sexta-feira, 31 de julho de 2015

Não se encontra o que se procura (Miguel Sousa Tavares)

 
 
Tenho uma história peculiar com este livro.
Nunca tinha lido Miguel Sousa Tavares, e confesso, não tinha qualquer pretensão em fazê-lo.
Essa ausência de pretensão não é digna de motivo. Não tinha lido porque nunca me apeteceu, nunca me chamou a atenção, como tantos outros livros que ainda estão para me chegar às mãos.
A curiosidade deste «Não se encontra o que se procura» reside, precisamente, no título.
Acreditem, ou não, de cada vez que passava numa livraria, numa montra de livros, este rapazinho encontrava-me. E longe estava eu de o procurar.
Aos poucos, e coincidência ou não, já começava eu a ler este livro antes de o comprar. Tinha de o trazer comigo, mais que não fosse pela insistência de se fazer encontrar, sem qualquer procura.
 
Neste livro, Miguel Sousa Tavares dedica-se, através de uma terna partilha, a encontrar as verdadeiras razões que movem um homem (ou uma mulher) a escrever. A escrever realmente. Intensamente.
 
"Escrever é viver intensamente e depois desligar-se intensamente. É um farol que varre o mar, alternando a luz com escuridão, a presença com ausência." (p.13)

Viagens, saudades, família, encontros com amigos verdadeiros, encontros íntimos com livros que ficam para a vida, histórias com política e histórias da sua própria vida, fazem parte dessa jornada em busca de uma resposta aparentemente simples. Escrever, porquê? Para quê? Por alma de quem?
Segundo o autor, estamos perante uma questão complexa e, simultaneamente, simples. Talvez, por essa mesma simplicidade residir na intimidade de cada escritor, de cada um de nós, de cada um que sinta esse dom, de uma história que apela a ser ouvida.
Nesse seguimento, escrever é então, dar aos outros.
Se não consideram uma expressão bonita, vão já procurar o coração à gaveta. Por favor.
É sim, dar aos outros e a nós mesmos, esses resquícios de uma história que nos toca, que apela e pede, genuinamente, para ser contada. Num "porque sim" tão manifestamente humilde, igualmente impossível de se lhe negar.
É que nesse paralelismo de pedidos humildes, habita do outro lado a promessa de liberdade. Abençoados pedidos, esses!
 
Com base numa questão tão limpa e tão ambiciosamente querida, Miguel Sousa Tavares embala o leitor pela curiosidade das suas próprias aventuras, por vezes, caricatas, e por trechos de vida que, forçosamente, o condicionaram.
Há alegrias. Há tristezas. Há momentos. Há a vida a acontecer, todos os dias.
Numa nota exemplar, mas gritante, de importância à simplicidade das coisas, o autor encara a escrita, e a literatura, como uma das mais belas formas de viver.
 
"(...) Porque escreve? (...) Porque houve uma história que veio ter comigo sem que eu a procurasse." (p.252)

Assim como este livro, esta história. Que me encontrou, sem eu procurar.




Boas leituras!

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Como?

 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Lições às 23:08

 
 Retirado Pinterest

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Proibido (António Costa Santos)

 
 
"Proibido", do jornalista António Costa Santos, é um livro centrado no Estado Novo, regime político em nada desconhecido por todos nós, mesmo para aqueles que não o tenham vivido na pele, como é o meu caso.
De apenas proibido no título, este livro é uma obrigatoriedade na estante de qualquer português que ouse recordar uma época tão amarga e que proclama questionamento, como o autor mesmo refere: "Como fomos capazes de sobreviver?".
Através de uma estrutura exemplar, vamos acompanhando uma série de ridículas proibições, muitas delas classicamente conhecidas mas que, no entanto, mesmo conhecendo eu a maioria delas, não deixei de aprender uma série de ampliações dessas mesmas proibições. Por exemplo, na tão conhecida proibição da minissaia ou dos centímetros certos a usar nas saias das meninas e senhoras, desconhecia uma "lei" quanto a combinações de cores, onde preto e vermelho ou preto e laranja eram tidas como provocadoras aos olhos dos homens.
 
 
Imaginem um mundo em que a leitura dos livros era restrita, e vigiada atentamente. Um dos aspetos mais interessantes foi saber da existência de estantes com fundo falso nos pisos inferiores das livrarias: "(...) onde eram guardados, logo à chegada, os livros que o experiente livreiro sabia estarem na mira da ditadura." (p.25)
Muitas vezes a revisão dos livros era feita num "só porque sim" irritante de quem manda.
 
