domingo, 31 de maio de 2015

A mulher mais bonita da cidade (Charles Bukowski)

 
 
Charles Bukowski não carece de grandes apresentações.
Neste livro de contos, voltamos a encontrar as aventuras mais inesperadas, cómicas e trágicas, tudo ao mesmo tempo, através de um autor cuja vida foi marcada pelos excessos.
 
"Bukowski é um daqueles escritores que descobrimos com entusiasmo transgressivo"
 
(The New Yorker)

Um pouco por aí, sim.
Há medida que o leitor vai lendo, eis que surge a ideia fatídica de transgressão, tal é o ponto máximo de loucura deste autor.
Por vezes cómico, por outras, nem tanto.
Desde mulheres pouco amadas, a empregos igualmente pouco amados, este livro retrata um conjunto de histórias onde pessoas comuns se tentam encontrar num mundo pouco acolhedor. O álcool, o sexo e a droga resumem-se a escapes próprios de quem se cansa de procurar, de quem pouco quer saber.
 
Bukowski era assim.
Um registo fiel de "não há mais nada a fazer".
Um dia de cada vez, e espera para ver.
 

sábado, 30 de maio de 2015

Stupid people

 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Intuition

 

domingo, 24 de maio de 2015

Perto da Felicidade (Richard Yates)

As minhas expectativas são sempre redobradas quando se trata de Richard Yates. Não desilude.
Em «Perto da Felicidade» o autor volta a dar vida a personagens cinzentas, onde a busca pela felicidade, por um motivo interior que impulsione e motive o sentido dos dias seguintes, assume o principal cenário.
No contexto dos anos 40, na América, o leitor vai encontrar um conjunto de personagens com a alma virada do avesso, com os olhos projetados no futuro, mas com anseios antigos e pesados, de raízes num passado que em muito lhes condiciona qualquer passo imaginado.
Charles Shepard não ultrapassa o desgosto de não ter combatido, dedicando-se a uma esposa passiva entregue ao estímulo emprestado do álcool.
O seu filho, Evan Shepard é todo ele tecido mole. Conforme a vida lhe vai pegando, ele vai cedendo. Sem postura. Sem robustez. Entre casamentos laçados à força, vai sonhando com um futuro melhor, mas que não agarra para lá de um pensamento que vai e volta.
Gloria sofre a eterna marca quente da rejeição. Mulher. Mãe. Itinerante. Com dois filhos a cargo, a vida desta mulher mascarou-se pela som das palavras, que fala sem cessar na tentativa de calar uma dor antiga. Rachel, a filha, assume o casamento como o pilar da sua vida. Onde se encosta, e agarra, na tentativa de lá extrair todas as razões de ser da sua existência. Chegará?
Estas são algumas das personagens que irão acompanhar o leitor de «Perto da Felicidade». Todos eles muito diferentes entre si, mas que se encontram num ponto comum: a insatisfação com aquilo que a vida lhes tem dado e a vontade, quase secreta, de ir ao encontro de algo mais. De chegar mais perto. Mais perto dessa felicidade, que só espreita em dias suspeitos.

Recomendo.

Boas leituras!
 

sábado, 23 de maio de 2015

Utopia. Paixão. E pó.

Há utopia na paixão.
E paixão na utopia.
Certezas. Riscos. E grandezas.
Serás sempre perfeito para mim.
Até ao dia.

Até ao dia em que só me reste
Pó.
Até ao dia em que só me reste mero pó.
Mero pó que confirme a tua perfeição.

Pó de memórias.
Pó de enganos.

Partículas.
De merda.



D.C.R

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Amor de cortar à faca

 
Emily Brontë


terça-feira, 19 de maio de 2015

O Herói Discreto (Mario Vargas Llosa)

AVISO DE SPOILER.

NÃO QUER SABER, NÃO LEIA!
 
