quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Quarto de Jack (Emma Donoghue)

Este é um daqueles livros que, de tamanha inocência, arrebata qualquer coração. Seja ele de pedra, gigante, pequeno ou grande. Arrebata, dilacera, queima. E até gela. Tudo ao mesmo tempo, num misto de tristeza, risos comedidos por vezes, tal é a inocência que se apodera dessa fase que chamam infância.
Poderia continuar a despertar sentimentos sobre este livro e diria sempre o mesmo: arrebata qualquer coração.

Não vou dizer mais nada, a não ser: estão à espera de quê para começarem a ler?

Muito bom. Obrigatório.




Resumo da www.wook.pt: Original, poderoso e soberbo, Jack é inesquecível: a coragem e o imenso amor numa história perturbante contada pela voz da inocência.
Para Jack, de cinco anos, o quarto é o mundo todo. É onde ele e a Mamã comem, dormem, brincam e aprendem. Embora Jack não saiba, o sítio onde ele se sente completamente seguro e protegido, aquele quarto é também a prisão onde a mãe tem sido mantida contra a sua vontade. Contada na divertida e comovente voz de Jack, esta é uma história de um amor imenso que sobrevive a circunstâncias aterradoras, e da ligação umbilical que une mãe e filho.
O quarto é um lugar que nunca vai esquecer; o mundo é um sítio que nunca mais olhará da mesma maneira.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A Desordem do teu Nome (Juan José Millás)



Tudo em ti é trágico. E tudo em mim, trágico é. Se tentar explicar cada um dos meus pensamentos, o psicanalista abordará esse termo «delírio», do qual eu vou fugir. Na realidade nada há, verdadeiramente, de real. Nessa falta de realidade, perco-me em ti. E tu em mim. Numa história por nós criada. Numa história por mim, finalmente, escrita. Por ti manobrada. Por mim narrada.
Numa desordem plena, cujo teu nome é gravado em mim para sempre, vezes e vezes sem conta.

Julio



Ao som de uma saudade que nada pede.


Nota: Juan José Millás é incapaz de nos deixar indiferentes.


Resumo: Era um fim de tarde de Abril e Julio regressava do psicanalista. O enamoramento de Laura é uma consequência quase imediata e as semanas passam a girar em torno daqueles encontros no parque, em que o diálogo assume uma forma difusa e promissora. Millás coloca as suas personagens num espaço psicológico labiríntico, num jogo de espelhos sem fim em que o latente e o manifesto, imaginação e acontecimento se permutam a cada momento. Iminente, a inversão súbita do jogo, pesa, suspensa, sobre o eu e o seu duplo, num movimento profundo entre o real e o fantástico e que irá culminar na sua forma última - a própria metamorfose. Juan José Millás pertence à mesma geração literária de Álvaro Pombo ou Javier Marías e como eles é um expoente da nova literatura espanhola. Este romance não só foi aclamado pela crítica como se tornou num dos maiores sucessos de vendas em Espanha, com mais de vinte edições. www.wook.pt


quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

Quando andava na escola, lá pelas ondas dos meus 15 anos, era moda, na altura, cadernos repletos de citações (vindas sabe-se lá de onde), frases suspensas pela mola do ridículo, o que fosse, mas estava na moda. E nós líamos. Isto para, hoje, seleccionar, e justificar, uma dessas frases que se prendeu ao meu cérebro: "Se chorares, as tuas verdadeiras amigas vão apoiar-te, se estiveres em baixo, as tuas verdadeiras amigas lá estarão para ti... mas... experimenta ser bonita!!"
Sempre achei particular piada, à falta de palavra dotada de maior requinte, a esta velha frase. O quanto a beleza move. O quanto algo tão leve, supérfluo, pantanoso, diria eu, move! Arrasta! E mata!
Será esse o verdadeiro motivo de tanta devoção? Se a beleza é assim tão leve, temporária, um vento que passa pela força dos cruéis dias, será então essa a razão de tanta avidez? 
Tanta malvadez que fecha olhos e mentes. E almas. Sobretudo almas. Foi assim com Dorian Gray, mesmo com o seu quadro revelador, a tendência de fechar os olhos à realidade, e deparar-se com a suposta beleza, seria sempre mais tentador!
É com isto que me questiono. E é igualmente com todas estas imagens de beleza, de ventania, de espelhos e quadros derramados com sangue, que surges tu. Nessa conhecida falta de beleza de que és feito. Sim, é nesse momento que surgem inquestionáveis dúvidas.
Nesta teoria, vejo a beleza desenhada a uma crueldade capaz de matar. Capaz de matar, apenas para ficar.
Mas tu és feio. E questiono-me. Depois de cansada, com o cérebro dorido das mais penosas possibilidades, desenho-te, não a crueldade, mas a uma frieza e amizade bem próxima dessa beleza tão almejada. Afinal de contas, tal como a beleza, o feio é igualmente capaz de matar, igualmente e apenas para se perpetuar no sofrimento daquele que é negado.

Uma conclusão no meio de tanto surrealismo?
Não se trata, na verdade, de beleza.
Ao belo e ao feio uma coisa une: o medo de ser rejeitado. E exactamente por isso, são capazes de matar, negar, apenas para ficar. Para triunfar. Com sofrimento, com o que seja. Apenas para ficar.



Ao som de: Imogen Heap (Hide and Seek)


domingo, 1 de abril de 2012

Ao Sabor do Vento (Ramiro Marques)

Existem distintas escolhas quanto à forma de se viver a vida. Teremos nós, de facto, algum poder nessa escolha? Pergunto antes, haverá de facto, tantas e distintas escolhas?
Ao ler-te na noite passada, senti um travo amargo no coração. Afinal de contas, esse viver ao sabor do vento não era tão linear assim, havia medo de um fim, havia o receio de não deixar uma raiz que pudesse perpetuar algo teu. Egoísmo? Necessidade de atenção?
Ao ler-te, essa sensação estranha, no coração, nos olhos, e até na boca, surge porque afinal, quem vive ao sabor do vento, na vida, não deveria igualmente ... morrer ao sabor do vento? Sem a preocupação de um amanhã?

Enquanto te lia, senti uma leveza engraçada pelos arredores que uma vida libertina pode ter, desprendida de sentimentos que se agarram como cola. Quando te fechei, oh livro, sensação mais contraditória. Afinal de contas, todos queremos imprimir uma marca no vento, é isso não é?
Sempre que voa, leva-nos com ele.

"Não está certo morreres tão novo. É preciso que vás, sabendo que deixas uma parte de ti. É isso a imortalidade.(...)"

Humanos. Narcisos. Para sempre.
Eis a sensação que me despertaste.


Voltei! Depois de um precioso momento de reflexão ;)

Ao som de: Feist (Let it die)

Sobre o livro: Jorge Malato, professor universitário passou mais de vinte anos a lamentar-se por não ter casado com uma aluna sua, Camila. Mas, a verdade é que Jorge nunca decidiu abdicar da sua liberdade para constituir família. Solteiro por opção, a vida deste professor assenta numa grande vontade de decidir o seu destino sem a interferência de alguém. Para isso vai conquistando várias mulheres, solteiras e casadas, onde o sexo é a base da relação, não havendo lugar para compromisso. Ao Sabor do Vento é um romance que reflecte sobre a relação a dois e o sentido da existência.