segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pobby and Dingan (Ben Rice)

Os amigos podem ser de vidro. Partem-se todos os dias. Mas na minha cabeça, os amigos, o meu Pobby e Dingan, têm brilhantes no umbigo, têm borbulhas que desaparecem na hora do baile de finalistas, e sabem todas as minhas canções preferidas.
Os meus amigos voam pelas linhas do telefone e limpam-me as lágrimas. Também me deixam copiar nos testes, mesmo quando ando a apalpar o rabo do Rui, em vez de apalpar os livros.
Correm comigo e mentem comigo. À velocidade da luz. Quais gémeos! Nascemos no dia em que nos sentámos na mesma carteira.
Os meus amigos roubam CD e sapatilhas nas barbas de quem for. Porque são os meus amigos.
Agarram-me quando caio da janela. Agarram-me quando estou quase a cair na rasteira dos pais. Agarram-me porque sim.
Os meus amigos têm brilhantes nos umbigos. Fazem-me voar para lá daquilo que os outros dizem, e sabe bem!
Vamos correr para a mina.
Podemos morrer lá. Ficaremos juntos para sempre.

A ti, Joana.
Um eterno abraço à adolescência que vivemos.

Ao som de: Nirvana “Smells Like Teen Spirit”

A amizade é um paradoxo doce.

1 comentário:

chuva disse...

Para se fazer um amigo, leva-se quase uma vida inteira. É preciso terem sido pobres juntos e, às vezes, felizes.
(L. Crescenzo)