terça-feira, 29 de julho de 2014

Longbourn: Amor e Coragem (Jo Baker)


Quem leu «Orgulho e Preconceito» dificilmente esquece o ambiente, o enredo e todas as personagens que dão forma a este clássico incontornável. Jane Austen ficou notoriamente conhecida pela sua escrita nebulosamente mordaz e crítica às práticas impostas na sociedade, particularmente, no papel de uma mulher submissa que vê no casamento a suposta liberdade de movimentos. Uma liberdade que faz assim o objetivo primordial da vida da mulher com todos os adornos que tal implica levando, muitas vezes, a uma histeria que faria Sigmund Freud rever teorias…
Em «Longbourn: Amor e Coragem» o leitor tem a oportunidade de voltar a este conhecido ambiente de Jane Austen mas sob o ponto de vista afiado dos criados da família Bennet.
As particularidades da vida desta família atrás desta cortina revelam cenários interessantes e que acabam por complementar determinadas passagens, permitindo alastrar a imaginação e pular, se assim podemos dizer, de livro para livro, numa mistura, no mínimo, curiosa. Ler um livro em mãos, com um outro em mente.
De uma forma geral, estamos perante um livro que em termos de densidade de escrita não ultrapassa barreiras, contudo, com essa peculiaridade que o liga ao clássico de Jane Austen, acaba por se tornar interessante sobretudo pelos olhos dos criados que sofrem as madrugadas frias de quem prepara os pequenos-almoços e lava penicos, mas que têm o coração exatamente no mesmo lugar, preparados para amar exatamente com a mesma intensidade.
 
Boas leituras!

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