 
Confesso que a presente proibição é a das que, pessoalmente, me agita mais. Pelos reais motivos em que tudo decorre: "(...) Lembra Paulo, no capítulo 11 dessa carta, que, tal como o pão simboliza o corpo de Cristo e o vinho o seu sangue, a cabeça simboliza uma hierarquia estabelecida que desce de Deus para Cristo, de Cristo para o homem e do homem para a mulher. Deus é a cabeça de Cristo; Cristo é a cabeça do homem; e o homem é a cabeça da mulher. Nesta passagem, cabeça significa fonte de autoridade e não de superioridade, apressam-se a explicar os especialista do cristianismo, não se livrando contudo de verem o princípio classificado de machista (e bem! - isto sou eu que digo!)
Segundo a Bíblia, Deus e Cristo são iguais, são um, mas, como homem, Jesus provém de Deus e é nesse sentido que Deus é cabeça de Cristo. Ora, o Génesis afirma que a mulher deriva do homem, mais propriamente de uma costela de Adão. Logo, o homem é a cabeça da mulher.
E Paulo explica que o homem não deve cobrir a cabeça por ser «a imagem e a glória de Deus» e não é apropriado que a glória de Deus se apresente com boné perante Ele. (...)
Pela mesma razão, a mulher deve cobrir os cabelos por ser a «glória do homem». Se na ordem da criação ela é subordinada do homem, esta hierarquia também deve ser reconhecida na igreja e manifestada através do véu que a mulher usa sobre a cabeça." (p.52)
Não. Não vou tecer qualquer comentário além do aqui transcrito. O silêncio, por vezes, é indicador de uma superioridade muito maior do que qualquer palavra. Dita ou escrita. (O meu silêncio está a rir-se)
 
 
Outra clássica. E muito frequente. Sempre de vigia, à espera de uma falha, atentos ao pormenor de uma iminente distração de quem quer viver um pouco. Biquíni de uma peça só. E nada de umbigos à vista!
O autor do livro conta uma história deveras caricata ocorrida naquele tempo: "(...) a história de uma inglesa que, interpelada por um polícia marítimo, no sentido de cobrir a barriga, aos gritos de «just one piece", uma peça, fato-de-banho só de uma peça, nada cá de sutiã e cuecas, terá entendido menos bem o inglês da autoridade e tirou a parte de cima do biquíni. "Se é só uma peça, fico com a de baixo, OK?"
 
 
E por último, uma igualmente clássica mas que não posso deixar de a referir. Tanto pudor, e se eventualmente a paixão entre duas pessoas resvalasse um pouco, terminando num tímido beijo, poderia acabar em prisão: "Levado para a esquadra, ou para o posto da GNR, o delinquente hétero-beijoqueiro era identificado, autuado em pelo menos 57 escudos (...) e passava invariavelmente pela cadeira agente-graduado-em-barbeiro, de onde saía de cabeça rapada, máquina zero." (p.117)
Caso para dizer, beijos que saíam (muito) caro.
 
Entre estes, outros sinais de «proibido» fazem parte deste pequeno e interessante livro, deixando muito para pensar.
Desde a famosa proibição dos isqueiros, às coca-colas e ao simples ato de sacudir o pó à janela, encontramos uma série de pequenas e grandes proibições, muitas delas coladas na mente e nos costumes lusitanos, mesmo quando essas referidas leis não o são realmente.
Mas diz-se que é proibido.
E não se fala mais nisso.
 
Uma leitura que recomendo vivamente.
 
 
Boas leituras!
 
 

sábado, 25 de julho de 2015

A Ponte sobre o Drina (Ivo Andric)

 
 
«A Ponte Sobre o Drina» é um livro escrito por Ivo Andric, vencedor do Prémio Nobel em 1961.
Tenho apenas um desafio pessoal, literário, que gostaria de cumprir este ano: passa por ler seis livros específicos que há muito habitam na minha estante.
Um deles era esta «Ponte Sobre o Drina».
É precisamente essa ponte a personagem emblemática que dá forma a esta obra, também ela emblemática pelas várias histórias que em si mesma encerra: pelas pessoas, pelos costumes, pelas lendas, pelos anos que passam e pela eternidade serena da ponte que tudo retém e nada revela.
O início do livro, em pleno século XVI, dá-nos a conhecer o grande autor que deu ordem à construção da ponte, separado em criança da sua família cristã, tendo sido obrigado a atravessar o rio para a outra margem. Margens essas que delimitavam religiões e costumes...
Guerras. Pestes. Êxodos. Lendas.
São muitas as personagens que o autor nos dá a conhecer num contexto particularmente difícil. Histórias que pela densidade, e pela sensibilidade, se tornam inesquecíveis. Pois muitas eram as coisas que aconteciam perto, por ali, ou mesmo na ponte.
Como a jovem que jamais casaria e rezava a lenda, e a canção, de uma jovem que, pela sua beleza e sabedoria, resplandecia nas alturas do mundo como se fosse imortal.
 
