quinta-feira, 19 de junho de 2014

A Inquilina de Wildfell Hall (Anne Bronte)


Para mim, ler um clássico é sempre muito especial. Os clássicos têm muito para contar e vão continuar a ter depois de passarem por nós, e mais ainda. Essa magia em torno dos clássicos nunca deixa de me fascinar.
Sobre as irmãs Bronte, já não é novidade o meu interesse sobre estas três irmãs mas sobre Anne ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer a sua obra.
A Inquilina de Wildfell Hall narra a história de Helen, mulher delicada, de fortes aspirações e muito apaixonada.
Em torno do livro assiste-se ao enorme mistério desta mulher que surge do nada e se instala na mansão, passando despercebida entre os vizinhos e optando pelas mais parcas conversas. Em si mesma, guarda um segredo de uma vida e como qualquer segredo, há nele a urgência de um esquecimento rápido mas impossível. Tão impossível quanto cobiçado.
Nas redondezas são muitos os que se abeiram de Helen na tentativa de saber mais sobre a enigmática mulher que pinta belos quadros assinando-os com falso nome, e sobre o seu pequeno filho, Arthur.
Será mesmo Helen viúva? E aquele jovem que tantas vezes a visita e tantas parecenças tem com o pequeno Arthur? Quem será?
Um segredo incendeia mentes e escancara as mais pecaminosas bocas, estas, desprovidas do bom senso. Também Graham sofreu inicialmente com esse fogo que começa nos ouvidos e inflama o coração. Mas antes de tudo o mais, já o amor havia plantado raízes por Helen, permitindo vê-la claramente e para lá de qualquer maldade.
Helen fugira de um marido que a maltratara e sucumbira aos vícios do álcool, moldando ainda com a impertinência do seu caráter o pequeno Arthur.
Num desespero de mãe que protege sob todas as coisas, Helen foge e refugia-se em Wildfell Hall, onde volta a conhecer o amor, este, novo como jamais conhecera e do qual foge sem hesitar...
 
 
 
 
Este livro de Anne Bronte assenta sobretudo nos padrões da mulher do século XIX. A mulher e o casamento. As cedências, o papel da mulher protetora, submissa e responsável pela imagem do aceitável moral e socialmente.
Helen volta para casa do marido traidor assim que descobre que este adoeceu precisando dos seus cuidados. Sabendo, ainda, que nenhuma das suas amantes ficara ao seu lado no momento frágil da sua saúde, sendo a esposa que cuida e protege, assumindo o seu papel até ao dia em que este lhe morre nos braços.
 
E depois, não acontece mais nada? Perguntam vocês.
Claro que sim.
 
Depois, chega a derradeira oportunidade de felicidade para Helen.
 
Tal como o adágio popular: "Depois da tempestade, vem a bonança..."
 
 
 
 
Boas leituras. Muitos livros. Sempre.


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