sábado, 28 de fevereiro de 2015

Gaveta de Filmes

 
 
Apaixonada por arte sem reservas, aconselho este filme a qualquer pessoa.
Um filme de Tim Burton sobre a vida da pintora Margaret Keane, que a muito se submeteu para se afirmar enquanto tal.
Uma vida que merece, muito, ser conhecida.
Para além, obviamente, da belíssima arte que cria.
 
 
Trailer:
 
 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O Diário Oculto de Nora Rute (Mário Zambujal)


Prometi que em breve voltaria às obras de Mário Zambujal e não falhei.
Este «Diário Oculto de Nora Rute» reforça a boa impressão que me causou a escrita de Zambujal bem como aquele toque, pelos vistos característico, de comédia e crítica subtil aqui e ali. No ponto certo.
A história dá-nos a conhecer o diário de Nora, que como tal, lhe guarda os seus segredos, do mais obscuro ao mais cómico, do mais importante ao mais trivial, e poderíamos encontrar mais definições plausíveis até ao final da noite, pois aqui entre nós, imaginação fértil tem Nora Rute.
Nos anos 60 com um Portugal a viver sérias mudanças a vários níveis, destacando sobretudo os conhecidos movimentos estudantis da altura, acompanhamos esta jovem cheia de ansiedades, desejos e sonhos.
Acredito que a singularidade do livro se prende, sobretudo, pela época histórica escolhida pelo autor e pelas críticas apontadas, mais uma vez, com a sua subtileza característica que tão bem me estou a acostumar.
Nora Rute, com a sua minissaia, intrigas familiares, uma prima a que não se acostuma, amores e desamores, dá origem a um livro leve mas indispensável não fosse, pois claro, deste autor português por mim cada vez mais estimado.
 
Boas leituras.

Give Me Love

 
 
 
"A paz do coração é o paraíso dos homens."
(Platão)
 
 
"(...) e descobriu: ela era um anjo."
 
Dia feliz. E livros. Tantos!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Gaveta de Filmes

 

Completamente rendida a este filme.
Para quem acredita.
E para quem não acredita.

Jessica e Patrícia, tinham razão :)



E acreditar não é para todos.
Vejam!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O Tempo Morto É Um Bom Lugar (M.J.Marmelo)

O ano de 2015 está a revelar-se um ano muito feliz em leituras. Ainda não vivi uma desilusão propriamente dita com um livro e os três últimos, curiosamente todos eles da QUETZAL, foram abismais. O livro de Manuel Jorge Marmelo, o livro que hoje vos trago, foi a cereja no topo do bolo.
Um autor que há muito queria conhecer. Depois de numa estante ter avistado "O Amor é para os Parvos", despertou-me uma curiosidade enorme em conhecer o autor. Não foi com aquele livro, não calhou. Foi com este, que foi um presente. Um grande presente.
 
