«O Sul seguido de Bene» de Adelaida García Morales, lançado em Portugal pela Relógio d'Água Editores, reúne duas pequenas novelas, «O Sul» e «Bene».
Em ambas as novelas a ausência de um alguém prevalece. Sabemos de antemão como a ausência se sente no peso de uma saudade vitalícia, palpável, que faz adoecer.
Na primeira novela, «O Sul», a ausência de um pai e, do outro lado, a filha que, pelo silêncio dos seus gestos aflitos, lhe roga presença, apoio, validação.
Esta novela é tão linda. A simplicidade da escrita conta-nos como só o amor deve ser. Simples, tão genuíno que se transforma numa dor calma, resignada de quem sabe amar tudo, independentemente do (quase) nada que lhe destinam.
Deixem-me repetir o quanto esta novela é belíssima, por tudo. A ausência do pai, a filha que aprenderá a reconsiderar cada gesto ao lado de um homem, que com segredos no nome, acabou por lhe ensinar a amar da maneira mais bonita.
Essa maneira de amar é, sem sombra de qualquer dúvida, nada esperar em troca.
Em «Bene», no mesmo registo de ausências bem demarcadas, vive-se uma atmosfera quase fantástica sobre uma mulher, uma menina e o seu irmão, Santiago.
Desde o medo atroz em perder os lugares conquistados, de irmã capaz e bondosa, aos amores doentios e desajustados, esta novela de Morales assume um caminho diferente, inesperado, a merecer a atenção pelo confronto com a morte, com a dor, com a incapacidade de se saber lidar com o que não poderemos ter, jamais.
Sobre «O Sul» Ángel Fernández-Santos disse: "O Sul é uma das narrativas de amor mais originais na sua poderosa simplicidade".
Faça um favor a si mesmo e não deixe de o ler.
Muito grata à Relógio d'Água Editores por um livro que se tornou vitalício.
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