segunda-feira, 29 de junho de 2015

Need The Sun To Break

 
 
 
 


domingo, 28 de junho de 2015

O Acidente (Ismail Kadaré)



Esperei meses por este livro. Encomendei, e voltei a esperar mais uns dias. E ele veio ensinar-me uma verdade que já conhecia.
O amor é um acidente.
Eu diria, antes, um acidente fatal. Daqueles em que, quando menos esperas, te espetam por uma ravina abaixo, vais tu, vai carro, e junto levas o som do estardalhaço dos vidros que se partem, do metal que choca entre si, e depois tu, que te partes todo.
 
Este livro de Ismail Kadaré é muito mais do que uma história de amor. E as verdadeiras histórias de amor, como alguém disse um dia, são aquelas que acabam mal.
 
A mestria da história está, precisamente, no cruzamento que o autor faz entre o amor complicado da bela jovem e do misterioso político, e na sua forma de atacar a política vigente e o conflito que envolveram a Albânia, a Sérvia e a província de Kosovo, em pleno foco da Guerra dos Balcãs.
 
Gostei particularmente desse apontar de dedo com base num acidente tão peculiar, cujas investigações assentam, sobretudo, no último momento em que o motorista, pelo retrovisor pôde ver o casal numa tentativa, incompreensivelmente frustrada, de se beijar.
 
 
E depois, as investigações que ninguém pediu.
E as respostas que nunca iriam chegar.
 
Porque o amor é história fechada.
Não pode ser lida.
Muito menos, contada.
 
 
 
Boas leituras.
 
 
 
www.wook.pt: Um acidente: um táxi sai da estrada e mergulha numa ravina. Do acidente resultam dois mortos, um homem e uma mulher, um óbvio casal de amantes: quanto ao motorista, que sobrevive, mostra-se incapaz de explicar a causa do acidente. Parece que a causa estará relacionada com o que ele viu, ou julgou ver, no espelho retrovisor. Mas não consegue explicar o que viu exactamente, nem dizer quem eram os dois passageiros, aonde iam e porquê, e por que razão, neles, tudo parecia indecifrável. Uma história de amor pode parecer a coisa mais banal do mundo, mas pode também mostrar-se inextrincável. Milhões de indivíduos vivem diariamente a experiência do amor e, ainda assim, nada permite explicar-lhe o enigma - nisso residirá o seu poder. À antiquíssima questão «O amor existe, de facto, ou não passa de uma ilusão?», faz-se aqui eco de uma outra: «Se existe, pode ser contado?» Nesta obra magistral, Ismail Kadaré tenta narrar o inarrável: uma história de amor ou uma história de assassínio, ou outra ainda que as encobre como uma máscara? Até ao fim, a pergunta não pára de obcecar o leitor.