 
 
 
 
Hoje trago-vos a minha crítica do primeiro livro que li do vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, com “O Herói Discreto”.
Não fiquei rendida à escrita deste autor. Mais rendida fiquei à sua história de vida, digna de um livro, e aposto que este em específico espelha um pouco dela, mas não nos adiantemos.
«Herói Discreto» é uma história centrada em Felícito Yanaqué, um homem com perto de 50 anos, muito respeitado na sociedade, que lutou de pulso firme para conquistar a estabilidade financeira, e que hoje é gerente de um negócio de transportes, do qual muito se orgulha. Tenta, a custo, transmitir aos filhos o fruto do esforço como forma de se conseguir alguma coisa na vida. Que não é com panos quentes, nem com falas mansas que a coisa lá vai. Não é manso nas palavras nem nos gestos, mas tem um coração quente, no lugar certo.
Tudo muda com a chegada de uma carta. Uma carta a extorquir-lhe dinheiro, com ameaças.
É precisamente nesse momento que Felícito mostra esse herói que há dentro de si, e nega perentoriamente compactuar com essa gente, denotando aqui o traço definidor da escrita de Llosa: a ênfase das desigualdades sociais, das injustiças e das atitudes iniciais, por vezes, quase impensadas, que o ser humano assume para chegar aos finais desejados.
Sentindo a injustiça de compactuar com corruptos e sentindo-se duplamente traído ao descobrir que os seus colegas aceitam ser extorquidos em prol de uma paz fingida, mais bate o pé nessa recusa fazendo desta uma homenagem e consideração infinitas ao legado deixado pelo seu pai: “Não te deixes pisar por ninguém.”
A relação familiar, mais especificamente, a relação entre o pai e o filho, são a marca notória e presente ao longo deste livro. Apesar de poder o leitor sentir-se injustiçado ao deparar-se com duas histórias paralelas conhecendo-lhe o fim e o cruzamento das mesmas, praticamente no fim, há que reconhecer que a mensagem do autor é pertinente e detentora de uma reflexão profunda para lá da leitura do livro. A relação entre pai e filho é aqui essencial para que as linhas soltas e a essência do tema do autor se fundam num só: o amor de sangue, que corre nas veias, é definidor e é um marco na vida de um homem. O modelo, o exemplo de alguém na vida, para moldar, orientar, revelar e projetar, é uma nota bonita que o autor perpetua neste tão discreto herói.
A história de vida de Mario Vargas Llosa é marcada pela ausência do seu pai até aos 11 anos de idade, que abandonou a mãe após saber da sua gravidez. Pensando que o pai havia morrido, Llosa vê o pai regressar aos 11 anos, lidando igualmente com a aceitação do seu regresso por parte da mãe.
Neste livro podemos perceber a transferência da figura do pai, da importância desse homem na vida de qualquer pessoa: um filho trai o pai, escrevendo cartas ameaçadoras e envolvendo-se com a sua própria amante. Llosa nunca revelou qualquer pudor em se projetar nos seus livros, tendo inclusivamente saido prejudicado na sua vida política em detrimento das suas obras e em consequência de um povo tão preconceituoso como o seu (Peru).
É com base nisto que refiro a interessante história de vida do autor e a minha incapacidade de me desligar dela ao longo da leitura deste livro onde, acredito, é fácil perceber certas ligações e transferências à tão imortalizada figura paterna.
Não é, para mim, uma escrita envolvente, e as histórias paralelas nem sempre me fascinaram, no entanto, a mensagem que de lá se retira vem connosco, o que me leva a considerar estar perante um bom livro.
Boas leituras!
 

 

domingo, 17 de maio de 2015

We're all mad here


Retirado Pinterest


sábado, 16 de maio de 2015

A Leitura

A leitura depara-se com uma série de obstáculos, é muito mais fácil sentarmo-nos no sofá a ver televisão do que a ler um jornal até. E a questão parece ser esta sociedade de facilistismo em que deixou de se perceber que as coisas que dão algum trabalho também são as que dão mais prazer, porque são conquistadas. A leitura dá algum trabalho e temos de conquistar um espaço para ela na nossa vida, temos de nos empenhar para absorvê-la completamente, para que faça sentido. Isso é que se perdeu um pouco de vista, mas penso que quem procura acabará por encontrar e tenho esperança de que as pessoas não deixem de procurar, não desistam, porque baixar os braços é ficar sempre no mesmo sítio.

José Luís Peixoto, in 'Diário de Notícias (2003)'  

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Citação

 
Se eventualmente uma senhora aparecer no evento gastronómico e ele ficar vermelho, não julgue a senhora ser de emoção ao vê-la.
Será apenas a iminência de um ataque cardíaco por excesso de tamanha gula!
:)


terça-feira, 12 de maio de 2015

Boulevard Of Broken Dreams


"Aquele que conhece a arte de viver consigo próprio ignora o aborrecimento."
 
