo de tudo, num aqui e agora urgente, e quase aflito, ao olho atento de um leitor incapaz de se desmaterializar de uma história em que quase acredita já fazer um pouco parte.
São esses fios interligados numa mestria sem par que dão promessa certa de felicidade aos livros de Zafón. Caminhos de Barcelona repletos de mistérios, amizade e literatura: uma junção perfeita e conhecida desde ambiente tão prometedor em que as histórias são aguardadas com ansiedade.
Depois de "A Sombra do Vento" e o "O Jogo do Anjo", eis que o autor presenteia o público com este "Prisioneiro do Céu", um livro com um ritmo alucinante que nos conduz novamente a esses jogos cujo anjo tem a resposta e a tantos cenários já conhecidos: a lugares em nada novos mas que para Daniel Sempere constituem sempre um novo começar, um novo abrir de histórias prontas a ditar novos rumos e novas aventuras.
 
Boas leituras!

domingo, 18 de maio de 2014

A Sul da Fronteira, A Oeste do Sol (H. Murakami)



Sabem quando os relógios param e de um momento para o outro voltam a trabalhar mais um bocadinho, quase do nada? O amor é assim. Melhor, o verdadeiro amor é assim. Um relógio parado com tendência a rebuscar um tempo antigo, já gasto mas poderoso na arte de invocar..., num quase paralelismo com a Caixa de Pandora.
Mesmo que o tempo nos leve para outras paragens, o relógio parado algures, acaba por despertar para essa ausência. Uma espécie de vazio que nos ataca na rotina e monotonia dos dias, demasiado certos, perfeitos e ordenados. Há um vazio que não se explica até os ponteiros retrocederam ao tempo em que tudo fazia mais sentido num emaranhado de dias desordenados e angustiantes, mas onde se vivia realmente. Onde havia sentido na desordem e na imperfeição.
É porque amar não é mais do que simplesmente um poderoso «não ter». Viver passa por alcançar um dia após outro na ideia daquilo que foi, o que poderia ter sido ou ainda viria a ser, nesse «não ter» imerso em possibilidades e idealizações que sustentam horas, dias e anos de uma vida aparentemente feliz. Oca, mas feliz e ordenada.
Hajime, que significa «princípio», encontrou desde logo aquela que viria a ser o seu eterno «não ter». Shimamoto foi a sua amiga de infância e primeiro amor. Depois de anos de ausência, sente-se em Hajime a sempre presença desta mulher e a saudade que sustentou os seus dias. A idealização do que foi e poderia ter sido. A sua presença foi apenas a confirmação. Foi esse abrir de uma Caixa de Pandora. O desarrumar da vida perfeita correndo o risco de quebrar a rotina e monotonia dos seus dias tão perfeitos. Mas, segundo ele, valia a pena. Largar tudo, assim. Mexer-se de uma vez por todas, e fazer da coragem o movimento dos pés.
No entanto, ao abrir essa caixa, ao dar corda a esse relógio, Hajime não poderia prever que a sua Shimamoto seria não só o seu princípio, como o seu eterno fim.
 
E a vida, essa, oh, é feita desse «não ter».
Sem isso, não temos nada.
 
 
 
Ao som de: Switchfoot | You
 

sábado, 3 de maio de 2014

Citação



 
 
 
 
"No mais profundo de si mesmo, um artista é sempre um aventureiro."
 
(Thomas Mann)