quarta-feira, 29 de abril de 2015

Relíquias Literárias

Entre os livros velhos da minha tia, mas muito estimados por ela, encontrei um livro que é uma verdadeira relíquia: o seu Livro de Leitura da IV CLASSE, Editora Educação Nacional.
Textos que são uma ternura. Por vezes, dou comigo a pensar, que é essa ausência de ternura que abunda quer nas escolas, quer em casa. Seja por falta de tempo, seja por falta sei lá eu de quê.
Sei apenas que é uma ausência que abunda. E que entristece.
 
 
 
"Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje"
 
Um agricultor recebera aviso para pagar as suas contribuições. Mas, como tinha o mês todo para entrar com o dinheiro, disse de si para si:
- Para que hei-de ter pressa? Lá para a feira, aproveita a ocasião de ir à vila, para pagar a décima.
Não pôde ir à feira, como tencionada, por ter o cavalo manco. Depois adoeceu-lhe a melhor vaca, e ele só pensou em salvar o animal.
Estava a chegar o fim do mês, quando o lavrador deu uma queda. Esteve de cama bastante tempo, e não se lembrou mais de que estava por pagar a contribuição.
Um dia, vieram fazer-lhe a penhora por dívida ao Estado.
O lavrador não só sofreu aquela vergonha mas teve de pagar muito mais do dobro da importância da contribuição.
 
 * * *
 
Quantas vezes, julgando que temos tempo de sobra, perdemos a melhor oportunidade de fazer um serviço ou de cumprir um dever! Por uma circunstância imprevista, uma dificuldade inesperada, um caso de força maior, podemos ver-nos na impossibilidade de dispor do tempo que nos parecia demasiado.
Devemos, portanto, aproveitar todas as ocasiões que nos parecem favoráveis para nos desempenharmos das nossas obrigações.
 
 
:)
 
Boas leituras!
 
 


domingo, 26 de abril de 2015

Miracles

 

sábado, 25 de abril de 2015

Spin

 
 
"And I wouldn't change a thing"
 

quinta-feira, 23 de abril de 2015

No Dia Mundial do Livro eu...

... faço aqui uma homenagem a uma das muitas suas particularidades, a qual acredito estar diretamente associada, de alguma maneira, a este vício (bom) que nos transcende.
Não me perguntem porquê.


 
Right? :)
 
Dia bom, com muitos livros!

Coelho Enriquece (John Updike)

Volto eu com John Updike na manga. Mais uma vez. Com o terceiro volume de uma história sem precedentes. Se isto é cliché, que seja, porque é mesmo. Por alguma coisa esta série se tornou tão famosa, este retrato fiel da vida americana, com o pano de fundo magistral que é a escrita fria, mordaz, nua, de John Updike.
Fantástico!
 
Neste terceiro volume «Coelho Enriquece», encontramo-nos na vida de Coelho 10 anos depois da tragédia com que abandonamos o segundo volume. A casa que arde. A morte de Jill, o desaparecimento de Skeeter.
 
E Coelho que volta para Janice. Janice que volta para Coelho. Coelho que fica rico. Rico com o negócio do sogro. Rico e a dar um novo valor ao dinheiro. Avarento. Pois quem é rico, é aquele que poupa cada cêntimo.
 
Este livro comprova a suspeita que surge de toda uma série abrupta de atos inconsequentes de Coelho e Janice, havendo uma pessoa que, consequentemente acabaria por se tornar no reflexo disso mesmo: Nelson, o filho de ambos.
 
É ele quem mais sente a falta de Jill, e quem mais relembra um passado que todos querem esquecer. É nessas lembranças e nesses alicerces pouco sustentados que Nelson cresce e evolui. Pouco firme, portanto, à imagem de um pai que de firme nada teve, também. O confronto dos dois torna-se assim, inevitável.
Para Coelho, Nelson torna-se um reflexo das suas próprias ações, daquilo que poderia ter tido, e não teve, do que ainda poderia alcançar mas, estúpido do miúdo, não tem esperteza para tanto, engravidando Pru. Tal como fizera ele, anos antes com Janice.
Sente-se encurralado, na prisão do próprio filho.
É a mistura doce e amarga de um passado que se junta, oferecido, ao presente com a promessa, estúpida, de revindicar desde logo qualquer ato libertino ao futuro.

E também Ruth. Que surge nos pensamentos de Coelho com a promessa de uma fuga apetecível ao passado como forma de redenção. Uma forma de encontrar novas respostas possíveis a um presente que em nada o seduz, como sempre.
Se o filho Nelson só lhe traz desilusões e no corpo a intenção certa de o importunar, talvez a filha de Ruth, a filha que ele quer, porque sim, seja a resposta que procura.

