Little Things

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

As melhores. As mais importantes. As que rimam com tudo.
 
Seja feliz,

Os três seios de Novélia (Manuel da Silva Ramos)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019


Ler este livro é atirar-se ao ar sem questionar. É um desprendimento do convencional, do politicamente correto, de linhas certas e orientadoras que nos mostrem uma história direita, do princípio ao fim.
 
Há uma mulher. Há um homem. Há uma Lisboa e uma rua específica que, também numa hora específica, juntam o destino daqueles dois. Passam por ali, sem questionar, na mesma hora, todos os dias, todas as tardes.
 
Quem é Novélia? E o homem que nos escreve? Parece comprar-nos certezas de uma realidade só dele. Também o autor, como aquele escritor, deambula pelas ruas lisboetas à procura dos recantos de uma única mulher. A que se lhe escreve as folhas de um livro já destinado.
 
Com «Os três seios de Novélia» o autor Manuel da Silva Ramos ganhou o Prémio de Novelística Almeida Garrett de 1968. É a primeira obra que leio do autor e arrebatamento pela beleza da sua escrita foi carimbo vitalício.
 
Nesta história sem arnês, o leitor é conduzido por frases magistrais, que nos ficam para sempre na memória, a serem relembradas naqueles momentos cruciais em que a vida nos desafia para lá do esperado.



Boas leituras.


Seja feliz,

A Luz da Guerra (Michael Ondaatje)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019


«A Luz da Guerra», de Michael Ondaatje, foi o primeiro livro que li em 2019. Mais do que um livro sobre a guerra, esta é uma história sobre abandono e a memória que perdura, de quem não esquece o peso de se sentir perdido, sem respostas, sem rumo.
 
O livro de Michael Ondaatje concentra-se na Inglaterra pós-guerra através do diálogo intimista do personagem principal: Nathaniel, agora, com 28 anos.
 
Ao longo de toda a história conheceremos os seus lamentos e a procura de uma resposta que justifique o abandono dos pais e a distância que se foi cravando entre ele e a irmã, Rachel. Num dia como qualquer outro, o pai e mãe decidem ser um bom momento para uma conversa em família. Uma conversa que lhes dita o fim da família como então vivida para, agora, ficarem a cargo de duas pessoas peculiares que podiam, muito bem, ser criminosos. O Traça. O Flecheiro. Nomes que são segredos mascarados.
 
Estão lançadas as linhas que construíram uma sublime história. Através das suas memórias de infância, segredos nunca entendidos, pequenos sinais perdidos entre livros, bagagens perdidas e mapas que indicam lugares antigos, procurará cruzar essas linhas, formar um todo, um mapa consistente de uma mãe que não sabia ser "mãe como as outras."
 
"Os geniais são quase sempre destrutivos."

«A Luz da Guerra» é um livro que traz consigo, pelo menos, dois polos de reflexão urgentes: a crueldade, tantas vezes sentida, de quem tenta encarar a infância - esse lugar imaginado - e nessa sequência, os bravos que decidem reencontrar-se num emaranhado de fios sem fim à vista. Ainda assim, tentam, tentam e tentam.


 
Com o apoio:
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Seja feliz,


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