Assim é este livro.
Pela sua densidade, e pela escrita que apela a uma constante curiosidade, vamos conhecendo um cenário rico de pessoas corajosas e lutadoras, num contexto cujo rio Drina e a ponte sobre este não são meros espectadores. São vivos e achados. Para onde quer que se olhe.
 
Boas leituras!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Dizes ou fazes?

domingo, 19 de julho de 2015

Sono Crepuscular (Edith Wharton)

 
Hoje venho falar-vos de um livro de Edith Wharton, autora da conhecida obra "Idade da Inocência", que muito estimo e já tive oportunidade de ler mais do que uma vez.
É o terceiro livro que leio da autora. O segundo foi "Ethan Frome", que muito me agradou mas, correndo o risco de me tornar óbvia, não ultrapassa a escala de deslumbramento da "Idade da Inocência". Um livro inesquecível.
"Sono Crepuscular" designa um estado de semiconsciência produzido pela administração de uma combinação injetável de duas drogas alcaloides, a escopolamina (com efeitos amnésicos) e a morfina, usada desde o início do século XX, e até à década de 60, para aliviar as dores do parto. Esta técnica, para além de pôr as parturientes nesse estado de «sono crepuscular», causava uma amnésia que as levava a «esquecer» o parto. Nas primeiras décadas do século, sufragistas e líderes dos direitos das mulheres empenharam-se na defesa do twilight sleep, que substituíra o clorofórmio (abandonado pela sua toxicidade). Este processo viria a ser combatido por anular completamente a experiência do parto e também por causa dos efeitos secundários (delírio, alucinações, depressão pós-parto). (N. do T.)
As personagens deste livro parecem, todas elas, viver num estado constante de sono crepuscular. Com o cenário da cidade de Nova Iorque e a constante agitação dos dias, a história desenrola-se na ansiedade das horas e na exatidão dos minutos, contados meticulosamente, como água, ritmados, para nada se perder.
Quase de forma estonteante, assiste-se a uma vitimização dos tempos modernos, em que o tempo veloz mostra tudo menos a verdade, ou melhor, a velocidade é tal, o frenesim é tanto, que as emoções tendem a encolher - para o seu próprio bem -  e a adormecer, para esquecer. Para não magoar.
Até porque longe da vista, longe do coração.
Com um enredo centrado, sobretudo, na importância das aparências e na doce Nona que sonha para si um sonho desproporcional à imagem dos seus, este livro, escrito em 1927, mantém-se atual como nunca.
Segredos, sofrimentos escondidos,  vontades distorcidas, sentimentos inadequados mas irresistíveis, procuras insanas de ajuda, são alguns dos temas com os quais o leitor se irá deparar sem nunca abandonar uma certeza: a vontade de amar, e ser amado, em cada uma destas personagens é tão avassaladora como a vontade de esquecer, adormecendo pulsões e avivando prioridades, em nada plausíveis.

Que se mantenham os sorrisos.
Para uma boa fotografia.
 
 
Boas leituras!

sábado, 18 de julho de 2015

Vida de Gato

Hoje partilho convosco um artigo que li há uns dias  e que achei muito bom.
Considerem a leitura, que vale a pena!
 
 
Da Psicóloga Clínica Mariana de Oliveira
Psicóloga/Psicodramatista Clínica e Sócio/Educacional | Brasil
Membro Fundadora do SEJA – Núcleo de Psicoterapia e Psicodrama
Formação em Terapia EMDR
 
 
Para mim já chega com essa discriminação contra os gatos. Não, não é só pela minha paixão pelos bichanos, mas é que se formos analisar de perto essa história do melhor amigo do homem ser o cachorro, veremos o quanto de egoísmo há nessa afirmação.