«O Tempo Morto é um Bom Lugar» é uma severa crítica a este nosso Portugal. A uma crise que se instalou como as térmitas que se instalam na madeira e vão roendo, mordazes.
Também mordaz é o autor, na forma como usa o dom da palavra escrita para atacar, no sítio certo, que é obviamente na ferida que mais dói.
Sempre vi o nosso país, antes da crise, como um adolescente no auge da sua adolescência: ansioso pela sua autonomia, um dizer adeus aflito e urgente aos pais, que já não precisa e até se envergonha. Agora com pelo na venta, precisa de respirar o ar da rua por ele mesmo, sacar do dinheiro do bolso (assegurado pelo trabalho da mãe e do pai, mas isso não interessa nada porque uma vez que já sai sozinho à noite, já se sente e é independente!) e beber umas quantas cervejas, conquistar amores que lhe inquietam o corpo. Num resumo barato: ser autónomo sem questionar.
O nosso Portugal foi assim, antes de colapsar. Um adolescente inconsequente que saiu à rua, para ir à discoteca, beber uns quantos copos, embriagar-se nessa dança de autonomia assegurada por pais que temem pela sua segurança. Até ao dia em que é, mesmo, preciso crescer. Em que é, mesmo, preciso ser verdadeiramente autónomo. Em que os pais se passam,  já não querem saber mais. Em que a chamada aranha em que as crianças aprendem a andar, lhes é tirada. Por alguma coisa os médicos não a recomendam. Mas isso, aqui entre nós, são meros acrescentos.
Agora, é preciso caminhar pelo próprio pé e Portugal sente, então, que é realmente pequeno e indefeso. Surge em si, assim, uma pequena crise que só vê em si mesmo a tendência a crescer. Até rebentar pelas costuras.
Manuel Jorge Marmelo, com Herculano Vermelho, um jornalista desmotivado e descrente em si mesmo e no mundo, transfere na personagem todas as definições de um país infeliz, fora de validade e as consequências disso mesmo nas pessoas que nele habitam.
Consequências essas em que o tempo morto que se vive numa prisão começa a sentir-se como feliz e libertador:
 
"(...) aproveitando este calmo lugar para pensar na vida e meditar sobre assuntos que, lá fora, nem sequer nos ocorrem, tão distraídos andamos com o constante rol de obrigações e contas para pagar." (p.58)
 
Onde se vive um tempo morto que suscita na mente adormecida pensamentos concretos, de quem se revela agora numa outra realidade, afinal, tão próxima da que vivia antes:
 
"(...) mas a experiência do confinamento não é, afinal, muito mais constrangedora do que as apresentações quinzenais na junta de freguesia a que os desempregados estão obrigados. Para todos os efeitos, o sujeito a quem o patrão tenha despedido é culpado do crime de ócio passivo involuntário conforme o artigo décimo sétimo do decreto-lei numero 220/2006, de três de Novembro, e, deste modo, objecto de um regime de liberdade condicionada como outro meliante qualquer." (p.69)
 
Há momentos em que sentimos, no argumento mordaz do jornalista, que viver nesse tempo morto nos fará muito mais felizes. A vontade de sermos verdadeiramente presos. O paradoxo de viver a realidade tal como é. Como se fossemos umas pequenas peças de Lego, a brincar ao faz de conta, com um Deus estranhamente irónico que nos prende sob a falsa promessa de uma (condicionada) liberdade.
Mais do que uma crítica ao país que vivemos, o livro sublinha as escolhas. Serão as escolhas consequências do lugar onde vivemos? Será o país pequeno e encolhido que condiciona as escolhas fáceis e a vontade de fama instantânea? Como as mousses de chocolate, que é misturar e já está? Será toda essa mistura consequência dos caminhos que tomamos? Será esse contexto o útero de pequenas mentes que anseiam por reconhecimento apenas por se enfiarem numa casa enquanto comem e se comem à vista de todos? Será?
Manuel Jorge Marmelo permite-nos, dessa forma acutilante e inteligente, questionar sem parar até tentarmos encontrar a resposta que, pelo menos, acalme a inquietação em que nos coloca.
 
"Preciso de que as mulheres gostem de mim, mesmo se não chego a entender muito bem a pulsão que as leva a entregarem-se a um tipo como eu, capaz de se envolver apenas parcial e frivolamente, e que não tem mais nada a partilhar que não seja esta estranha angústia e o fracasso que carrego como uma nuvem escura sobre a cabeça." (p.118)

E há esse, pois há. Há o amor. Ou o desejo dele, em nós. A sua procura, apesar de cansada. Desmotivada. Descrente.
Também Herculano Vermelho o procurou em Soraya Évora. Também Soraya Évora o procurou em Ricardo, em Maria e, por fim, em Herculano.
Mas as dúvidas, essas, parecem permanecer como aquele tempo morto, afinal, o melhor lugar de todos. Que não questiona. Que não pede. Que entorpece.


