domingo, 19 de julho de 2015

Sono Crepuscular (Edith Wharton)

 
Hoje venho falar-vos de um livro de Edith Wharton, autora da conhecida obra "Idade da Inocência", que muito estimo e já tive oportunidade de ler mais do que uma vez.
É o terceiro livro que leio da autora. O segundo foi "Ethan Frome", que muito me agradou mas, correndo o risco de me tornar óbvia, não ultrapassa a escala de deslumbramento da "Idade da Inocência". Um livro inesquecível.
"Sono Crepuscular" designa um estado de semiconsciência produzido pela administração de uma combinação injetável de duas drogas alcaloides, a escopolamina (com efeitos amnésicos) e a morfina, usada desde o início do século XX, e até à década de 60, para aliviar as dores do parto. Esta técnica, para além de pôr as parturientes nesse estado de «sono crepuscular», causava uma amnésia que as levava a «esquecer» o parto. Nas primeiras décadas do século, sufragistas e líderes dos direitos das mulheres empenharam-se na defesa do twilight sleep, que substituíra o clorofórmio (abandonado pela sua toxicidade). Este processo viria a ser combatido por anular completamente a experiência do parto e também por causa dos efeitos secundários (delírio, alucinações, depressão pós-parto). (N. do T.)
As personagens deste livro parecem, todas elas, viver num estado constante de sono crepuscular. Com o cenário da cidade de Nova Iorque e a constante agitação dos dias, a história desenrola-se na ansiedade das horas e na exatidão dos minutos, contados meticulosamente, como água, ritmados, para nada se perder.
Quase de forma estonteante, assiste-se a uma vitimização dos tempos modernos, em que o tempo veloz mostra tudo menos a verdade, ou melhor, a velocidade é tal, o frenesim é tanto, que as emoções tendem a encolher - para o seu próprio bem -  e a adormecer, para esquecer. Para não magoar.
Até porque longe da vista, longe do coração.
Com um enredo centrado, sobretudo, na importância das aparências e na doce Nona que sonha para si um sonho desproporcional à imagem dos seus, este livro, escrito em 1927, mantém-se atual como nunca.
Segredos, sofrimentos escondidos,  vontades distorcidas, sentimentos inadequados mas irresistíveis, procuras insanas de ajuda, são alguns dos temas com os quais o leitor se irá deparar sem nunca abandonar uma certeza: a vontade de amar, e ser amado, em cada uma destas personagens é tão avassaladora como a vontade de esquecer, adormecendo pulsões e avivando prioridades, em nada plausíveis.

Que se mantenham os sorrisos.
Para uma boa fotografia.
 
 
Boas leituras!

2 comentários:

Marta disse...

De todos os livros de Wharton - e já li todos - este é o mais "fraco".
Não é mau, mas podia ser melhor.

Boas leituras

Denise disse...

Olá Marta!

Obrigada pelo comentário.
Sim, já li três da autora, como refiro, e a catalogar, «Sono Crepuscular» fica em terceiro... :)
Até agora, «A Idade da Inocência» mantém-se como o meu preferido.

Boas leituras!