Em primeiro lugar, em argumento e obviedade, é uma discriminação contra todos os outros bichinhos que se submetem (por livre e espontânea vontade, ou não) a receberem os carinhos de seus donos e que também possuem qualidades. Fazendo o paralelo que desejo, o que seria do verde se não fosse o amarelo? Ou melhor, cada animal (incluso homem) possui um adjetivo e é essa diversidade que nos abre um leque de opções.
Mas o ponto que pretendo chegar, o alvo que me atraiu às palavras vai muito além. Vai ao extremo do que essa frase pode significar numa sociedade como a nossa. Irei começar mais longe, mirando, até alcançar o que quero. O que venho constatando cotidianamente é uma falta de um certo egoísmo “saudável”. Seria, por melhor dizer, uma preocupação com a pessoa em si, com seus gostos reais, com suas vontades reais, com seus reais interesses que muitas vezes são deixados de lado para haver um ganho secundário, questionável quanto à sua verdadeira valia: o olhar do outro. Claro que cabe ressalvas ao que digo. É importante sim, às vezes, agirmos para agradar o outro, principalmente se o outro for alguém de quem gostamos. O ponto aqui é para quando se perde a noção do limite e a entrega deixa de ser uma doação para uma obrigação, e aí o chamado “outro” aproveita-se e escraviza pelo apelo ao sentimento. Claro existem também, e muitos, a contraponto dos que vou chamar de cachorros (logo entenderão) que não são egoístas, muito menos saudáveis: são os individualistas. Estes são os que se aproveitam dos cachorros e devem ser estes aqueles os primeiros a rotularem os gatos de individualistas e oportunistas. Esta é a parte em que deflagro a minha defesa dos gatinhos. O gatos incomodam muito. Eles jogam na cara de muita gente o que seria uma vida coerente aos próprios propósitos e ao mundo. Chegam como querem, quando querem e se assim o fazem, trazem consigo todo o afeto. Quando insatisfeito, vão embora. Quer brincar? Brinca. Se não quer, brinca sozinho. Me ofereceu comida, -oba!- não ofereceu, vai procurar. Não passa fome jamais! É difícil lidar com um gato! É difícil lidar com a independência do outro. Assim nos amarramos pelo afeto vida afora. E assim que o cachorro se torna o melhor amigo, aquele que ama incondicionalmente: você bate nele e ele volta abanando o rabo, deixa ele sem comer e ele te agradece quando recebe, fica feliz ao te ver e esquece a tristeza de dias de distanciamento.
Para mim, seria preciso que cada um criasse um gato quando criança. Precisamos aprender com eles a saber lidar e respeitar a distância sem se manter inerte e sem achar que é desapego, saber ficar alegre com a volta do outro e bem como encher de alegria, se fazer presente com a volta, saber dar carinho na medida certa, se respeitar, não se deixar invadir pela expectativa do outro. O gato nos joga na cara tudo que na verdade gostaríamos de ser. Afinal, com todas as qualidades, por que será que ninguém quer ter uma “vida de cão”?

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O que guardas na alma?

 
 
 
Imagem retirada Pinterest

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Lots of love!

domingo, 12 de julho de 2015

Biografia involuntária dos amantes (João Tordo)



«Biografia involuntária dos amantes» é o primeiro livro que leio de João Tordo.
Com muita Psicologia subentendida, este é um livro de uma enorme sensibilidade, ideal para pessoas nostálgicas sem moderação. Ideal para qualquer um, portanto.
A nostalgia está para as ânsias do ser humano, como a elevada percentagem de água na sua constituição. Há uma necessidade quente de voltar atrás, de voltar aos lugares onde, porventura, se sonharam felicidades.
Que seja a necessidade de uma resposta. Necessidade, sobretudo, de resposta à velha pergunta de um porquê sem sentido, esse de não nos amarem quando nós amamos tanto.
Há que ir ao fundo dos baús velhos e descobrir os segredos que por lá se escondem, em que descobrir assume-se como tarefa do dia. E que fosse um dia. Mas esse dia transforma-se na vida inteira, em detrimento de felicidades passageiras num passado muito passado, já. Velho e cansado.

O título do livro não podia ser melhor escolhido.

A história desenrola-se a partir de uma amizade improvável, como todas aquelas que estão destinadas a vingar. Improváveis. Aparentemente sem sentido.
É a história de um professor universitário que, de um momento para o outro, patina entre a sua própria vida há muito desarrumada, para tombar na vida de Saldaña Paris, homem misterioso, nostálgico, com segredos que não diz.

Há quem diga que o amor pode matar. E que podemos morrer dele. Doença enganadora que ataca, sem diagnóstico, diretamente na alma. Sem possibilidade de encontrar qualquer gatilho. E assim foi com Saldaña Paris.

