sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Amor, Açucar e Canela (Amy Bratley)


Ultimamente tenho dedicado o meu pouco tempo à leitura de livros light e a experiência, apesar de menos enriquecedora, não tem sido má de todo.
Em “Amor, Açúcar e Canela” encontramos os velhos ingredientes que fazem uma história de amor tornar-se apenas mais uma. E só mais uma. Mas na verdade, todas as histórias de amor são apenas e só, uma.
Juliet começa a sua jornada com o sonho de ter para si um lar. Um doce lar. Começa a vivê-lo ao lado do namorado que, por sua vez, vive nas sombras da saudade de uma outra mulher, amiga de Juliet. Assim, no primeiro dia em que vai viver para o apartamento dos seus sonhos com o, supostamente, homem escolhido, acaba por descobrir uma traição.
Aqui começa a derradeira descoberta de si mesma. O livro torna-se interessante porque em tudo depende sempre a interpretação que fazemos. Dos livros. Da vida. Das situações com que nos vamos deparando diariamente. E através desta leitura tão leve que me entreteve durante uma tarde de Domingo, conseguimos perceber o quanto planear muito pode sair caro para o nosso lado.
Juliet assumiu uma vida certa ao lado do então companheiro. Assumiu a criação certa de um lar. Doce. E enterrou as certezas de tudo isso no mesmo dia em que passou a barreira da porta.
O livro da avô, um guia sobre como tornar o lar um lugar mais feliz, um guia como ajudar a mulher a tornar-se especialista em cuidar do marido e da casa, acaba por – e de forma subtil – tornar-se num refúgio onde Juliet se começa a dedicar ao fabrico de aventais. Do pouco, ao muito, a arte e o gosto começam a cruzar-se, bem como a sensação de estar realmente a criar algo seu. A sensação de que os alicerces para poder tornar a sua felicidade possível surge de algo verdadeiramente seu, que vem de dentro e não única e exclusivamente a partir do reflexo de outra pessoa.
Penso que o cerne da grande percentagem de relações mal sucedidas reside precisamente no objetivo que cada um tem quando mergulha nesses mares. É pelo facto de projetarem a felicidade no outro e dependerem dela que o fracasso sucede. O amor para se prender, tem de ser paradoxalmente, muito livre.
Este pequeno livro mostra assim a surpresa dos dias certos transformados na incerteza. O receio de um começar de novo. A necessidade de erguer a cabeça. A urgência de um recomeçar.
Sobretudo, a necessidade de procurar em si mesmo as respostas certas e permitir-se dar pequenos passos ao sabor dos dias, sem pressa. Sem planos.
 
Boas leituras! :)
 
 
 
 
Ao som de: Lucia “Hide (Like Stars)”

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