Assim é Coelho. Para sempre um homem mimado que procura inconsequentemente o conforto próprio, a certeza de que, acima de tudo, o amem. Este homem precisa tão somente da confirmação de ser amado por todos.

E eis que regressa aos seus dias comuns e se depara com a verdade: Nelson no reflexo do seu próprio passado. Também Nelson correu. Para longe.

Este é um livro centrado, sobretudo, na relação de Coelho e do seu filho, marcado pelas inúmeras atrocidades de um passado em nada arquitetado pela segurança de um lar acolhedor. É a história centrada na amargura de Coelho ao perceber a marca do tempo, veloz em si mesmo, e para si, bem como naqueles que o rodeiam.
Afinal, marcas indeléveis.

E com esse sentimento, a presença de uma insatisfação teimosa. Persistente. De quem não se conforma. De quem sempre questiona.

Muito bom!



www.wook.pt: Vencedor do Pulitzer Prize, do National Book Award, do American Book Award e do National Book Critics Circle Award.
Em Coelho Enriquece, Updike retoma as aventuras da sua personagem Harry "Coelho" Angstrom, ex-estrela de basquetebol, que, ao chegar à meia-idade, começa a questionar a sua vida aparentemente bem-sucedida. Estamos em 1979 e Coelho já não corre. Caminha e começa a perder o fôlego. No entanto, isso não representa um problema - dá-lhe a oportunidade de desfrutar do bem-estar que vem com a meia-idade. Tudo parece harmonioso no seu mundo: é chefe de vendas e co-proprietário da Springer Motors; a mulher, em casa ou no clube, continua atraente; usa bons fatos e o dinheiro não pára de entrar. Então, porque é tão difícil para Coelho aceitar a realidade? E porque é ele atormentado pelo arrependimento em relação a todas as vidas que nunca viverá?
 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Natural

Ela não consegue conceber a ideia de o ter escolhido como o mais capaz para a apreciar e amar, tal como Darwin fez ao escolher os pássaros pelos bicos mais arredondados ou bicudos.
Ela também fez assim. Também o escolheu por sentir que seria o mais capaz no meio de uma seleção em nada natural.
Porque, mais tarde, sentiu que o amor seria o sentimento mais deturpado de todos. Menos natural de todos. Ela pensa nisto, e tão apaixonada pela Teoria de Darwin, desanima e adormece nesse pensamento.
Como o pode ter selecionado quando, mais tarde, se apercebe que lhe faltava o mais essencial.
 
Atitude.
 
Foi assim que ela descobriu a falta de naturalidade do amor e entristeceu. Pois sentiu essa falta de atitude. De gestos grandes, que não trazem instruções.
 

Mais tarde, porém, alegre no vazio que só a esperança dá, entendeu finalmente que o grande gesto humano, essa tal atitude percebida, corresponde ao saber voar do pássaro de Galápagos.
 
E é natural.
 
Afinal, tão natural.
 
 
Denise C. Rolo
 
 
             

Fun and Hapiness 24H

 
 
Love it!
 

domingo, 19 de abril de 2015

Citação

 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Good

:)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Saudade para Amadores

O tempo está tão zangado. E indeciso.
Ora são gotas leves de chuva. Ora são pedras que caem velozes céu abaixo, invocando  raiva contida pelos dias que se passaram com sol.
O tempo está tão zangado. E indeciso.
Tudo isto porque eles se foram embora.
E nessa tristeza o tempo não sabe o que fazer. Se chove. Se desperta o sol. O vento. Ou se o quê.
 
 
Está zangado.
 
 
Denise C. Rolo
 


Citação


"Não há dúvida: os nossos pecados, a nossa semente, regressam serpenteando."
 
John Updike | Coelho Enriquece
 

domingo, 12 de abril de 2015

Regressa, Coelho (John Updike)

Regresso com mais um capítulo da vida de Coelho, neste que é o segundo volume da famosa tetralogia de John Updike.

Não continuem, se pretendem ler estes quatro livros, pois a partir de agora, farei revelações da história.

