domingo, 12 de junho de 2016

Desnorte (Inês Pedrosa)

«Desnorte» é o mais recente livro - de contos - de Inês Pedrosa.
Conheci a autora com o fantástico livro «Fazes-me Falta», há uns bons anos atrás, emprestado pela Joana naquela altura, surtindo muitas discussões em torno dele. Um livro sobre a morte, a perda, numa escrita de ímpar beleza.
 
Neste livro de contos, Inês Pedrosa mantém um registo íntimo com as palavras, uma sensibilidade notória em todas elas e, por vezes, uma precisão de mão muito firme na arte de escrever sentimentos que ferem.
 
São histórias curtas mas que perduram na mensagem. São contos sem norte, sim, sobre pessoas que poderiam ser qualquer uma de nós, em qualquer momento da vida. Em «Mar Aberto» (o meu preferido) conhecemos o pescador que volta a estudar para que possa ler histórias à filha, entretanto roubada por uma mãe cruel. Encontramos homens com amores platónicos, cuja realidade que lhe sopra na cara, um dia e do nada, revela-lhe a preciosidade de quem tem ao lado, apagando um passado de dedicações, então, ingénuas e supérfluas. Há amigos e amigas, em amizades que de tão fortes não se entendem e, por isso, necessitam de ser postas à prova, ao mais alto nível. Há aviões que encerram gente muito conhecida, à beira de um desastre, até ao momento em que a magia prevalece.
 
Nestes contos o leitor encontrará melancolia, saudade, amor e desamor, persistência, dedicação, algum humor e, tudo isto, na simbiose perfeita de quem escreve com a sensibilidade na justa medida das coisas da vida.
 
Recomendo.

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