Arde o Musgo Cinzento (Thór Vilhjálmsson)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Se há medida certa entre expectativa elevada e encantamento puro, este livro conseguiu todas essas proezas. Se eu sempre quis ir à Islândia, com Thór Vilhjálmsson, a certeza consolidou-se ainda mais. Que escrita. Que livro tão bonito.
 
A história centra-se no amor entre dois meios-irmãos e no assassinato de uma criança ou, por outras palavras, em incesto e infanticídio.
 
Mais do que o amor entre os dois e um povo amedrontado, envergonhado e com bocas que preferem calar a mostrar, surge no local de gentes que também são suas, um juiz e poeta, para julgar, pela primeira vez na sua vida, um caso que abalou os corações de todos.
 
São muitas as coisas nas quais me posso centrar neste livro e penso que aquela máxima que defende o quanto o livro é bom pela capacidade de perpetuar, após a sua leitura, se aplica na perfeição com este «Arde o Musgo Cinzento». Passam os dias e mantêm-se frescas as memórias sobre as personagens cativantes, singulares e fortes que Vilhjálmsson criou. Sim. Tenho a certeza essa será a melhor definição de um bom livro: a capacidade de perpetuar.
 
Para mim, há três focos principais nesta história: o amor entre os meios-irmãos, o juiz e poeta e a paisagem islandesa.
 
Se a muitos o amor entre os meios-irmãos poderá chocar, soar a bizarro, pelas leis de uma Natureza, ou o que seja, o autor descreve-o de tal forma que se assume como inevitável, como duas forças que nasceram na mesma direção. O leitor assume aquela união de forma natural, pela mão de um autor que o colocará aqui e, mais tarde, além, quase sem se aperceber. A escrita de Vilhjálmsson é assim: um corrupio de urgências, todas elas com sentido.
 
O juiz e poeta, a personagem principal desta história, cativa pelo cinzento de que é feito. Se o primeiro caso que julga o amedronta, levanta-lhe também um conjunto de recordações e vivências que proclamam respostas. Um trajeto centrado em si mesmo, na sua capacidade questionável de julgar os costumes de uma terra, de um povo, ou de quem for. Um trajeto cravado de autoquestionamentos preponderantes na sua autodescoberta, na sua própria vocação, até então sempre enevoada.
 
Por último, as paisagens islandesas, os mitos, as fábulas que deliciam e cativam todo e qualquer leitor. Ao longo de uma belíssima história, somos acompanhados pela Islândia no seu esplendor, certos de que toda aquela atmosfera é determinante nas ações daquelas gentes, como uma neblina sempre presente, moldando condutas e reafirmando vontades.
 
 
Muito recomendado!
Boas leituras.
 

3 comentários:

João Miranda disse...

Gostei bastante da opinião! Vai para a minha wishlist porque não conhecia o livro e o autor :)

Carlos Faria disse...

Já estive várias vezes com este livro nas mãos para comprar, mas nunca cheguei a comprar, não sei bem porquê. Talvez este post leve a que quando me encontrar com ele novamente o venha a comprar de facto.

Denise disse...

Olá João!
Obrigada.
Bem merece entrar nessa lista. A literatura nórdica é paragem obrigatória :)
Boas leituras


Olá Carlos!
Fico contente, espero que assim seja pois acredito que não se arrependerá. É um grande livro!
Boas leituras

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