quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O Segredo do Bosque Velho (Dino Buzzati)

O vento é forte e a malícia dos homens continua tão gelada como a neve que se instala nas nossas árvores.
Caminho, sozinha, pelo bosque que sempre senti ser meu. A magia criada não é explicada senão pelo sentir do coração.
Hoje, que não estás, compreendo afinal que essa magia estava também no brilho dos teus olhos, nos passos que corriam velozes ao meu lado, na sintonia dos pensamentos e no silêncio das palavras certas.
Descobri o segredo.
Tarde demais?


Ao som de: We Cry (The Script)

JC

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A Trégua (Mario Benedetti)

Acreditamos na existência de uma corda.
Há uma corda onde nos prendemos, como as molas prendem as roupas molhadas.
Há cordas, nos nossos pensamentos. Há linhas, directrizes certas, que devemos seguir. Há aniversários contados pelos dedos, para não perder a conta, há um fio condutor que nos levará ao ócio, desejado ócio de fim de idade.
Andamos perdidos nessa corda que nos vai conduzindo, acreditando na força dos dias e na fé de que é assim porque Deus quer. Mais um dia, mais uma semana, mais um mês rasgado do calendário.
O espelho vai denunciando rugas que os dias desenham à pressa, vamos caminhando agarrados nessa corda, agora mais pesados, não só pelas rugas, mas parece-nos que a ampla visão de outrora, começa a mingar...como a Lua.
Os nossos pensamentos são feitos da mais pura Matemática. São somas de dias e subtracções de felicidades, recordações, sonhos agora inatingíveis.
A surpresa faz-nos estremecer quando a Matemática explode em números impossíveis, a corda se desfaz num momento totalmente inesperado e afinal, ficamos presos aos dias que seriam, pela suposta ordem, de outro alguém. Um outro alguém que ainda agora agarrara a sua corda.
A vida é sempre uma surpresa, nem sempre doce. A surpresa reside no facto de esquecermos sempre esse pequeno pormenor...



Sobre o livro: Este é um livro centrado num homem viúvo quase a alcançar a idade da reforma. Centrado na sua vida pacata, e na sua relação pouco próxima com os seus três filhos, deseja o ócio da reforma. Contudo, a chegada de uma jovem estagiária ao escritório fará suscitar uma série de sentimentos, crenças e projecções até então perdidas na gaveta do tempo. Um bom livro. Recomendo.

Dedicado aos que temem sonhar. Sonhem muito. Façam algo, agora.

Ao som de: Maybe Tomorrow (Stereophonics)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Jane Eyre (Charlotte Brontë)

Querer. Conjugação de tantas coisas, com sabor a açuçar e vento suave que se intromete pelos cabelos, num dia calmo, sereno.
Querer. Mais do que realmente caminhar em direcção a essa doce conjugação, que se assemelha tão simples,... oh é saber renunciar ao coração!
Nem sempre querer é só, e só, querer.
Nem sempre amar é só amar. Nem só querer é só a conjugação do verbo caminhar e abraçá-lo num dia de chuva. A tormenta desses movimentos poderá levar-me, mais tarde, a recear o meu querer, a envergonhar-me dele, a não poder querer.
Deus acredita na existência de determinadas Leis, e a sabedoria do Homem está em não as renunciar exactamente no momento em que o coração mais deseja fazê-lo. Acredito que a essência de amar é esta.
Amar é querer. Querer é amar.
E amar é dar e guardar.
Amar-te implicou guardar o meu querer.
Oh Edward, diga-me meu amor, como não é leve sentir o meu amor neste dia de chuva e cegueira, onde os caminhos são livres de tormentas e onde os segredos se dissipam para lá do vento, agora tão doce como a minha própria voz?

Jane

Dedicado ao AMOR

Ao som de: My Edward And I (Jane Eyre Soundtrack)