Ao longo das 400 páginas desta belíssima história, o leitor intromete-se numa amizade profunda que, de forma inexplicável, empurra o narrador a encontrar respostas necessárias à paz do amigo moribundo e cansado de não compreender os porquês que o atormentam. Os terrores de uma vida que podia ter sido, e não foi,  à lei da incompreensão dos dias, dos atos pouco claros de Teresa.

É que o amor é carta bem fechada. Se partimos nós para o outro, completamente despedaçados na procura de redenção, estará o outro em semelhante posição?
Teresa estava pior. Amarrada a um passado velho e cansado, mas mais vivo que o presente. Mais vivo do que ela.


Um livro belíssimo, este, o de João Tordo.
Um reflexo sensível sobre a amizade, sobre o amor mas, particularmente, sobre essa semente que germina em cada um sobre o que foi e o que será. Sobre o presente, sobre o futuro e esse peso feito de passado, a contaminar, a estragar, a ferir. A condicionar.

Que se minta, então.
Por compaixão.
Por amor.
Por partilha de dor.

Por qualquer coisa, que permita enxergar outra vez.


Se recomendo? Absolutamente.
 
Boas leituras.
 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Gente agarrada



"...Só posso falar do que vejo, e o que tenho visto é gente agarrada ao passado como se o melhor momento das suas vidas já tivesse acontecido e tudo o que aí vem fosse um tolerável aborrecimento. Por favor, não deixes que isso te aconteça." (p.76)


In Biografia involuntária dos amantes | João Tordo
 


terça-feira, 7 de julho de 2015

Dora Bruder (Patrick Modiano)

 
São tantos os livros de Modiano na estante que já me sentia inquieta de ainda só ter lido um.
Em «Dora Bruder» sentimo-nos uns verdadeiros mirones. Onde está Dora?
É através desta questão que o leitor seguirá o curioso narrador que, inesperadamente, segue o trilho ausente da jovem rebelde numa altura triste e sofredora, marcada pela Ocupação em Paris.
Através de um relato comovente, numa procura quase ternurenta, é possível descobrir muitas agruras de um tempo cuja História não tem precedentes.
Mais do que esse relato, o livro de Patrick Modiano evidencia uma das caraterísticas mais notáveis do autor: uma espécie de hino contra o esquecimento, um invocar de memórias importantes como forma de fazer permanecer.
É que viver depois de morrer é possível.
É possível pela força abismal da memória dos que ficam, e nela se permanece. Para sempre. Se isso não é estar vivo, é o quê?

 
Pela abordagem histórica, mas sobretudo por essa redentora assinatura contra o esquecimento, este livro é mais do que recomendado.

 
Boas leituras!
 

domingo, 5 de julho de 2015

O Jantar (Herman Kosh)



«O Jantar» escrito por Herman Koch é um livro sobre a podridão humana. De tão hilariante e direto na forma como aborda a fragilidade de cada um, chega a ser chocante.
Por vezes, ser pai e ser mãe, assume de tal forma o pilar substancial da vida, que estes seres tão paternais esquecem na gaveta o bom senso e a razoabilidade das coisas.
 
Um livro absolutamente viciante, que não vai querer largar. Asseguro.
 
Tudo começa com um jantar entre dois irmãos e respetivas esposas. Ao longo deste, vamos descobrindo os segredos de uma peculiar família.
Há um segredo, perturbador, que tem e deve ser discutido em família. Naquele jantar, com aquele propósito, há decisões que têm de ser tomadas.
 
Seguimos, assim, e de muito perto, as ânsias de cada personagem sobre o tal segredo que pode destruir dois lares, para todo o sempre.
 
A responsabilidade de tamanho feito assenta, precisamente, nos seus filhos adolescentes. A monstruosidade dos atos destes pequenos rebeldes será descoberta rapidamente, antes ainda do prato principal, e o leitor, faminto por mais, perderá o apetite com o desenvolvimento rápido e atroz das ações desesperadas que só um pai, e uma mãe, são capazes.
 
Não deixem de ler este livro.
Mais do que uma mera história sobre pais e filhos, este livro é um sublinhado a negrito da atualidade em termos de parentalidade.
Até onde vai para defender a sua prol?
Até onde decide ir, - ou não ir - deixando para trás questões como a moralidade, os valores e princípios a transmitir aos mais novos?
Até onde um pai sente que deve recompensar um filho pelas suas próprias fraquezas?
 
Estas são as muitas questões que surgem e reclamam reflexão profunda depois deste «jantar» tão ... indigesto.
 
 
 
Boas leituras!
 

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mystical land

 
Retirado Pinterest