(Erasmo de Roterdão)

domingo, 10 de maio de 2015

Montedor (J. Rentes de Carvalho)

 
Este livro de J. Rentes de Carvalho é um poema em tamanho XXL.
 
Nunca tinha visto. Nunca tinha lido. Um poema grande, sôfrego, desesperante. Um paradoxo de poema, pois é escrito em prosa. Mas e a beleza da escrita, a simplicidade que a torna complexa, os tons cinzas que perduram? Se isto não é um poema grande, que crava a ferro quente a dor do triste protagonista, não sei que mais poderá ser.
É um poema grande. Um poema que lamenta as sortes de quem não nasceu predestinado a dias de felicidade. Ou a, simplesmente, dias certos de ser. Ser alguém, com coragem:
 
"Sem coragem de decidir. É bonito ficar a gente a moer ilusões, outra coisa é arriscar, dar o passo em frente." (p.36)
 
Num labirinto que nem o próprio entendeu, a vida foi-se estendendo e alargando. Foi correndo numa direção ambígua. Certo apenas o sonho de ser.
É desesperante perceber o quanto os sonhos nos podem trair. São falsos. Prometem mundos e fundos. Com eles, andamos de peito inchado por esse mundo fora, tão certos de um futuro brindado pela sorte de quem tudo consegue. Sonhos, quem os conheça que os compre!
E ele comprou. Nas paredes confortáveis de um quarto. Fechado e seguro pelos jornais que lhe mostravam a Austrália e, depois, Paris!
 
"Mas para que fui feito, então? Para nada. Para ser bola, joguete, número soldado de infantaria. Para querer e não poder, ter sonhos e ver os outros vivê-los." (p.56)
 
Os sonhos traem. Ele pensou que sim. Mas os sonhos, esqueceram-se de acrescentar à história, são fumaça que passa.
Ou nos lançamos num fogo posto pela força desse querer, ou jamais passaremos desse fumo pequeno. Pequena ameaça.
 
Tenho dificuldade em caracterizar a escrita de J. Rentes de Carvalho, de tão bela que é. Por isso, fico-me por aqui. Uma escrita bela.
Sendo um notório sublinhado a negrito da sociedade portuguesa, dos seus impasses, e do seu sofrimento, este livro é o abismo onde qualquer um se pode encontrar, volta e meia.
 
Muito recomendado!
 
Boas leituras :)

sábado, 9 de maio de 2015

Attitude

 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Coração dos Ponders (Eudora Welty)

«O Coração dos Ponders» é uma pequena novela escrita por Eudora Welty, no ano de 1953.
Como uma novela que se preze, aqui, o leitor encontrará os ingredientes necessários para momentos recheados de bom humor e divertimento. Um pequeno livro cheio de graça, personagens inesquecíveis e peculiares.
É o caso do tio Daniel Ponder, cujo coração é conhecido pela generosidade. Mãos largas, não aguenta para si nada do que possa dar, pois é a dar que o seu coração acalma, na certeza de que será ainda mais amado e apreciado.
Quem não aprecia tal destreza na arte de bem dar é Edna, a sua sobrinha, de idade similar, e a narradora desta pequena história.
É através do seu diário que conhecemos a pequena aldeia onde tudo acontece, onde os amores inflamados do tio Daniel crescem assolapados e onde, inevitavelmente, se perde em esbanjamento, para deleite do povo.
Há coisas que uma mulher não consegue aceitar, e uma delas é sentir ter razão, estar cheia dela, e ainda assim, não se fazer prevalecer.
O coração do tio Daniel é invadido por um amor que ultrapassa qualquer barreira e a responsável da proeza é uma jovem mais nova, para grande desânimo da sobrinha, que sente diariamente o impulso da ordem e o fracasso da sua missão.
Desde que a moça entra nas suas vidas, com a esperteza de um casamento à experiência, a vida do tio Daniel jamais será a mesma. Pois, dizem, que nessas coisas do coração, uma vez envolvido, os olhos perdem foco.
E assim foi.
Numa reviravolta em tudo inesperada, - que não contarei, pois não quero evitar as emoções fortes que esperarão o leitor que se atrever -, as mãos do tio Daniel abrir-se-ão de vez, dando como nunca deu, mostrando o quanto o amor é feito de nada, e um nada que é tudo, mas… perguntam vocês, o coração? Esse, o coração do tio Daniel Ponder emudeceu à passagem do tempo. Da indiferença. Do embaraço.
 