Mais do que recomendado!
Boas leituras.
 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dream

 
Retirado Pinterest

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Amor Sortido a Kilo

O amor é para os fracos.
O amor tem de ser para os fracos. Porque me recuso a entender de outra forma, mais plausível, mais racional que esta.
O amor só pode ser para os fracos.
Porque os fracos dão tudo sem pensar. Pensam apenas no fim de um gesto em nada premeditado, apenas saciado pela vontade de um momento.
O amor tem de ser para os fracos que constroem entre si uma rede de redes de peixe morto, seco, que vai apodrecendo em memórias fúnebres, de quem morreu sem contar. Apanhado desprevenido. Surpreendido pela corrente da maré.
O amor é para os fracos.
Sim. O amor é para homens e mulheres como vocês. Fracos.
Homens de um sofá de Sábado à tarde.
Recuso-me a acreditar numa outra possibilidade repleta de maior sentido. Não. Não me façam crer em algo diferente, pois o amor, esse, só pode ser daqueles que não calculam a velocidade da palavra proferida. Que não leram a Florbela e não guardaram o segredo nos lábios da mulher e que, por isso, se tornou misteriosa, quase sagrada, desejosa por ser descoberta.
O amor não pode ser para esses idiotas, os outros.
O amor é para os fracos que despem os pudores ao Sábado à noite numa busca rápida de cerveja misturada com coca-cola. Mergulham nessas bolhas de gás, que se misturam numa dança igualmente gasosa, entre si, e entre outro, também gasoso e esquecido de si. Juntos, num sofá, bebidos, fazem uma memória já morta à nascença.
O amor sim, obviamente, é para esses fracos.
O amor a termo resolutivo certo. Para os vitoriosos fracos.
 
Que aos outros reste a doce, tão doce, ironia.
 
 
 
Denise C.Rolo

 

Bullet with Butterfly Wings

 
 
 
Ele perguntou:
"Porquê que os miúdos agora são uns imbecis?"
E ela, calmamente, respondeu:
"Porque não foram criados na época dos Smashing..."
 
(Risos)
 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Coisas óbvias às 19:00

 
 
Retirado do Pinterest

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O Desfile de Primavera (Richard Yates)

Richard Yates nasceu em 1926, em Yonkers, Nova Iorque. Após o serviço militar nas Forças Armadas americanas durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou como publicitário e chegou a escrever os discursos do senador Robert Kennedy. Os seus contos, muito premiados, começaram a aparecer em 1953, e o seu primeiro romance, Revolutionary Road, foi nomeado para o National Book Award em 1962. Yates é também autor de obras como Perto da Felicidade (Cold Spring Harbor) e Jovens Corações em Lágrimas, ambos publicados em 2009 pela Quetzal.
Richard Yates foi casado duas vezes e foi pai de três filhas.
Morreu em 1992.
 
"O efeito é simultaneamente doce e cruel, devastador e brutal."
(The Boston Book Review)
 
Um livro extraordinário. Do princípio ao fim cativou-me pela escrita, pelo enredo e pela rapidez com que tudo gira, desenvolve e cresce numa história destinada à tristeza.
Este é um livro sobre duas irmãs e o efeito do tempo, da vida, em cada uma delas.
 
"Nenhuma das irmãs Grimes estava destinada a ser feliz, e olhando para o passado sempre houve a sensação de que os problemas começaram com o divórcio dos seus pais." (p.11)

