Dora Bruder (Patrick Modiano)

terça-feira, 7 de julho de 2015

 
São tantos os livros de Modiano na estante que já me sentia inquieta de ainda só ter lido um.
Em «Dora Bruder» sentimo-nos uns verdadeiros mirones. Onde está Dora?
É através desta questão que o leitor seguirá o curioso narrador que, inesperadamente, segue o trilho ausente da jovem rebelde numa altura triste e sofredora, marcada pela Ocupação em Paris.
Através de um relato comovente, numa procura quase ternurenta, é possível descobrir muitas agruras de um tempo cuja História não tem precedentes.
Mais do que esse relato, o livro de Patrick Modiano evidencia uma das caraterísticas mais notáveis do autor: uma espécie de hino contra o esquecimento, um invocar de memórias importantes como forma de fazer permanecer.
É que viver depois de morrer é possível.
É possível pela força abismal da memória dos que ficam, e nela se permanece. Para sempre. Se isso não é estar vivo, é o quê?

 
Pela abordagem histórica, mas sobretudo por essa redentora assinatura contra o esquecimento, este livro é mais do que recomendado.

 
Boas leituras!
 

O Jantar (Herman Kosh)

domingo, 5 de julho de 2015



«O Jantar» escrito por Herman Koch é um livro sobre a podridão humana. De tão hilariante e direto na forma como aborda a fragilidade de cada um, chega a ser chocante.
Por vezes, ser pai e ser mãe, assume de tal forma o pilar substancial da vida, que estes seres tão paternais esquecem na gaveta o bom senso e a razoabilidade das coisas.
 
Um livro absolutamente viciante, que não vai querer largar. Asseguro.
 
Tudo começa com um jantar entre dois irmãos e respetivas esposas. Ao longo deste, vamos descobrindo os segredos de uma peculiar família.
Há um segredo, perturbador, que tem e deve ser discutido em família. Naquele jantar, com aquele propósito, há decisões que têm de ser tomadas.
 
Seguimos, assim, e de muito perto, as ânsias de cada personagem sobre o tal segredo que pode destruir dois lares, para todo o sempre.
 
A responsabilidade de tamanho feito assenta, precisamente, nos seus filhos adolescentes. A monstruosidade dos atos destes pequenos rebeldes será descoberta rapidamente, antes ainda do prato principal, e o leitor, faminto por mais, perderá o apetite com o desenvolvimento rápido e atroz das ações desesperadas que só um pai, e uma mãe, são capazes.
 
Não deixem de ler este livro.
Mais do que uma mera história sobre pais e filhos, este livro é um sublinhado a negrito da atualidade em termos de parentalidade.
Até onde vai para defender a sua prol?
Até onde decide ir, - ou não ir - deixando para trás questões como a moralidade, os valores e princípios a transmitir aos mais novos?
Até onde um pai sente que deve recompensar um filho pelas suas próprias fraquezas?
 
Estas são as muitas questões que surgem e reclamam reflexão profunda depois deste «jantar» tão ... indigesto.
 
 
 
Boas leituras!
 

Mystical land

quarta-feira, 1 de julho de 2015

 
Retirado Pinterest

CopyRight © | Theme Designed By Hello Manhattan