domingo, 27 de setembro de 2015

Negro e Prata (Paolo Giordano)



Paralelamente à leitura atual da "Montanha Mágica" (Thomas Mann), este pequeno livro de Paolo Giordano veio parar-me às mãos de uma forma muito peculiar, pelo que iniciei a sua leitura desde logo.
Posso desde já dizer-vos que é um livro muito bonito. Um pequeno livro que contém nele uma importante lição de vida.
«Negro e Prata» narra a história de um jovem casal a viver o feliz, mas também ansioso momento da primeira gravidez, e a sua relação com uma senhora de idade, a Senhora A.
Ao longo da leitura podemos conhecer este jovem casal cuja estrutura é adornada por inúmeras dúvidas inconfessáveis, apenas para os seus próprios botões, bem como os medos de um futuro a dois eterno que amedronta.
Sem livro de instruções, o casal vai seguindo o curso dos dias mornos e incertos, com uma barriga que cresce ansiosa e dolorosa. Que requer repouso absoluto. Atenção absoluta.
E é precisamente neste ponto que, quase miraculosamente, a Senhora A. surge na vida deste casal com uma força inabalável, feita de certezas tão precisas, um mapa que orienta. Que conduz:
 
"Na nossa vida, a minha e a de Nora e a de Emanuele, que nessa altura parecia revolucionar-se todos os dias e balançava perigosamente ao vento como uma planta jovem, ela era um elemento fixo, um apoio, uma árvore antiga, de tronco tão largo que não era possível rodeá-lo com três pares de braços." (p.13)

A entrada da Senhora A. na vida deste casal vem mostrar-lhe não só as dificuldades de uma vida em conjunto, mas também a importância das cedências, dos 40% muitas vezes contra os 60% que o outro vai ganhar numa discussão. E tantas outras coisas mais. Mas que não será sempre assim. Pois a vida são mares de dias, com marés altas e baixas.
Mas um dia, também a Senhora A. os abandonará nesse mar revolto. E depois? Como será?
 
A maior beleza desta história reside na sabedoria dos mais velhos, no peso que carrega, na admiração que produz e no resultado que provoca. Há promessas que contam, onde nelas se agarram os sacrifícios por um bem muito maior: o amor que um dia foi a resposta para tudo.
 
Um livro cuja simplicidade o torna belíssimo.
 
Muito recomendado!
Boas leituras.

2 comentários:

Isabel disse...

Desse autor li "A solidão dos números primos" de que gostei muito. Fiquei curiosa sobre esse...

Bom domingo e boas leituras:)

Denise disse...

Olá Isabel!

Já ouvi falar imenso desse livro e depois de ter lido este, a curiosidade aumentou ainda mais. Para a lista, com toda a certeza :)

Bom domingo e muitas leituras!