sábado, 27 de junho de 2015

15 dicas para promover o amor aos livros

 
15 dicas para pôr os seus filhos a falar sobre livros
 
por Catarina Araújo
 
Laura Lambert, escritora e editora, escreveu um artigo sobre como por vezes os pais têm dificuldade em conversar com os filhos sobre os livros que estão a ler. Fazem as perguntas típicas e depois a conversa morre ali, sem terem explorado verdadeiramente os temas e os sentimentos despertados pela leitura do texto. Tal pode ser muito frustrante e acabar por levar a que as crianças percam interesse na leitura. Mas então como ter uma conversa interessante e construtiva com os filhos sobre a história que acabaram de ler? Aqui ficam as 15 dicas da autora para iniciar uma boa conversa sobre livros.
(O artigo é daqui.)
(A tradução não é literal, mas passa as ideias gerais. Não dispensa contudo a leitura do artigo original.)
Para crianças pequenas:
1)  Apontar e perguntar – Pare a meio da história e peça-lhes para apontarem objetos e cores. Se já tiverem idade suficiente, saberão contar: «Quantas flores vês?». Isto é vital para o desenvolvimento da linguagem.
2) Fazer uma previsão – Perguntar «O que achas que vai acontecer a seguir?» Mesmo que já tenham lido aquela história dezenas de vezes. A repetição é importante para as crianças.
3) Fazer uma pausa e deixá-los continuar – Isto funcionará muito bem com livros de rimas, em que se lê um verso e se pára antes da última palavra, deixando-os acabar a rima.
4) Fazer comparações com a vida real – Por exemplo, se estão a ler sobre uma personagem que tem cabelo loiro, perguntar à criança de que cor é o seu próprio cabelo. Ou se o peluche de uma personagem tem um nome, perguntar por sua vez como se chama o seu peluche preferido.
5) Continuar a história – Terminado o livro, imaginar outras histórias com as personagens ou fazer pequenos teatrinhos, em que cada um interpreta uma personagem. Isso ajudá-los-á a pensar mais profundamente nas características das personagens e da história.
Crianças em idade escolar:
6) Falar sobre as palavras difíceis – Se a criança estiver a ler para o pai ou para mãe, é fácil parar numa palavra mais difícil e questionar-se sobre ela. Tenha um dicionário ao pé e consulte-o sempre que precisar. (O exercício estimulará a aprendizagem de palavras novas.)
7) Explorar mais pessoalmente os assuntos – Incentive a criança a pensar mais na história, a colocar-se na pele da personagem e a pensar o que faria de diferente se estivesse no seu lugar. (Isto promove a empatia, a capacidade de se colocar no lugar dos outros, e a ver as diferentes perspetivas de uma situação.)
8) Comparar com outros livros – As crianças adoram séries e os volumes são sempre diferentes uns dos outros, por isso pode-se perguntar-lhes o que acharam daquele volume em comparação com os anteriores.
9) Evitar as perguntas típicas de um trabalho para a escola – Para ter um verdadeiro diálogo com o seu filho, evite as perguntas típicas que são feitas em sala de aula, e incentive-o a explorar mais profundamente os temas falados na história.
10) Estabelecer ligações com o mundo real – À medida que os livros que eles leem se tornam mais complexos, pode-se discutir temas mais profundos, como por exemplo a morte ou o preconceito. É aqui que a conversa poderá tornar-se mais interessante.
11) Deixe-se levar – Ler com o seu filho deve ser uma experiência divertida e as conversas que surgem naturalmente à medida que progridem em conjunto na leitura são as melhores.
Para leitores mais avançados:
12) Leia o que eles estão a ler – O seu filho é agora um leitor independente, mas mesmo que já leia sozinho, isso não quer dizer que não possa ter uma conversa com ele sobre o que está a ler. Leia também e depois conferencie com ele sobre a história.
13) Seja fiel a si mesmo – Numa conversa verdadeiramente interessante partilham-se opiniões e diferentes pontos de vista. (Respeite a opinião do seu filho e não tenha medo de partilhar a sua.)
14) Não julgue – O seu filho está a desenvolver a sua forma de ver o mundo e a testar diferentes valores que vai aprendendo com as suas próprias vivências. Isso é importante. Não desvalorize as suas visões sobre uma personagem ou sobre uma história. Poderá estar a perder uma oportunidade de perceber como é que o seu filho pensa sobre as coisas.
15) Seja um leitor – Partilhe a sua paixão pela leitura com os seus filhos e deixe-os tomar-lhe o gosto pelo exemplo. Leia muito, à frente deles. Fale sobre as personagens, os sítios e as histórias dos livros que lê. Se estiver entusiasmado, eles também vão ficar.
 
Retirado daqui

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Tim (Colleen McCullough)

Já há muito que uma das minhas intenções literárias passava por conhecer a obra de Colleen McCullough.
Numa dessas fantásticas feiras onde se onde encontrar um pouco de tudo, dei de caras com «Tim», o primeiro livro da autora, escrito em 1974.
Achei que seria uma excelente oportunidade para começar, de uma vez por todas, a conhecer a obra da autora, falecida em Janeiro deste ano.
Aqui confesso a minha enorme desilusão, pois apesar de qualquer pessoa simpatizar com Tim, uma personagem diferente marcada pelas limitações cognitivas e, paralelamente, por uma beleza ímpar, não foi suficiente para me deixar cativar por mais.
A história dá especial ênfase à relação de uma mulher madura, solteira, com Tim, e o desenvolver dessa mesma relação ao longo dos anos. Tão somente. A história basilar é esta: a relação de Mary e Tim, e o aprofundar da mesma.
Em termos de escrita, e ainda estou esperançosa por se tratar do primeiro livro da autora, considero-a um pouco juvenil, direta, básica demais em momentos que, na minha opinião exigiria um desenvolvimento bem mais aprofundado dando ao leitor a possibilidade de criar a empatia necessária com as personagens e, gradualmente, melhor entender determinados comportamentos.
Com isto refiro-me a um desenvolvimento repentino demais nas ações, tanto que não transparece a realidade devida. Quase como quem quis acabar o livro à pressa, em cima do joelho. Precipitado, pois, seria o termo adequado.
 
Como consequência, no fim da leitura deste livro, não consigo dizer-vos se se tratou de uma bela amizade entre Mary, que revê em Tim o filho que nunca teve ou, se por outro lado, estamos perante uma história de amor assombrada pelo preconceito da idade e da deficiência.
 
