domingo, 21 de abril de 2013

O Mundo dos Ricos (F. Scott Fitzgerald)


O amor é muito mais forte quando desaparece. Pode parecer surreal, pouco real, nada leal, mas é verdade. A necessidade de cuidar, proteger, manter esse amor que se ergue diariamente perante nós, desaparece pela força dos dias que afirma uma rotina emparelhada com a certeza de quem ficará para sempre.
Nesse embalar de certezas, vão-se os afectos e as suas demonstrações. Fica-se pela rotina emparelhada com a certeza de quem ficará para sempre. Uma gaveta com os segredos roubados pela intimidade, e o pó acumalado pelos dias partilhados.
Porém, um dia diferente, e alguém decide que a rotina deixa de se emparelhar com a infinidade de dias seguidos, e vai embora. Aí tudo muda.
O amor arrumado e passado a ferro ganha uma nova vida, ausente, e por isso, muito mais vivo. Revelador. Novo. Detentor de vontades ausentes. Desejoso de mostrar o que jamais mostrara. Corajoso. Lutador de causas perdidas. Herói sem espada. Mas herói. Transbordante de um amor antigo, agora recriado. Porque é tarde demais.
Ganha mais sabor, porque não se tem. E por isso, se quer.

 

Mas já não tem. Nem nunca terá.

 

E é assim o amor. Uma complexa equação de «não ter».
 
 
www.wook.pt: Escrito num período em que o próprio casamento do autor conhecia dificuldades, "O Mundo dos Ricos" abala o mito do verdadeiro amor, concentrando-se antes na destrutiva luta pela posição dominante e pelas frívolas questões do dinheiro e da classe social.
 

1 comentário:

chuva disse...

"Fica-se pela rotina emparelhada com a certeza de quem ficará para sempre. Uma gaveta com os segredos roubados pela intimidade, e o pó acumalado pelos dias partilhados."
Fique a pensar nisto.
um beijo