sexta-feira, 21 de março de 2014

A Filha do Coveiro (Joyce Carol Oates)

Este é um livro verdadeiramente tocante sobre a consciência de uma mulher, ao longo da sua vida. De uma sensibilidade quase inexplicável, hoje falo de um livro que rapidamente integrou um dos meus preferidos de sempre. Já antes, Joyce Carol Oates, com «Rapariga Negra, Rapariga Branca» me havia suscitado um enorme fascínio. Com «A Filha do Coveiro» superou largamente qualquer expectativa que pudesse ter.
Desde o estilo narrativo, o contexto, a densidade que coloca em cada personagem, a dinâmica do enredo, tudo isto junto, resulta num dos melhores livros que já tive oportunidade de ler.
Tudo na "simplicidade" de uma história centrada numa única mulher e no seu percurso de vida. A sua consciência, os seus medos, a infância pautada por uma História que marcou presente e futuro, os receios e a consciência dos passos a serem dados na medida dos dias, difíceis. Como quem foge, sabendo apenas que é em frente. Só em frente.
«A Filha do Coveiro» narra a história de Rebecca, a menina que foge  com a família da Alemanha nazi para os Estados Unidos da América e é aí que se inicia a sua jornada pelo país, percorrendo-o na mesma medida em que procura incessantemente as respostas que preencham as dúvidas sobre quem realmente é.
De extrema sensibilidade, com excertos em que a carga emocional chega a ser quase palpável, a vida de Rebecca é marcada pela resiliência e pela coragem de quem não desiste de procurar, de proteger, de encontrar. 
Joyce Carol Oates criou uma personagem em que a coragem é inata, a vontade é inquestionável, o esquecimento uma ilusão e o amor, inabalável.
 
Absolutamente soberbo.
 
 
www.wook.pt: Em 1936, os Schwart, família imigrada, escapam da Alemanha nazi e instalam-se numa pequena cidade do estado de Nova Iorque. O pai, antigo professor de liceu, vê-se obrigado a aceitar o único trabalho disponível: coveiro e guarda de um cemitério. Os prejuízos e a fragilidade emocional da família conduzirão a uma terrível tragédia, e Rebecca, a filha do coveiro, começa então a sua surpreendente peregrinação pela América, uma odisseia arriscada repleta de erotismo e audácia, inventividade e engenho; no final, um triunfo agridoce, muito «americano».
Uma obra-prima simultaneamente emocionante e intelectualmente provocadora.

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