terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Amor Sortido a Kilo

O amor é para os fracos.
O amor tem de ser para os fracos. Porque me recuso a entender de outra forma, mais plausível, mais racional que esta.
O amor só pode ser para os fracos.
Porque os fracos dão tudo sem pensar. Pensam apenas no fim de um gesto em nada premeditado, apenas saciado pela vontade de um momento.
O amor tem de ser para os fracos que constroem entre si uma rede de redes de peixe morto, seco, que vai apodrecendo em memórias fúnebres, de quem morreu sem contar. Apanhado desprevenido. Surpreendido pela corrente da maré.
O amor é para os fracos.
Sim. O amor é para homens e mulheres como vocês. Fracos.
Homens de um sofá de Sábado à tarde.
Recuso-me a acreditar numa outra possibilidade repleta de maior sentido. Não. Não me façam crer em algo diferente, pois o amor, esse, só pode ser daqueles que não calculam a velocidade da palavra proferida. Que não leram a Florbela e não guardaram o segredo nos lábios da mulher e que, por isso, se tornou misteriosa, quase sagrada, desejosa por ser descoberta.
O amor não pode ser para esses idiotas, os outros.
O amor é para os fracos que despem os pudores ao Sábado à noite numa busca rápida de cerveja misturada com coca-cola. Mergulham nessas bolhas de gás, que se misturam numa dança igualmente gasosa, entre si, e entre outro, também gasoso e esquecido de si. Juntos, num sofá, bebidos, fazem uma memória já morta à nascença.
O amor sim, obviamente, é para esses fracos.
O amor a termo resolutivo certo. Para os vitoriosos fracos.
 
Que aos outros reste a doce, tão doce, ironia.
 
 
 
Denise C.Rolo

 

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