
Mas, focando-me neste «Pequeno Amigo», a história centra-se na morte do Robin, um menino de 9 anos, encontrado enforcado numa árvore perto da casa da família. A partir desse fatídico e cruelmente irónico «Dia da Mãe», nada será o mesmo. A irmã Harriett, com meses na altura, cresce rodeada de histórias fantásticas em torno do irmão e que criam nela um desejo crescente de vingança, custe o que custar... Um desejo de vingança aliado à crença capaz de restabelecer a paz e a harmonia de uma família como sonha ter, com refeições normais, com roupa engomada e que cheira a tal, com ordem em todas as coisas e em si mesma...
O desejo de vingança pode ser tão poderoso que acaba por criar em Harriett a certeza de um culpado. A sua certeza bastou-lhe para criar assim um caminho vertiginoso, por vezes, arrepiante nessa busca de paz interior, de vingança em nome do irmão e de uma família cada vez mais disfuncional.
É assim, com base no medo, na perda, no luto, no remorso, na tristeza, na escuridão das almas que Donna Tartt consegue realçar a densidade psicológica das diferentes personagens, atribuindo-lhe a voz em cada um dos seus momentos, tornando a sua narrativa mais rica e mais viva.
Estamos perante um livro denso, que por vezes deixa o leitor submerso perante as incertezas, de cada um dos personagens, mas nunca indiferente perante a dor e coragem em perseguir uma certeza pela justiça que se vai diluindo na própria dor e fragilidade.
Um dos objectivos da autora, com este «Pequeno Amigo» foi criar um ambiente cuja infância fosse retratada num contexto inesperado. Na minha opinião, não podia tê-lo alcançado de forma mais sublime.
Um livro que merece toda a atenção, determinação e dedicação de um leitor.
Ao som de: Switchfoot "Only Hope"
www.wook.pt: Numa pequena cidade do Mississípi, Harriet cresce na sombra do seu irmão, encontrado enforcado numa árvore do jardim da sua própria casa, quando ela era ainda um bebé. O assassino nunca foi identificado, e a família nunca recuperou da tragédia. Harriet, ferozmente determinada, muito precoce para os seus doze anos, decide, num Verão, resolver o assassínio e reclamar vingança. O único aliado de Harriet nesta busca é o seu devoto amigo Hely. Mas o que em breve encontrarão nada tem a ver com brincadeiras de crianças: é obscuro, adulto e demasiado ameaçador.
1 comentário:
Eu adorei o "História Secreta". Um livro cheio de emoção. Este parece ser também muito interessante. Acho que vou ler...
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