 
Uma pequena história que recomendo para tardes simples.
Boas leituras!

domingo, 3 de maio de 2015

Linhas por ler

 
Retirado Pinterest
:)
 

sábado, 2 de maio de 2015

Coelho em Paz (John Updike)

«Coelho em Paz» é o último livro da tetralogia de John Updike sobre o peculiar personagem Harry Angstrom, mais conhecido por Coelho.
 
Dez anos volvidos, e a vida de Coelho sofre mais mudanças a que o tempo assim parece estar destinado: a alterar, a modificar, a avançar. Nem sempre para melhor. O coração de Coelho, outrora vigoroso, está a dar sinais de cansaço. Está doente. As dores no peito, repentinas, são os primeiros sinais, ingratos, do tempo que passa sem cerimónia.
 
O tempo passa e muda. Mas Coelho envelhece igual a si mesmo: "Cada vez que alguém me diz que faça qualquer coisa, o meu instinto indica-me que faça o contrário. Isso causa-me muitos problemas, mas também me tem divertido muito." (p.28).
E o instinto de Coelho é bem vincado. Um homem difícil de esquecer.
 
Neste último livro, continua a relação difícil entre pai e filho. Nelson parece nunca tomar as decisões mais acertadas, aos olhos de Coelho, e nessa sequência, o vício das drogas vem dar a este a certeza da razão.
 
"Há dois caminhos que conduzem à felicidade (...). Trabalhar por ela, dia a dia, como tu e eu fizemos, ou tomar um atalho químico. O caminho parece demasiado longo." (p.65)
 
Uma avalanche de novas situações acentuam a necessidade de virar a página, uma vez mais. Coelho nunca se sente feliz onde está, nem para onde decide ir.
O caminho que traçou deixou para trás uma série de outros caminhos, ramificações, que lhe ficarão, para sempre, na garganta. Por definir. Por engolir. Por solucionar.
 
É essa angústia global que define esta história de vida escrita por John Updike, num retrato das últimas quatro décadas da vida americana.
Coelho quer sempre mais. Corre em frente, esquecendo-se que aquilo que mais desejou, e ambicionou, ficou para trás.
 
E é assim que tudo termina. Tal qual como começou.
Um dia parece que temos a vida tão definida, tão perfeitamente arquitetada para ser o que era para ser mas, de um momento para o outro, algo decide não ser bem assim.
É precisamente esse algo que assombra Coelho. Ao longo de 30 anos corre desesperado por esse algo, que de tão profundo em si mesmo, não consegue encontrar. Talvez saiba a resposta, mas a procura é árdua demais. Arriscada demais.
 
"O conselho é interessar-se mas, na verdade, cada vez se interessa menos. A natureza é assim." (p.503)
 
A natureza é assim.
E o Coelho é assim.
O eterno mimado, que correu sempre na direção contrária.
Por preguiça. Por desleixo. Por egoísmo.
Ou simplesmente porque sim.
 
Agora, o coração cansado decidirá por ele.
Enfim, em paz.
 
 
 
 
 
Muito bom!
Inesquecível.
 
 
www.wook.pt Coelho em Paz, o encantador último livro da série Coelho, é simultaneamente divertido e comovente. Estamos em 1989 e Harry "Coelho" Angstrom está longe de ter paz. Aos cinquenta e cinco anos e com excesso de peso, vê-se a braços com um negócio em crise e um coração que começa a falhar. Também a família é causa de preocupações. O filho, Nelson, é um homem arruinado, viciado em cocaína e com a auto-estima destruída. A mulher, Janice, decide voltar a trabalhar. A nora, Pru, aparentemente está a insinuar-se a Coelho e este, apesar de saber que deve ignorar, dá por si a não conseguir fazê-lo. Afinal, há que aproveitar a vida ao máximo. E já não lhe resta assim tanto tempo.
 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sapatos perdidos. Ou não.

 
 
;)
 
Retirado Pinterest

Ah pois é!

 

 
Sou do tempo em que a (boa) música nos definia.
 
Felizarda.