sábado, 1 de junho de 2013

A Fera na Selva (Henry James)



Destino. Palavrão feito de papas na língua que mais não passam do que isso mesmo: promessas de um amanhã que acaba por nunca chegar. Muita treta para pouca acção. Medo. Cegueira brutal. Insanidade ao mais alto nível. Efeitos secundários da ilusão, esse vestido de que por vezes é feito esse destino, oh, tão desejado destino. Que trará ele na manga, amanhã? Será amanhã que tudo isto vai mudar? É que não vejo nada.  John Marcher nada vê, mas continua nessa busca, insana, nessa visão profética, quase, da fera que saltará da selva. Um dia. Um dia. Um dia. Num futuro que o destino trará, assim. Porque sim. Enquanto deambulas pelas ruas cinzentas de Londres, ou enquanto sonhas acordado com a servidão estranha de May. Amor? Escravidão? O que foi aquilo tudo, afinal? Foi o destino a trabalhar? Destino. Ou, o amor é uma boca que cala perante olhos fechados. Será, May? E a entrega que o amor implica? O amor também se zanga. Mas há o ...
Destino. Destino. Destino. E há que esperar por ele.
E depois, ausência do destino? Um olhar. Uma confirmação desse tempo congelado e tudo muda. O destino sempre lá estivera, barro por moldar, folhas por escrever, o destino estivera lá. John Marcher, de tanto procurar, adormeceu num egoísmo incapaz de encontrar 1cm para lá do próprio umbigo. Nesse cobiçado comboio do destino descobriu, depois da sua passagem, que o coração está lá e pode quebrar.
 
 
 
Recomendo.
 
Quem já leu? O que acharam? :)
 
 
 
Ao som de: Aqualung "Brighter than sunshine"
 
 
 
 
 
www.wook.pt: O destino é uma fera na selva, que prepara o salto para nos atacar quando menos esperarmos. Pelo menos é isto que John Marcher acredita que o seu particularíssimo destino lhe reserva. Algo de avassalador, como um terramoto, algo que o distingue e que torna a sua vida - à espera do salto da fera - diferente da de todos os outros mortais… Esta pequena novela de Henry James, justamente considerada um dos momentos mais altos da sua obra, trata os temas universais do amor, da solidão, da morte e do sentido da vida de uma forma surpreendente e inesquecível para qualquer leitor que se tenha alguma vez cruzado com ela. Tal como foi o caso de Patrícia Reis, que assina o prefácio em forma de carta ao autor desta e de muitas outras obras que a marcaram. Uma pérola, um clássico e uma meditação sobra a vida e a forma de a ganharmos ou perdermos nos gestos e nos sentimentos de cada dia.
 

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