Assim começa a história das irmãs. Une-as um passado igual, pesado e triste, mas entre ambas as diferenças de personalidade assumem presença desde muito cedo. Carimbando-as. Identificando-as. Dando-lhes uma espécie de lugar, pequeno, nas suas vidas igualmente pequenas. Com um pai distante à força do destino. E com a mãe que as muda constantemente de cidade. Mãe, não. Desde cedo, as pequenas foram acostumadas a chamar a mãe de Pookie, a pedido desta, pelo que esse som materno foi igualmente perdido.
Sarah, "a menina do papá", dependente, segue rapidamente o caminho do casamento e de uma família numerosa, com três filhos a cargo, numa enorme casa, longe de tudo, respeitando com devoção o matrimónio e as agruras que este traz. Fazendo parte ou não. Sendo correto ou não. Há que respeitar os desígnios de Deus e Sarah sabe, no seu íntimo, que Tony não a empurra pelas escadas abaixo por mal. É o jeito dele. E ao jeito dela, vai vivendo os dias no encosto quente de uma bebida que conforta e, também, que aquece a alma. Amortece o fígado. Amortece o seu próprio fim.
Emily desde nova que não compreende. Tão simplesmente assim. Não compreende a vida, mas sobretudo, não se compreende a si mesma. Pergunto eu, a mim mesma, se haverá calvário maior na vida de uma pessoa que não seja esse, o de não sabermos quem somos ao longo de toda uma vida, de aventuras e desventuras, procuras desenfreadas, e sem nunca encontrar a resposta a que possa responder, por fim e convictamente: "Compreendo".
 
"E quando deixaria ela de dizer «compreendo» sobre coisas que, na realidade, não compreendia de forma alguma?" (p.78)
 
Nunca. Não deixaria nunca de se questionar. Emily era a irmã independente. A que não se encontrava no reflexo de ninguém e que por isso, se procurava no reflexo de todos ao mesmo tempo. Na agonia constante de quem procura compreender o que a ausência de uma emoção certa traz. Ao corpo. À alma. À vida, que se torna numa máquina monótona, certa, ritmada, mas não por isso cheia.
Numa espiral de procuras por aconchego nos braços de muitos homens, Emily foi envelhecendo e esse malogrado tempo trouxe questões redobradas.
 
O livro segue, sobretudo, a vida vazia de Emily e a necessidade de se encontrar, em vão. A ligação a Sarah é ténue e assustada, pois voltar às raízes significa encarar receios antigos. Mas acaba por voltar.
Acaba por regressar ao único lugar que, apesar de ausente em respostas, pode ser enfim ideal para descansar do peso de si mesma.
 
" - Sim. Estou cansada - concordou ela. - E queres saber uma coisa engraçada? Tenho quase cinquenta anos e nunca compreendi nada em toda a minha vida." (p.245)
 
 
Com personagens de uma densidade psicológica inigualável, este livro de Richard Yates reforça a complexidade das relações familiares, mas sobretudo, da relação consigo mesmo e essa busca incessante de si ajustado a uma vida que, aparentemente, nunca chega a existir.
 
 
Magnífico.
Boas leituras.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Vida Dupla (Sérgio Godinho)

Ao ouvir na rádio, uns meses atrás, que Sérgio Godinho iria lançar um livro, a minha curiosidade disparou. Um músico que admiro. Autor de letras soberbas. Um livro. Tudo para correr bem.
E assim foi, com "Vida Dupla", um livro de contos. Nove contos, soltos, mas que poderiam ligar-se entre si pela ambiguidade das personagens, pelos seus receios, pelas suas dúvidas, pelas suas questões, procuras, encontros, reencontros, busca incessante pela vida. Ou pela morte. Quem sabe?
Com uma escrita sem regras, desde logo notada, somos conduzidos facilmente pelas histórias paralelamente leves e complexas de Sérgio Godinho.
Um lençol puído. Uma perna engessada. Um sonho visto à distância. Um carrasco que passa a entender. Seja lá o que isso for. Mas o condenado passa a ser visto numa outra perspetiva. O amor. Visto de dentro. Pelas entranhas. Há isto nos contos, a possibilidade de cessação ou de continuação. Podemos parar porque a página nada tem a mais, mas a personagem segue por ali, na mente, e cabe a nós a ideia de a integrar numa continuidade espacial diferente.
 