Ficamos assim, com esta leitura: numa ambiguidade de possíveis temas, todos eles, no entanto, bastante pertinentes.
 
Apesar de se tratar de um tema interessante, e correndo o risco de me repetir, sinto que faltou um pouco mais. Mais história. Mais fio. Mais densidade.
 
 
Espero ainda ser surpreendida com o tão afamado «Pássaros Feridos».
Veremos.
 
Boas leituras!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Let It Go

 
 
 
 
Everything's that's broke
Leave it to the breeze
Why don't you be you
And I'll be me
 
James Bay | Let It Go

terça-feira, 23 de junho de 2015

Silence. Please.

Retirado Pinterest

domingo, 21 de junho de 2015

No País da Nuvem Branca (Sarah Lark)

Este livro foi-me oferecido há uns meses. Confesso que, caso contrário, não o teria comprado por minha própria iniciativa. Nunca me despertou o interesse. Não sei bem porquê.
Sempre que falam muito num livro, que o destacam imensamente, por norma, perco o interesse. Defeito ou feitio, não sei. Talvez defeito.
Contrariando a minha tendência rabuja por natureza, li este livro, e o que mais me interessou foi, sem dúvida, o seu contexto histórico e o enfoque na Nova Zelândia e os seus antepassados Maoris.
A autora sublinha o período marcado pelo estabelecimento de baleeiros e de caçadores de focas, bem como pela guerra tribal dos Maoris. O grande conflito terminou quando os chefes maoris cederam a soberania à Coroa Inglesa pelo Tratado de Waitangi, assinado a 6 de Fevereiro de 1840. Um dia que é conhecido como «Waitangi Day», o feriado nacional da Nova Zelândia. Foi a partir daí que começou a colonização.
No entanto, em 1860, começaram novos conflitos entre os colonos e os Maoris pela posse das terras, cessando estes em 1972, com a posse da terra a favor dos colonos.
As reivindicações de uma compensação aos Maoris tornaram-se num importante problema político.
Aotearoa, significa «Terra da Longa Nuvem Branca», nome maori de Nova Zelândia.
Segredos. Sonhos. Destinos. Famílias. Negócios. Tragédias. E o amor.
Todas as palavras soltam acabam por resumir, de forma simples, este livro que ganha, sobretudo, pela sua riqueza histórica.
Com base neste maravilhoso contexto histórico Sarah Lark cria uma história bonita e envolvente. Uma épica história de amor, mas não só.
E é por isso que é um livro feliz.
 
Valeu a pena.
 
Boas leituras.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Simple things :)

Pinterest

terça-feira, 16 de junho de 2015

A Casa do Sono (Jonathan Coe)

«A Casa do Sono», escrito por Jonathan Coe, é um livro capaz de tirar o sono a qualquer um.
 
Um livro enigmático, bem estruturado, guiado pelas quatro fases do sono, instáveis e indecisas. Puxadas à corrente pelo inconsciente de quem dorme, e de quem sonha.
Também instáveis são as quatros personagens que adornam este peculiar enredo: Sarah confunde os sonhos vívidos com a realidade, não os discernindo no seu dia-a-dia. As consequências são mais complicadas do aquilo que se pode imaginar. Vive coisas garantidas quando, na verdade, nunca chegaram a acontecer. Vive dentro de ilusões que acabam por quase a enlouquecer. Gregory é o seu estranho namorado, com estranhas manias, que ela aceita, antes ele que a iminência da solidão. Terry é um crítico em cinema, pretensioso, que vive para dormir, no intuito de conhecer mais dos seus sonhos, dormindo aproximadamente catorze horas por dia. Depois, temos Robert, de coração gigante, que ama sem limites. Ama Sarah, sem limites.
A propriedade de Ashdown é o local onde tudo acontece nesta história, que se desenvolve entre passado e presente. Nos anos 80 aquela propriedade fora uma residência de estudantes tendo, depois, sido transformada numa casa de saúde especializada em perturbações do sono.
Sob teias de um destino que só ele sabe como dança, estas quatro personagens voltam a encontrar-se e a cruzar as linhas de um passado sonâmbulo, agora, bem acordado num presente, que ainda guarda as mesmas questões do passado.
 
Um livro absolutamente magistral.
Desde a estrutura narrativa, às personagens e sua enorme densidade psicológica, estamos perante um livro magnífico, a enfatizar temas como a memória - esses puzzles que têm de fazer sentido para se poder seguir em frente - ,  a identidade, bem como o amor. Tudo numa mistura inconsciente entre realidade e sonho, mas que está sempre lá. A definir quem somos.
 
