Chamar as coisas pelos nomes (Vânia Beliz)

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Com o presente livro, Vânia Beliz, psicóloga clínica e da saúde, ajuda-nos a chamar as coisas pelos nomes. Este é um livro sobre a sexualidade, defendendo uma abordagem longe dos conhecidos tabus e preconceitos. A autora propõe um esclarecimento global sobre cada fase do desenvolvimento da criança, do adolescente e do jovem, incidindo em estratégias essenciais e promotoras de uma vida mais esclarecida e, consequentemente, mais feliz.

O leitor terá a oportunidade de obter um conhecimento aprofundado sobre as particularidades de cada uma das fases de desenvolvimento e os comportamentos esperados que vão de encontro à vivência plena da sexualidade.
A autora enfatiza, por meio de uma escrita acessível e elucidativa, a necessidade de educar para a sexualidade. Começa tudo na infância e, ao contrário do que a maioria dos pais possam pensar, a hora de se falar na sexualidade não existe. Porque a sexualidade faz parte de nós desde o nascimento e esperar, pacientemente, pela adolescência - tida como a fase em que a sexualidade emerge -, será um erro com consequências voltadas para uma vida adulta pouco esclarecida, repleta de dúvidas que, à custa dos tabus e dos diz que não diz, assim permanecerá.
Através das diferentes etapas do desenvolvimento, a autora oferece um conjunto de estratégias específicas na gestão das emoções e na promoção de uma sexualidade informada. Temas relacionados com a erotização precoce, a estimulação genital e a descoberta de si mesmo, encabeçam algumas das áreas a considerar na fase da infância.
A chegada da puberdade é igualmente motivo para a preocupação dos pais. O sistema endócrino a cogitar com um corpo e um coração tão desarrumados, leva a autora a apontar uma série de comportamentos esperados nesta fase, bem como o sublinhado para temas de maior preocupação aos pais, tais como, as amizades, a autoestima, a internet e a pornografia.
São vários os temas desenvolvidos pela autora, todos eles da máxima relevância. A importância da primeira vez, a gravidez na adolescência e a violência do namoro, integram alguns dos temas de ordem quando a adolescência, enfim, se faz chegada.
Ao longo do livro «Chamar as coisas pelos nomes», a autora Vânia Beliz ajuda os leitores a encarar a sexualidade com a naturalidade que a deveria definir.

Rubrica «Livros com Psicologia» #2



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Se esta rua falasse (James Baldwin)

sexta-feira, 14 de setembro de 2018


Há um coração vivo dentro deste livro. Pulsa agitado no ritmo desenfreado da injustiça. «Se esta rua falasse» é um livro vivo, que dentro guarda uma história mil vezes repetida e nunca repetida o suficiente. Porque histórias de amor repetem-se sem nunca se repetirem. Dizem que são únicas.
«Se esta rua falasse», de James Baldwin, não só marca a obra do autor editada pela primeira vez no nosso país (para mais informações, clique aqui), como também nos traz uma das mais bonitas histórias de amor. Uma história de amor que, dentro dela, marca um tempo, impõe uma vontade: a vontade de Baldwin em reclamar a injustiça na relação entre as raças, numa América incapaz de a reverter.
James Baldwin nasceu em 1924 em Nova Iorque. Morreu aos 63 anos, vítima de cancro no estômago. Viria a ser conhecido como um dos autores americanos mais marcantes do século XX, sobretudo, como uma das vozes mais influentes do movimento dos direitos civis. Acreditava na responsabilidade de todos na promoção da diferença, na capacidade de alertar para a injustiça, para a leviandade na gestão das relações humanas. Seria assim um problema de todos.
Nesta história conheceremos o amor de Tish e de Fonny, na cidade de Nova Iorque. Um amor que brotara ainda na infância. Já adultos, decidem criar a sua própria família.
"É um milagre perceber que alguém te ama."

Apoiados pela família, este jovem casal aluga um pequeno espaço na esperança de virem a construir o seu sonho americano. Um sonho que lhes parecia simples de alcançar, na mesma medida da sua humildade e consciência. Um dia, porém, tudo muda. Fonny é acusado injustamente de violação. É preso. Tish descobre que está grávida.

É este o cenário de uma história em que a injustiça impera, em que a necessidade de correr contra o tempo é maior do que a própria vida. A vida de toda uma família que é empurrada por caprichos sociais, por uma diferenciação que se sente e capaz de ser cortada à faca. Um empurrão forçado a que se faça justiça num mundo repleto de entraves.

 "Não acredito que exista um homem branco neste país que seja capaz de se excitar, de ficar com a pila dura, se não ouvir um preto a gemer."
Com «Se esta rua falasse», James Baldwin prioriza aquela que sempre foi a sua temática de ordem: a da injustiça social, a alienação social, a tendência ao rótulo, a relação triste entre raças quando, no fundo, ser pessoa deveria bastar.
Através de um não gritante que afasta a suposta relevância da raça, do género ou da orientação sexual, o autor oferece-nos, através de uma inesquecível história de amor, um relato consciente e cruel sobre a diferença num país em que o alvo parece ser sempre o mesmo.

O lugar do amor e do riso

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

 
"Acho que deve ser raro duas pessoas conseguirem rir e fazer amor ao mesmo tempo, fazer amor porque riem, rirem porque estão a fazer amor. O amor e o riso vêm do mesmo lugar: mas poucas pessoas lá chegam."

James Baldwin in "Se esta rua falasse"
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