 
Como o próprio Sérgio Godinho declara numa entrevista no Observador:
 
"Daí se ter tornado mais fácil fazer nove histórias dentro de um livro? “Sim. Também porque agrada-me muito esta concisão que o conto proporciona, de dizer muita coisa, mas também de sugerir outras que não chegam a ser desenvolvidas, que deixam pistas abertas para as pessoas imaginarem como é que seria aquela pessoa noutra situação. Gosto também muito que a certa altura esse fio que se vai tecendo se encerre”.
Gostando muito da trama, é possível que o leitor gostasse de continuar a ler. Mas a passagem para outro assunto é inevitável. Como se fossem canções. A vida é feita de ruturas. “Todos nós somos várias coisas, dependendo dos dias, dependendo da disposição, da lucidez. São as nossas vidas duplas, no sentido em que nós temos contradições, temos forças que lutam dentro de nós, temos acontecimentos que muitas vezes proporcionam uma espécie de vinda à tona de uma consciência."
 
 
Boas leituras!
 

Gaveta de Filmes

 
 


Os filmes que refiro aqui são, obviamente, do meu agrado.
«The Judge» foi mais do que isso.
Este filme arrebatou-me.

Há muito tempo que não me acontecia isto com um filme.
Vejam.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Meninas (Maria Teresa Horta)


Este livro é uma tristeza.
Com isto quero dizer que um livro pode ser feito de tal tristeza e, ainda assim, agarrar-nos e querermos ficar com ele, lá dentro, porque encontramos a verdade de que, por vezes (ou vezes demais), a vida é feita. No meio de tanta tristeza, conseguimos agarrar-nos a esperanças fúteis e à beleza das palavras. E essa beleza vem articulada com a sensibilidade de frases que unem e dão forma à tal tristeza. Uma simbiose impensada, mas possível. Não é a vida uma dessas coisas mais impossíveis e possíveis, simultaneamente?
Os contos de Maria Teresa Horta são, assim, construídos pela tristeza de Meninas. Meninas que viveram contos de (des)encantar, para descobrirem vidas para lá das raízes ainda fracas da idade que carregam nos ombros. Para lá das memórias, essas, já pesadas.
Meninas que viram o mundo de pernas para o ar, penduradas numa janela. E ainda assim, descortinaram o cabelo ondulado e loiro de quem um dia lhes abriu a porta da vida.
Meninas que entreabriram portas escondidas para descobrirem realidades até então desconhecidas, grandes demais para meninas pequenas, indefesas, atiradas a um vómito que nasce na alma, não no estômago.
Meninas que escondem cartas. Que lêem e voltam a ler pedidos de uma desculpa há muito perdida no tempo. Mas que surge como a salvação e justificação de um abandono tão precoce. Que fere. Que deixa marca. Uma marca infinita.
Meninas que perderam.
Meninas que se irão reinventar pela força de uma ausência.
Pelo abraço redentor do silêncio, ensurdecedor, de um livro.
 
 
"Como se adivinhasse o meu futuro sem ela para me abrigar no seu abraço imenso. Mas a morte levara-a consigo, e eu ficara sozinha a enfrentar as histórias de desencantar, com bruxas más absurdamente reais." (p.109)
 
 
Este livro é uma tristeza.
E uma obrigatoriedade.
O sofrimento, o vazio e essa tristeza são a verdadeira e mais sublime forma de aprendizagem. De aprender a viver com as mãos cheias de nada, e tudo, ao mesmo tempo.
 
"- Serias capaz de matar por amor? - Não lhe respondeu, subitamente pálida e ausente, o olhar refugiando-se longe com uma ponta de desespero.
Eu seria capaz." (p.145)
 
 
O primeiro livro de contos a superar toda e qualquer expectativa.
Boas leituras!
 
