quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Os Pais dos Outros (Romana Petri)

Num conto, há sempre quem acrescente um ponto. Ou dois. Ou três.
Bem, o que fazer? Nada, diria eu.
Deus, que é Deus, não agradou a todos. Não é assim que diz o velho adágio popular?
Bem, o que fazer? Nada, digo eu, outra vez.
A culpa. Melhor, a atribuição da culpa é, para o ser humano, aquilo que o açucar é para a formiga: irresistível.
Os psicólogos são os abençoados que vos vêm defender com o trauma que carregam na pesada alma, que levou uns açoites em dias mais tortos, e continuará a doer, confortavelmente.
A dor pode ser confortável, e é de facto. A dor é confortável para tanta coisa!
É confortável no sentido em que nos permite deitar e culpar.
Culpem. Continuem a culpar. Certamente terão toda a razão em culpar. Gritem um bocado. Culpem mais ainda.
A questão é que culpar cria raízes, e nada mudará. De nada adiantará. E continuarão exactamente no mesmo sítio de sempre, mais e mais enraizados.

Culpar é nada mais do que adormecer no velho sofá das recordações de infância.

O caminho é por ali.

Filhos, cortem esse cordão.

Acordem e criem as vossas próprias culpas, passíveis de serem esculpidas e melhoradas, dia-a-dia, numa parede reservada a novos quadros...!






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