
Soa mal. Pois claro, soa um
bocadinho mal. Mas é a minha vontade e estou a ter dificuldades em
contrariar-me (risos).
Porquê essa derradeira declaração?
Ora bem, estamos perante uma jovem mimada que após o casamento com Charles
Bovary, um viúvo dotado de um coração bom, anseia pela felicidade conjugal e
com todas a ilusões que só uma mente feminina tosca poderá desejar.
Envolta nesses desejos, nessas
ilusões, encontra-se uma personalidade muito pequena, muito cinzenta, muito …
insensata. Que em nada me satisfez.
É impossível, e já noutras
leituras assim o pude constatar, não comparar a obra de Flaubert à obra de
Tolstoi, “Anna Karenina” e nesta última, sim, estamos perante uma mulher
adúltera, estamos pois, mas há um je ne sais
quoi de personalidade na Anna, apesar da moralidade dúbia. Há em Anna uma
fortaleza de espírito que me agarrou, sem dúvida. Emma, Madame Bovary, é
infantil, e o pior de tudo, não ama a filha como Anna Karenina, pelo menos,
tentou demonstrar ao longo da sua adúltera vida.
O desfecho é dramático. Demais. E
emerge outra questão que me dilacera o espírito: mas porquê que as pessoas boas
acabam sempre por serem castigadas, de uma maneira ou de outra? Neste caso, é o
próprio Charles, que se castiga a si mesmo. Num acto igualmente ridículo.
Flaubert, ao longo de seis anos
trabalhou afincadamente em Madame Bovary, num marco notável da passagem do
Romantismo ao Realismo na Literatura, contudo, como é possível verificar, não
consegui apegar-me a este livro. As personagens são… cinzentas. Insensatas.
Serão realistas demais? (risos).
Não sei. Não sei. Mas voltarei a
outros livros de Flaubert.
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