domingo, 20 de julho de 2014

A Minha Pequena Livraria (Wendy Welch)

«A Minha Pequena Livraria» é um livro baseado em factos reais, sobre Wendy Welch e o seu desejo em abrir uma livraria, desejo antigo e que viria a tornar-se real.
Um dos aspetos que mais gostei neste pequeno livro foi a sua sensatez, ou seja, é muito fácil falar-se em sonhos no ar e segui-los, assim, sem qualquer fundamento. Sem pensarmos nas consequências dos mesmos, como se fôssemos sentados num sofá de sábado à tarde, e ainda sintonizados ao filme mais romântico (e patético) que se acabou de ver. Pois bem, não é o que acontece aqui.
Wendy tem o sonho de, um dia, abrir uma livraria de livros usados, com características próprias, em que a proximidade ao público, o conhecimento dos autores e o interesse em servir realmente o leitor compulsivo, estão bem presentes. No entanto, as necessidades primárias que sustentam qualquer início de negócio estão presentes no princípio do livro, onde assuntos relacionados com as questões financeiras, a gestão do espaço, a aquisição de um número considerável de livros, o gosto ajustado aos leitores, entre outros aspetos, são explicados em ínfimo detalhe. Eis um dos aspetos que permitiu que avançasse na leitura com mais certezas de a terminar, pois confesso que não parti para a leitura deste livro muito convencida, exatamente pela ideia pré-concebida de estar perante a síndrome do «largar tudo, sem questionar, e seguir o tal sonho». Não sou apologista de ideias desse género se a sensatez das pequenas (mas essenciais) coisas não fizerem, igualmente, parte do sonho. Acrescento ainda, que até o sonho precisa de pernas sólidas, para crescer enquanto caminha.
Neste sentido, o livro cativou-me pela resiliência destas duas pessoas: Wendy e Jack, um casal muito querido e que na sua cumplicidade criam uma livraria com tudo aquilo que realmente merece ter.
Uma verdadeira livraria não empanturra o leitor apenas com as melhores novidades, os bestsellers ou se preocupa apenas com os números de livros vendidos, como a maior nota de preocupação no caderno. Não. Nas livrarias locais, há um radar diferente que liga as pessoas de uma comunidade e o livro encontra-se no centro de tudo. Através das histórias de cada livro, podemos descobrir as histórias de cada um, e através das histórias de cada um, vão-se construindo mais proximidades, num ricochete feliz e dinâmico que cresce na mesma medida em que novos livros assumem morada certa nas estantes.
É nesse ambiente de proximidade entre uma comunidade que esta «Minha Pequena Livraria» cimenta o seu lugar, revelando a importância do livro enquanto promotor não só de histórias, mas igualmente de relações memoráveis entre as pessoas.
 
Uma agradável surpresa.
 
 
 
É um livro! E basta! :)
 
Boas leituras!
 
 
 

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