Depois de Coelho largar Ruth e correr desenfreadamente pelas ruas, o autor deixa-nos no limbo da curiosidade e dúvida sobre quais serão os passos, à partida, dúbios deste homem, que de homem, parecer ter tão pouco.
Ao abrirmos o segundo livro, porém, passam 10 anos e Coelho correu de volta para a família, após uma perda inigualável que foi perder a bebé Rebecca após o acidente na banheira. Com uma Janice inquieta, atormentada pela bebida, esta, impulsionada por mais uma das ausências de Coelho. 
A culpa torna-se assim pesada nas costas deste homem, e regressa para uma vida que, subitamente, se torna cinzenta e sem qualquer objetivo mais amplo que não seja um regresso monótono a casa, depois de um dia de trabalho, e vice-versa.
Quem parece ter mudado, essa sim, é Janice. Cansada, paradoxalmente, deixou de se resignar, querendo mais. Um "mais" que assusta Coelho, e o impossibilita de dar.
Exausta dessa passividade e da toca em que o Coelho insiste estar, Janice é agora uma mulher diferente e o trabalho fora de casa parece ser o grande gerador dessa mudança. Com ela, surge a traição que inconscientemente lhe parecia gritar ao ouvido, e empurrar os braços e as pernas, para avançar sem censuras. Como quem pretende, agora, retaliar nos destroços de uma guerra já antiga.
Uma traição que reafirma essa passividade e mimo de Coelho. Que amua e congela no espaço que lhe é concedido. Como ele próprio refere "Sou ou muito orgulhoso ou muito preguiçoso (...)". E resigna-se às novas condições que a vida lhe impõe, assumindo essa culpa antiga, lidando com ela, num presente e futuro que chegarão sempre confortavelmente envenenados.
Esse presente e futuro ganham, à medida dos dias, o nome de Jill. E Skeeter.
Pessoas novas que lhe entram pela casa, a nova amante. E o amigo negro.
Pessoas novas que lhe entram pela casa, com pouca ou nenhuma vontade, ou muita, que seja, mas entram para lhe aliviar esse vazio que nem o próprio entende. Necessidade de aprovação. Necessidade de espantar um medo desconhecido. Necessidade de provocação do Skeeter, cuja cor de pele tanto o inquieta. Incertezas. Mas que a confirmação do filho adolescente e a saudade que invoca pela mãe, o martiriza e magoa.
Em «Regressa, Coelho» há a continuidade de personagens martirizadas por elas mesmas, e Coelho assume-se central na arte de perder, de fazer perder e nada fazer.
Há um mimo e birra constantes na sua forma de pensar, essa ingenuidade que mesmo com 10 anos volvidos, parece persistir, e uma quase ternura pela sua tendência a deixar-se levar pela força dos dias. Inconsequentemente.
E um dia tudo arde. Coelho, num desses dias inconsequentes, perde a casa e Jill num incêndio. Uma tragédia que o empurra, sem grande emoção, para uma nova jornada.
Novo empurrão inesperado, incerto, e que consigo traz Janice, igualmente incerta dos passos novos que dá...


Boas leituras!

www.wook.pt: Regressa, Coelho é a história da ex-estrela do basquetebol do liceu, que no momento presente se encontra num emprego sem futuro e próximo da meia-idade, residindo na limitada cidade ficcional de Brewer, Pensilvânia, a sua cidade natal. Quando a sua mulher o abandona por outro homem, Harry e o seu filho de doze anos ficam perdidos, reflectindo o estado da nação americana em 1969. Em 1969 o mundo está em mudança. A América está prestes a colocar um homem na Lua, a Guerra do Vietname está no auge e a tensão racial já se faz sentir. As coisas já não são o que eram - pelo menos, não para Harry "Coelho" Angstrom. A mulher abandonou-o levando consigo o filho adolescente, o emprego está em risco e a mãe está moribunda. De súbito, na sua vida confusa - e na sua casa - entra Jill, uma fugitiva de dezoito anos que se torna sua amante. No entanto, quando ela convida o amigo, um jovem negro radical chamado Skeeter, a ficar lá em casa, a frágil harmonia do casal começa a ressentir-se.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Fairytales :)

 
:)
Retirado Pinterest

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Libertar

 
 

 
"Não é preciso muita força para agarrar. É preciso muita força para libertar."
 
(J. C. Watts)


terça-feira, 7 de abril de 2015

Intenções

Correu numa direção e o vento soprou noutra. Ele foi precisamente a correr para aquele lado do vento. Nublado. Indeciso e intranquilo. Correu num dia de sol e ele correu para debaixo da chuva porque pareciam cristais de um novembro que muito promete e nada cumpre. Abraçou-o sem querer num outubro indeciso e sem respostas. O vento levou-lhe a intenção e congelou-lhe o abraço num dezembro cheio de neve.
Intenções. Intenções.
As deles foram tudo menos congruentes.
Um calendário desajustado ao sabor de intenções incertas, medrosas, tão desajustadas nos seus tempos. Nos seus ritmos.
Intenções. Que as levem o vento de dezembro. Que as queimem o sol de agosto. Que o tempo a faça desaparecer para o bem dos corações tão enganadoramente bem intencionados.
 
