quinta-feira, 4 de junho de 2015

os meus sentimentos (Dulce Maria Cardoso)

Dulce Maria Cardoso. Uma grande surpresa.
 
Prosa que solta frases como se fossem pedaços de nada. Um nada solto, que parece ausente da história, mas afinal, está lá presente, e faz parte de tudo. De um todo muito todo, muito colado a um passado que não volta, mas atrapalha tudo o que vem dali para a frente. Para uma mulher que tem nome de cor. Um nome que também é uma cor. Violeta.
E esta é a história torcida e distorcida de Violeta, depois de um acidente de carro.
Dessa perspetiva amachucada da vida.
Um retornar contínuo ao passado, mas que agora exige porque, ao que parece, o futuro está comprometido.
 
“(…) ninguém corrige o passado porque não há nada para corrigir, a vida é independente da vontade que a anima (…)” (p.272)
 
Um livro que deprime.
Mas um livro que se torna inesquecível, talvez, por isso mesmo. Pelo peso das palavras soltas, indiferentes, que dançam à toa e se vão encontrar lá à frente em revelações que magoam, e chocam.
Pela matreirice da vida. Dos dias. Das revelações.
 
Não vou contar mais nada porque Dulce Maria Cardoso merece ser lida de uma ponta à outra.
De frente para trás.
De trás para a frente.
E tudo fará sentido, mesmo assim.
 
 
“(…) não há nada que o silêncio não mate.”
 
 
 
Muito bom!
 
Boas leituras.
 
Ao som de “Bon Iver – I Can’t Make You Love Me”
 
 
 

Sem comentários: