sábado, 15 de junho de 2013

Servidão Humana (W. Somerset Maugham)


 
Livros do Brasil, Colecção «Dois Mundos», eis a edição que tenho deste livro. O mais interessante foi o dia em que o comprei, o lugar mágico e a data escrita no livro, por alguém desconhecido, a tinta azul clara: “Dezembro, 1933”. Alguém o leu nessa altura. E agora, foi a minha vez. Estamos a falar de um livro verdadeiramente velho, num estado de degradação enorme e com aquele típico, e fantástico, cheiro a velho. Um livro já com uma história ainda antes de o abrir.
Introduções à parte, feliz de mim por ter aberto este livro que já se ia perdendo (mais ainda!) no tempo e na minha estante. Estamos, de facto, perante um livro digno de obrigatoriedade a todo o leitor digno, que se preze como tal.
Philip retrata um pouco daquilo que há em todos nós. Em qualquer momento da vida existiram dúvidas sobre o chão que pisamos, sobre o papel que assumimos e sobretudo, sobre as pessoas que nos servem de modelos, ou que supostamente nos deveriam amparar. E não o fazem. Não o fazendo, surgem novas ambições, novas muralhas, novas percepções de uma vida outrora mal arquitectada.
É assim, numa jornada intensa, que assistimos às dores e anseios de Philip. Aos medos e ambições que se vão misturando, ora numa esperança vã, ora numa repulsa constante que assegura o lugar estático do coração. Para não doer mais. Para cegar e seguir em frente.
Viver. Viver assim e porque sim. Livre. Viver mais além, num futuro que se avizinha, só amanhã. O amanhã é um comboio que anda, depressa, que não estanca em nada que possa trazer alguma mágoa, como o passado assim fez. Para Philip a vida acabou por se deixar tornar numa triste soma de passados e congelar um presente, iludido na esperança de um futuro isento de qualquer dor. Haverá maior sofrimento do que viver livre, eternamente procurando o sentido dessa mesma liberdade? 
O sentido. É porque no meio dessa ambicionada liberdade, alcançada numa digna jornada, Philip encontrou o que faltava dar sentido a tudo isso…
O amor.

 
Um livro para falar dele a toda a gente!
 
 
 
www.wook.pt: Servidão Humana é um dos romances mais emblemáticos do século XX e a obra-prima de Somerset Maugham. Esta narrativa clássica de entrada na idade adulta conta a história de Philip Carey, alter ego do autor na sua juventude, dividido entre o fervor religioso da família e o desejo de liberdade que os livros e os estudos lhe dão a conhecer. Na sua ânsia por independência e aventura, Philip sai de casa em busca de uma carreira como artista em Paris. Mas os seus planos vão ser postos em causa quando se apaixona perdidamente pela mulher que mudará a sua vida para sempre.
Relato inigualável sobre o poder do desejo e da sede de liberdade do homem moderno, Servidão Humana coloca-nos friamente perante a nossa própria visão da vida, as nossas dúvidas e o poder transformador das decisões.

2 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Um dos melhores livros que li até hoje. Um reflexão grandiosa sobre a liberdade que escolhemos e que depois, tantas vezes, nos escraviza...

Kel disse...

Olá.
Gostei imenso da tua opinião. Li um livro do mesmo autor que adorei, O Fio da Navalha. Também é um livro que fala sobre o sentido da vida e a procura desse mesmo sentido. Somerset Maugham é simplesmente fantástico.
Ainda não li a Servidão Humana mas um dia terei de ler.
Boas leituras