Denise C. Rolo
Fevereiro 2015

sábado, 4 de abril de 2015

Corre, Coelho (John Updike)


Se têm nervos frágeis, aconselho a não tocarem nesta tetralogia de Updike. Se assim for, vão acabar por se enervar e haverá, num momento ou outro, uma vontade terceira de atirar o livro por uma ribanceira abaixo.
Por outro lado, quem se meter nela, não conseguirá sair sem descobrir como acabará a vida do Coelho.
Há muito tempo que ansiava ter estes quatro livros em casa.  Não estou arrependida, estou absurdamente rendida.
Já li livros, entre eles a recente leitura de Richard Yates, com personagens de uma enorme densidade e complexidade, mas o Coelho consegue, em si mesmo, reunir um conjunto tão obscuro da alma humana que é impossível não nos chocarmos e, simultaneamente, nos identificarmos com determinadas passagens. Sejamos honestos, somos todos um pouco fracos, e desistir é o primeiro som do grito da nossa aflição. Do grito sufocado que muitas vezes não pode subir pela garganta acima, tais são os afazeres de dias arquitetados ao pormenor. Já são muitas as escadas que se subiram. Desistir, e voltar ao ponto de partida, implica uma mudança de regras onde a personagem principal não seria a única implicada. E isto é tão simplesmente o significado do verbo viver.
 
Este é o primeiro volume da história de Harry Angstrom, mais conhecido por Coelho. Em tempos de escola, o popular jogador de basquetebol, agora vendedor de MagiPeel Kitchen Peeler, sente que o tempo resolveu não o continuar a brindar, dando-lhe pela frente tempos de dúvida e de constantes provações.
Casado com Janice, alcoólica, pai do pequeno Nelson, Coelho será novamente pai em breve, mas quer desistir. E foge. Assim. Num dia como outro qualquer.
 
Foge no carro, pela noite dentro. E nos dias que se seguem, surge uma nova vida conjunta com Ruth, e um novo amor cresce também. O coração de Coelho parece ser grande. Demais. Mas virado para dentro.
Um coração com olhos grandes e uma boca maior ainda, que suga de fora para dentro, passeando altivo pelas ruas certas de quem nada sabe.
 
"- Vou dizer-te uma coisa - diz-lhe Coelho. - Quando abandonei a Janice, descobri uma coisa interessante (...). - Se tiveres coragem para seres tu mesmo - diz ele -, outros pagarão tudo por ti." (p.149)
 
 
O Coelho corre na procura incessante de questões, sempre certo e envolto num egoísmo que lhe garante uma tonta legitimidade. Mas não corre sozinho.
Para trás, ficam as ruas paralelas com as vidas que foi deixando para trás, de quem correu para ele, por ele, com ele.
 
Que fará agora?
Continuará a correr, sem olhar para trás?
 
 
Boas leituras.
 
 
www.wook.pt: O trabalho mais conhecido de John Updike é a série Rabbit: Rabbit Run (Corre, Coelho), Rabbit Redux, Rabbit is Rich (Prémio Pulitzer), Rabbit at Rest (Prémio Pulitzer) e Rabbit Remebered. Corre, Coelho foi escrito em 1960 e é até hoje um dos livros mais emblemáticos e lidos de John Updike.
Harry "Coelho" Angstrom tem 26 anos e é uma antiga estrela do basquetebol. Casado com a sua namorada do liceu (alcoólica e grávida do segundo filho), vive nos subúrbios da Pennsylvania e é vendedor de acessórios de cozinha. "Coelho" começa a sentir que a sua vida não faz sentido e que só tem duas hipóteses: tentar fazer com que a sua vida seja melhor ou fugir. Decide fugir e abandona a família. Quando parte em direcção a Virgínia encontra o seu antigo treinador que o apresenta a Ruth, uma prostituta em part-time, e nessa mesma noite começam a viver juntos. "Coelho" só não sabe o que o futuro lhe reserva…
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Para lá da simplicidade...


P: O que mais gosta de fazer na vida?
R: Ler!
P: A sério? E além de ler, o que mais gosta de fazer?
R: De ler.
P: Sim. Mas… certamente existirão outras coisas que o fascinam…
R: Ler.
P: Nada mais?!
R: O que gosto mais de fazer na vida é ler. É preciso escrever, ou não sabe ler?!!