terça-feira, 13 de setembro de 2016

O meu nome é Lucy Barton (Elizabeth Strout)














Este livro é tão bonito.
É complexo pela simplicidade que carrega.
É tão lindo, que de tão lindo, comove e obriga-nos a ficar.
 
Penso que seja impossível largar este livro sem conhecer até ao fim os receios e vicissitudes de Lucy Barton. Esta é a sua história. A história de um menina mal amada.
 
E como em todas as histórias de um amor que faltou, reside uma mãe cujo coração não esteve no sítio certo e os motivos, esses, podem ser tantos. 
Tudo começa quando Lucy, já mulher adulta, adoece e é internada. Anos sem ver a mãe, que nada conhece da sua vida após largar os pais, e os irmãos, casando e criando a sua própria família, rumo aos Estados Unidos, volta a encontrar-se com ela ali, no Hospital. Sem nada o fazer prever, é confrontada com a possibilidade do mimo, do carinho e atenção do qual sempre fora privada.
É tecido um conjunto de histórias, entre as duas, sobre um passado que ambas partilharam, unindo-as e desunindo-as numa dança ténue e delicada, um limbo de medos de quem quer ficar e partir, na mesma medida. Os laços de uma família sufocam e, ainda assim, desejamos que nos apertem mais ainda, e para sempre.
 
Essa angústia, e ausência, perdura ao longo de todo este pequeno livro. A ausência de se saber amada pela mãe, pelo pai, pelos próprios irmãos. Lucy Barton, naquele período de convalescença mergulha, como Alice no espelho, numa espécie de busca pela sua própria identidade, cujos reflexos são, indubitavelmente, repescados no passado de uma família que não quis reconhecer como sua.
 
É precisamente o confronto com esse reconhecimento que lhe permite o abrir de olhos. O entendimento de toda uma vida pautada por dúvidas, ausências e receios. O gatilho que surge, finalmente. E as decisões que são tomadas, agora, com uma perspetiva diferente: não enquanto filha, mas enquanto mãe.
 
O livro de Elizabeth Strout é uma pérola que deveria ter um pequeno alarme a soar a obrigatoriedade de leitura. Mais do que a relação entre mães e filhas, este livro invoca a fragilidade deste amor visceral e as raízes que perduram pela vida fora: deem boas ou más colheitas, é um amor cuja semente nunca é infecunda. Algo dali sempre nasce e se recria.
 
Lucy Barton, com o tempo, percebeu que depende de cada um, manejar o amor que se recebe.
 

Recomendo com ambas as mãos.



Um enorme bem haja à Penguin Random House por este fantástico livro.
 

5 comentários:

Carlos Faria disse...

Já ouvi falar deste livro mas nunca li nada dela, mas com base neste post parece-me bastante interessante. Vou ficar atento.

Denise disse...

Olá Carlos :)

Muito! Muito interessante.
Foi uma surpresa muito agradável.
Vou ficar atenta, caso leia, para conhecer a sua opinião :)

Boas leituras!

Isaura Pereira disse...

Olá!
Tenho muita curiosidade com este livro!Acho que é daqueles que vou gostar.
Beijinhos e boas leituras

Denise disse...

Olá Isaura!

:) Penso que te agradará, sim.
É um livro muito bonito, de enorme sensibilidade.
Beijinho e ótimas leituras!

Patrícia disse...

Adoro a capa deste livro. Espero lê-lo um dia destes (não sei é quando vai encaixar na falta de tempo). Mas acabou de subir uns lugares.
Boas leituras