sexta-feira, 21 de março de 2014

Correios (Charles Bukowski)

«Correios» é um livro muito bom. Podia dizer assim. No entanto, parece mal não enaltecer mais esta obra dizendo algo do género: "é realmente espetacular, comecem já a ler!".
Uma história verídica sobre o autor no momento em que foi empregado dos Serviços Postais dos Estados Unidos. Um empregado rude que à falta de melhor tem de aceitar as agruras de um emprego metódico, chato, impecavelmente rotineiro, a tal ponto capaz de levar qualquer um à loucura. A questão é que parece ser ele o único a escorregar vertiginosamente nessa mesma loucura, incapaz de parar. São os envelopes de contagem infinita, os minutos contados dos intervalos, igualmente metódicos, a loucura vai crescendo a passos largos. Também são os colegas. Submissos. Matreiros. Ou simplesmente ... submissos.
A vida, essa. Vai passando, sem questões. Mas com adições.
Há que justificar vazios ou cansaços de uma vida atribulada e sem sentido. Assim, numa vertiginosa jornada em que a sua vida acaba por se tornar, o sexo, o álcool e o jogo assumem os alicerces onde se tenta segurar. Somando dias e subtraindo as questões.
Só até ao dia de amanhã.
Depois, logo se verá.
 
Um livro boémio. Um livro genial!
Recomendo, claro que sim.
 
Ao som de: Foo Fighters "Breakout"
 
 
 
www.wook.pt: Correios, o primeiro romance de Bukowski, é baseado na sua experiência como empregado dos Serviços Postais dos Estados Unidos ao longo de uma década, e foi publicado num momento em que o seu nome ascendia ao plano do reconhecimento literário universal.
Ponto de partida ideal para qualquer leitor que se queira iniciar na prolífica obra de Bukowski, encontramos em Correios as qualidades dos seus restantes trabalhos. Repleto de cenas hilariantes, este romance é também um retrato fiel das frustrações de um funcionário público sofredor.
As suas personagens, entre a ficção e a realidade, captam a essência e a universalidade do ser humano e nós, leitores, continuaremos a topar, em Bukowski, com bebedeiras, mulheres, zaragatas, eventuais rebates de consciência, enfim, com os trambolhões da vida.

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