[Ainda sobre a] Humidade

quinta-feira, 21 de setembro de 2017


O conto que dá título ao livro do brasileiro Reinaldo Moraes continua a dar-me que pensar. Esse em particular. Um Liminha que se apaixona perdidamente por uma Mariana. Porque ela é linda de mais. É encanto. É samba em dias de Inverno. É luz que lhe escurece as entranhas. É a esperança da carne. É um tudo e um nada. Um olhar distraído que lhe compra a atenção toda.

Este conto pergunta-me qual será então a verdadeira motivação de um amor que já nasceu - aparentemente - mas sem se materializar em si mesmo. Como pode? Afinal que gatilho ativa esse estado que todos invejam, que todos temem, que todos querem como animais desemparelhados?

Qual será a verdadeira essência? São os olhos? São as ancas? São as promessas de um fogo que desperta lá por baixo, sobe e inflama tudo o resto? O que é Liminha? Que tinha a Mariana para dar cabo de ti até ao fim?
 
Muito bom.
Para ler. Para reler. Para divagar.
 


A (Dis)funcionalidade do Amor

domingo, 17 de setembro de 2017


Amar é sofrer. Para evitares sofrer, não deves amar. Mas, dessa forma vais sofrer por não amar. Então, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar, ser feliz, então, é sofrer, mas sofrer torna-nos infelizes, então, para ser infeliz temos que amar, ou amar para sofrer, ou sofrer de demasiada felicidade - espero que estejas a perceber.
 
Woody Allen



As nossas almas na noite (Kent Haruf)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Tudo começa quando Addie, de setenta anos e viúva, se cansa de passar as noites sozinha.
As noites custam a passar e o vizinho Louis, também ele sozinho, parece ser a companhia certa. Num compromisso vago, numa espécie de logo se vê,  aceita a sua proposta: "(...) passar a noite. E conversar."
 
Das noites surge uma ligação muito especial. A partilha de uma cama de conversas durante a noite ditará uma proximidade de quem aos poucos se liga pelas parecenças da solidão. Essa ligação é amizade que cresce, amor que solidifica e saudade que transforma.
 
Com o passar das semanas, as noites parecem já não bastar. Então, sem medos, assumem essa amizade capaz de vencer mexericos e atritos de vizinhos, também eles, ansiosos e expectantes de sorte parecida.

O livro de Kent Haruf é uma lufada de esperança e a certeza de que o amor é descarado, num sentido de humor muito próprio e cujos caminhos serão sempre como Deus: misteriosos.

Mais do que uma história de amor, este livro obriga-nos a refletir sobre as fragilidades da terceira idade, a perda e o luto, as condutas politicamente corretas, seja lá o que isso signifique, e o poder da família em estreita batalha com as vontades próprias.

Estará uma pessoa mais velha condenada às convenções dos mais novos? Estará a pessoa mais velha incapaz de amar e viver como quiser porque a vergonha perante os outros tem de imperar?
Acredite quando lhe digo que Kent Haruf o obrigará a refletir profundamente sobre estas questões, sobre o poder do amor, da solidão e das segundas oportunidades para quem não sabe, nem quer, desistir de viver.


Recomendo com ambas as mãos e mais houvessem.
Boas leituras.


 
Um leitura:

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