segunda-feira, 25 de julho de 2016

Estante de Serviço #4

 
Esperança, perder a
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Ratos e Homens
John Steinbeck

Nunca subestime a importância da esperança. Viver sem esperança é viver sem alegria nem consolo (...). Conseguimos lidar com quase tudo - prisão, doença grave, exílio forçado - se tivermos esperança de que, um dia, tudo passará e voltaremos a casa.
Se não acredita nisto, é evidente que nunca leu Ratos e Homens. George e Lennie são trabalhadores itinerantes. Chegam a um novo rancho, «fazem uns biscates», depois vão à cidade e gastam tudo. Sem família, sem casa, sem nenhum horizonte na vida, consideram-se «os mais solitários do mundo».
Só que eles são diferentes - como diz George continuamente ao enorme, lento e deficiente mental Lennie, para o animar e para se consolar a si mesmo. Porque, ainda por cima, George tem de tomar conta de Lennie, e Lennie, que gosta de coisas felpudas e não conhece a sua própria força, arranja sarilhos aonde quer que vão. Um dia, George e Lennie hão de acertar no jackpot e ter dinheiro suficiente para comprarem uma casinha e uns hectares de terra onde irão criar uma vaca e galinhas e «viver da terra». Quando chover sentar-se-ão à lareira a escutar a chuva no telhado. E terão coelhos, que Lennie irá apanhar para comer - e para ter em casa.
Quando George já não acredita na possibilidade deste futuro, tudo se torna triste e sem sentido - porque o seu sonho partilhado era o que os fazia continuar. Todos nós temos um Lennie dentro de nós que precisa de ouvir alguém «falar dos coelhos» de vez em quando. E podemos fazer as vezes de George e falar dos coelhos para animar outra pessoa.
 
 
 
Para mim basta dizer que é John Steinbeck. Este pequeno livro é mais uma pérola deste autor inesquecível. Um dos meus preferidos e estimados de sempre.
Boas leituras.
 
 

2 comentários:

Carlos Faria disse...

Um dos livros de Steinbeck que ainda não, tenho na estante à espera A um Deus desconhecido

Denise disse...

Olá Carlos,

«A Um Deus Desconhecido» foi um dos livros de maior dedicação do autor. Levou 5 anos a ser escrito, um dos seus livros mais "pessoais" digamos assim. É lindíssimo. A história de George e Lennie é igualmente linda. Mesmo eu sendo suspeita, porque adoro Steinbeck, arrisco as cartas todas a recomendá-lo. Acho que não se vai arrepender.

Boas leituras!