São tantos os livros de Modiano na estante que já me sentia inquieta de ainda só ter lido um.
Em «Dora Bruder» sentimo-nos uns verdadeiros mirones. Onde está Dora?
É através desta
questão que o leitor seguirá o curioso narrador que, inesperadamente, segue o
trilho ausente da jovem rebelde numa altura triste e sofredora, marcada pela
Ocupação em Paris.
Através de um
relato comovente, numa procura quase ternurenta, é possível descobrir muitas
agruras de um tempo cuja História não tem precedentes.
Mais do que
esse relato, o livro de Patrick Modiano evidencia uma das caraterísticas mais
notáveis do autor: uma espécie de hino contra o esquecimento, um invocar de
memórias importantes como forma de fazer permanecer.
É que viver
depois de morrer é possível.
É possível pela
força abismal da memória dos que ficam, e nela se permanece. Para sempre. Se
isso não é estar vivo, é o quê?
Pela abordagem
histórica, mas sobretudo por essa redentora assinatura contra o esquecimento,
este livro é mais do que recomendado.
Boas leituras!



