domingo, 17 de março de 2013

A História Secreta (Donna Tartt)


Estávamos no ano de 2009 e eu percorria atentamente as estantes dos livros da Bertrand de Almada, quando me deparei com o livro da Donna Tartt. Primeiro, gostei imediatamente da capa e depois, a história envolveu-me imediatamente.
«Tenho de o levar comigo», pensei. Curiosamente, a trilogia da Pearl S. Buck acabou por vencer e o livro acabou por ficar lá perdido.
O tempo foi passando mas o estranho é que várias vezes me lembrava dele e em todas as ocasiões em que o voltava a procurar, não o encontrava. E o tempo continuou a passar.
Nas últimas semanas deparei-me a ler sobre a vida da autora e pensei «Bem, hoje vou comprar este livro!», e foi mesmo. Trouxe-o para casa e comecei a ler na hora.
É um livro intrigante. Começando pela aventura que foi até o ter, e até finalmente o ler, continuo a afirmar que o livro é muito intrigante, sombrio, tenebroso.
Tudo se resume ao remorso assente no acto de se matar alguém. Todo um processo desde a ideia concebida, ao acto em si e o depois. E esse depois, o lidar com todas as camadas de ideias, suposições, sentimentos, aí sim, é um depois longo demais, e jamais possível de se conceber mesmo nas mentes mais prodigiosas.
As ideias criadas, a vida desenhada até então começa a desmoronar lentamente, como um castelo de cartas em frente aos olhos e na impotência das mãos culpadas, com um sangue invisível mas presente. Doloroso. Escorregadio.
Creio que a crítica positiva que contorna esta obra assenta precisamente no peso da moralidade, na noção afincada do «certo» e do «errado» e até onde um coração atormentado nos pode levar. Ao limite. Ao fundo. À escuridão de uma história secreta.

“O remorso é a indigestão da alma”
(Pierre Véron)
 
Valeu a pena esperar e Ler(-te) neste momento.
Recomendo.
 
 
www.wook.pt Um romance que é já um clássico da literatura americana.
Uma história densa, perturbadora e arrepiante que combina a densidade psicológica das personagens e o vigor poético de um texto clássico com uma trama complexa e um ritmo alucinante.

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