terça-feira, 23 de agosto de 2011

Anna Karénina (Lev Tolstoi)


São muitas as opiniões, críticas, sei lá eu, à volta deste livro.
Hoje vou escrever, também, sobre aquela que considero ser a essência deste livro.

Ora bem. Histórias de amor, quem não as tem?
Quem é o grande camelo que não cai numa dessas histórias de…? Amor?
Vronsky. A sua elegância. Os seus olhos penetrantes. A sua delicadeza. A respiração que parece bloquear à medida dos seus passos, cada vez mais próximos.
É a paixão, dizem os sábios.
Porque será, meus caros, tantas vezes o amor, paixão, o que seja, comparado a uma tragédia?
Olhares. Suores. Suspiros. Aproximações. Condenações. Moralidades quebradas. Desejos proibidos alcançados. Paixão. Sim, paixão. Jamais, jamais negada.
Mas… e depois?
Valerá o sacrifício de dois corpos unidos por esse sentimento de… paixão? Uma paixão, um amor tão grande que esquece mundos exteriores, feitos de pequenos fragmentos onde cada um pousa, onde cada um desses amantes pertence. Cada beijo roubado é um estalo de luva branca a alguém que o sentirá, mais tarde.
Amor? Paixão? Diferenciam os conceitos. Ainda não consegui entender a diferença.
Só consegui ver dois pontos de semelhança inquestionáveis: egoísmo puro.
Tão puro como só Anna entendeu no seu expoente máximo, ao atirar-se para aquela linha de comboio, agora, tão libertadora.
Tão, igualmente, egoísta.



Amor?
Paixão?



Dizem que o corpo humano é constituído por mais de 70% de água.
98% de egoísmo constitui a alma de um homem apaixonado.


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