domingo, 12 de fevereiro de 2017

Jane Eyre e Wuthering Heights

Neste ensaio em particular, «Jane Eyre e Wuthering Heights», Virginia Woolf vai debruçar-se sobre as diferenças entre escrever com o coração e escrever com a mente.
Charlotte Bronte, com base nas suas (parcas) experiências de vida, escrevia com o conhecimento básico dos seus dias, cujo amor e sofrimento individuais, seriam os temas basilares de toda a sua obra.
 
"Estas circunstâncias, na medida em que afectavam a sua personalidade,
podem ter deixado marcas na sua obra."
 
Segundo Woolf, Charlotte Bronte era detentora de uma personalidade forte e dominante, em que nada mais precisava do que si mesma para, nas suas obras, transmitir a mensagem que sempre quis. Bastar-se-ia, assim, a si mesma.
 
"Passa-se provavelmente o mesmo com todos os escritores que têm, como ela, uma personalidade dominante, de tal maneira que, como dizemos na vida real, basta-lhes abrir a porta para se fazerem sentir."
 
Do outro lado, a autora faz-nos pensar em Emily. Numa perspetiva totalmente diferente da irmã, e independentemente da similaridade das suas condições de vida, em «O Monte dos Vendavais», não se encontra a tendência ao individual, à centralização das experiências como forma de escrita.
 
"Mas em Wuthering Heights não há um "eu". Não há preceptoras. Não há patrões. Há amor, mas não é o amor de homens e mulheres. Emily inspirou-se num conceito mais geral. O impulso que a levou a criar não foi o seu próprio sofrimento nem as suas próprias feridas. Ela olhou para um mundo desmembrado por um caos gigantesco e sentiu em si o poder de o unificar de novo num livro."
 
São as diferenças apontadas por Woolf que nos permitem repensar no trabalho de duas autoras intemporais e marcantes como Charlotte e Emily. Ambas destacaram o amor como tema central nas suas obras, no entanto, a forma de o expressar e, acima de tudo, o intuito do destino daquele nas suas obras, esse, é inegavelmente pessoal e sem direito a qualquer réplica, eu diria.
 
Boas leituras.

3 comentários:

redonda disse...

Gostei muito dos dois livros, mas o segundo é um dos meus livros preferidos, não via as autoras, as irmãs Bronté assim, nem os livros, mas achei muito interessante esse olhar sobre eles, sobretudo por ser também de uma grande escritora, a Virginia Woolf

Beatriz disse...

Olá, Denise :)
Charlotte era a mais produtiva, Emily a mais cerebral/"inteligente".
Anne foi pioneira ao escrever sobre uma mulher que decide deixar o marido abusivo. Bastante corajosa e progressista, a meu ver.
Na época Vitoriana, para uma mulher deixar o marido era saber antecipadamente que vida miserável teria daí em diante.
Refiro-me ao livro "A inquilina de Wildfell Hall", não sei se já leste.

Verdadeiramente impressionante como estas irmãs mudaram o mundo literário.
Beijinhos.

Denise disse...

Olá Gabi! :)
Sim, a Virginia centrou-se nas duas irmãs e nas principais diferenças em termos criativos das suas obras.
Este livro de ensaios é muito bom. Recomendo!
Beijinho

Beatriz!
É essa a ideia do ensaio de Virginia Woolf, destacar as diferenças criativas das duas irmãs. Muito evidentes nas suas obras. Neste ensaio em específico não se debruça sobre a Anne infelizmente. Adoro esse livro, assim como «Agnes Grey» inspirada pela sua governanta. Apesar de na altura ser sido um pouco ofuscado pelo "O Monte dos Vendavais", é outra referência incontornável :)
Beijinho