 
 
Maria Teresa Horta 
Escritora e jornalista nascida em Lisboa em 1937. Frequentou a Faculdade de Letras da capital, tendo pertencido ao grupo de Poesia 61 e colaborado em diversos jornais e revistas. Foi dirigente do ABC Cine-Clube e militante activa nos movimentos de emancipação feminina. Estreou-se com o livro de poesia Espelho Inicial (1960). Dedicou-se igualmente à ficção, tendo publicado, entre outros títulos, Ambas as Mãos sobre o Corpo (1970). Em 1972 foi uma das autoras das polémicas Novas Cartas Portuguesas (com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno), obra que suscitou um processo judicial pela sua natureza transgressora em relação à tradição patriarcal dominante.
 
 

Citação



"Era uma menina desapegada dos outros.
Só gostava de livros."
 
Maria Teresa Horta | Meninas
 
 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Memento Mori (Muriel Spark)

Vida. Apego. Morte. Dinheiro. Velhice: algumas das palavras que tendem a emergir, com mais força, depois de fecharmos este livro de Muriel Spark.
Memento Mori. «Lembra-te que vais morrer». É a frase que dá título ao livro e que acompanha toda a história que Muriel Spark esculpiu numa que é, para mim, audaz reflexão sobre a velhice e os receios que vêm atados a esta fase da vida.
O que considerei mais interessante centra-se nas personagens, todas elas idosas, os seus interessantes diálogos, os seus receios, o apego ao dinheiro como forma de salvação e garantia de aproximação daqueles que amam, e o medo inevitável de morrer.
Grande parte da história decorre em torno de Dame Lettie mas também com um grupo de idosos numa casa de repouso, e é nesse contexto que conhecemos os seus receios, bem como os seus hábitos. Confortáveis hábitos que lhe permitem viver os dias mais serenamente. Entre ler o a necrologia e a astrologia, as idosas reclamam a forma como são tratadas, relembrando e misturando passado e presente.
Mais do que uma reflexão sobre a velhice, sobre o fim da vida, Muriel Spark, analisa sob o ponto de vista de um grupo peculiar de personagens, as fragilidades humanas, o arrependimento e essa necessidade vigente de alterar os dias que passaram ou, sob a forma de um sonho dormente, comprar um dia mais na certeza de que se faria algo melhor. Algo diferente. Algo inesperado, quem sabe.
 
Recomendo. A escrita de Muriel Spark mais que mordaz, prima pela frontalidade, deixando o leitor curioso, acelerando-o para o fim de uma boa história, em que reflexões sobre a vida, a morte e o refúgio da literatura, lá bem escondida, podem ser encontradas de uma forma muito interessante.
 
 
Boas leituras!
 
 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Gaveta de Filmes (e um livro à espreita)








Um filme belíssimo que hoje vos trago.
Recomendo sem qualquer reserva.

Muito, muito bom.

Depois de pesquisar mais descobri que se baseava no livro de Cheryl Strayed.
 
 
Não li o livro, mas depois de ver este filme, confesso que fiquei curiosa para conhecer mais desta história de autodescoberta e de inegável coragem.
 
 
Boas leituras! 
 

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Palavras Soltas #3

 
 
 
 
ví·ci·o
(latim vitium, -ii)

substantivo masculino


1. Defeito ou imperfeição.

2. Prática frequente de acto considerado pecaminoso.

3. Tendência para contrariar a moral estabelecida. = DEPRAVAÇÃO, LIBERTINAGEM

4. Hábito inveterado. = MANIA

5. Dependência do consumo de uma substância (ex.: vício do álcool).

6. Erro de ofício.

7. Erro habitual no uso da língua.

8. Mau hábito ou costume que as bestas adquirem. = MANHA

"vício", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/vício [consultado em 01-02-2015].
 


Bem haja ;) minha Joaninha!

 

Gaveta de Filmes

 
 

 
Um dos melhores filmes que já vi.
Um filme triste, pesado e ainda assim, obrigatório.