quinta-feira, 8 de junho de 2017

Contos de Assis #2

Em «Uma Senhora», Machado de Assis conta-nos a história de D. Camila, reconhecida em qualquer lugar pela beleza, inconfundível, que lhe pertence.
Os dias, semanas e meses que vão passando assumem-se numa afronta traduzida pelos seus primeiros cabelos brancos. O tempo passa e a beleza, essa, compromete-se entre um passado seguro e um futuro que se desconhece. Precisamente pelo desconhecimento, torna-se sombrio e temido.
Ao longo deste pequeno conto, Machado de Assis, no seu estilo inconfundível, sublinha essa necessidade de nos sentirmos belos aos olhos do mundo, através de uma beleza que é garantida pela firmeza das peles, pelo brilho dos olhos, por cabelos negros e sedosos.
D. Camila vive, assim, nesse confronto com a idade, o crescimento da sua própria filha e a vida que acontece, sem dó nem piedade.
Foi Franz Kafka a defender que quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece.
Machado de Assis, com esta senhora, exalta essa máxima. Afinal, é possível ver uma beleza que, à partida, nada nem ninguém a garantia. São as somas das mais diferentes belezas de uma mulher que, independentemente do tempo que corre, lhe garantem esse brilho irrevogável. Eterno.
 
 
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Com o apoio:
 
 
 

Ao som de: José González


2 comentários:

Carlos Faria disse...

Pena juntarem O Alienista a esta coletânea, pois é um dos contos mais repetidos cá em casa, comprei-o, depois recebi-o em apêndices a meios de comunicação, quando vejo contos de Assis lá se repete a mesmo obra, etc. apesar de adorar o conto já chega.

Denise disse...

Desafio o Carlos a investir neste livro. Apesar da repetição do «Alienista», compensará na possibilidade de conhecer os contos mais memoráveis de Assis.
Desafio aceite? :)

Boas leituras!