Boas leituras!
 
 
www.wook.pt: Um enorme edifício no alto de uma falésia, o barulho das vagas, um labirinto de corredores vazios onde o ruído dos passos ecoa… A propriedade de Ashdown abrigou nos anos oitenta uma residência de estudantes: aí encontramos Sarah, que sofre de narcolepsia e não consegue distinguir os sonhos da realidade; o seu namorado, Gregory, que só atinge o orgasmo ao pressionar com os dedos os olhos de Sarah; Terry, um pretensioso crítico de cinema que dorme pelo menos catorze horas por dia e nunca consegue recordar o que sonhou; e Robert, capaz de amar sem limites. Quatro personagens simultaneamente trágicas e hilariantes, capazes de tecer entre si relações extremas que, contudo, não os impedirão de se afastarem.

Doze anos depois, a residência é transformada numa casa de saúde especializada em perturbações do sono. Estranhamente, os ocupantes do edifício voltam a ser os mesmos. Mas nem sempre se lembram dos laços complicados que em tempos ligaram as suas vidas...
Movendo-se entre o passado e o presente, A Casa do Sono é um romance desconcertante, uma estranha e dilacerante história de amor sobre a realidade e o sonho, a memória e a identidade.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O Tempo




"O tempo é outro tempo nos quartos pequenos onde sobrevive e morre quem amamos."
 
In A Definição do Amor | Jorge Reis-Sá (p.94)
 
 
 
 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Kitchen Door

 
 

 
Música tão boa, tão boa. Que até dá nervos.
Dos bons.


A Definição do Amor (Jorge Reis-Sá)

 
Uma mulher estendida na cama.
Ao lado, o cilindro azul que a respira.
O bebé cresce. E a mãe morre, lentamente.



Se procuram um livro leve, fujam a correr desta definição de amor. De tão pesada, só pode estar certa.
Uma mãe entra em coma. Morre por causa do bebé que começa a crescer-lhe na barriga. Uma semente de alegria que se transforma numa bomba contra o tempo.
Mas ela já nem sabe.
Morte cerebral. Disseram eles.
E ele, a braços com uma nova vida feita de ausência. Almofadas com um cheiro que não irá voltar. Lugares que vincaram recordações que não se apagam pela marca do tempo. Saudades que perduram para lá da ditadura de uma realidade que lhe foi imposta.
O amor.
Ele envelheceu, naquele dia, a sua vida inteira.
O amor.
Tentou defini-lo. Nesse dia. E nos que se seguiram a um luto vivo e mudo.
Será loucura?
Será silêncio?
 
Ou morte?
 
 
"(...) Olha, apenas, o vazio de onde surgias. Ainda espera. Que a morte esmoreça e se apague."
 (p.259)
 
 
Um livro, simultaneamente, belo e triste.
Invoca o amor e a saudade numa mistura cruel de tão ironicamente vivos, em contacto com a morte, tão morta. Tão estúpida.
 
A escrita de Jorge Reis-Sá é uma feliz descoberta.
Boas leituras.
 
 
Ao som de: Lucia "Silence"
 
 

domingo, 7 de junho de 2015

Never


quinta-feira, 4 de junho de 2015

os meus sentimentos (Dulce Maria Cardoso)

Dulce Maria Cardoso. Uma grande surpresa.
 
Prosa que solta frases como se fossem pedaços de nada. Um nada solto, que parece ausente da história, mas afinal, está lá presente, e faz parte de tudo. De um todo muito todo, muito colado a um passado que não volta, mas atrapalha tudo o que vem dali para a frente. Para uma mulher que tem nome de cor. Um nome que também é uma cor. Violeta.
E esta é a história torcida e distorcida de Violeta, depois de um acidente de carro.
Dessa perspetiva amachucada da vida.
Um retornar contínuo ao passado, mas que agora exige porque, ao que parece, o futuro está comprometido.
 
“(…) ninguém corrige o passado porque não há nada para corrigir, a vida é independente da vontade que a anima (…)” (p.272)
 
Um livro que deprime.
Mas um livro que se torna inesquecível, talvez, por isso mesmo. Pelo peso das palavras soltas, indiferentes, que dançam à toa e se vão encontrar lá à frente em revelações que magoam, e chocam.
Pela matreirice da vida. Dos dias. Das revelações.
 
Não vou contar mais nada porque Dulce Maria Cardoso merece ser lida de uma ponta à outra.
De frente para trás.
De trás para a frente.
E tudo fará sentido, mesmo assim.
 
 
“(…) não há nada que o silêncio não mate.”
 
 
 
Muito bom!
 
Boas leituras.
 
Ao som de “Bon Iver – I Can’t Make You Love Me”
 
 
 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Forever