sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aldeia de Pedra (Xiaolu Guo)

"Nunca poderei encontrar o meu começo, ou o meu fim, no círculo de outra pessoa qualquer."
Eis uma das primeiras frases que sublinhei neste livro.
A história de Coral Jiang revela a cruel vontade da injustiça, aleatória, que destrói o começar de uma infância por si só já infeliz.
De recantos escondidos pela solidão, tristeza, desamparo, a violência de um corpo ainda desconhecido, acaba por colapsar qualquer esperança de perpetuar essa infância. Disparada, desaparece para nunca mais voltar. Tempos de menina eclipsados por mãos assustadoras. Uma mulher, num corpo de menina.
"(...) sabes, a má sorte torna as pessoas mais fortes."
A beleza deste livro recai, precisamente, na capacidade de suportar a dor com que, por vezes, a vida nos brinda. Poderíamos sempre escolher o apelo da dor e por lá permanecer, mas tu preferiste a Fossa das Marianas, enterrando essa dor a 11034 metros de profundidade.
"O percurso até casa é longo. Enquanto o percorro, recordo as palavras da minha avó: «Toda a gente tem uma vida passada, uma vida futura e uma vida presente.» Se é verdade, sinto que a minha vida presente ainda agora começou."


A escrita tão livre e directa torna este livro ainda mais dotado de uma sensibilidade que chega a doer. Recomendo. Recomendo. :)


Dedicado a vítimas que persistem para deixar de o ser.

Ao som de: Alanis Morissette "Hand in my pocket"


Sinopse: Uma história chocante de abuso, silêncio e vergonha e, contudo, de uma beleza inaudita por uma das mais fascinantes escritoras chinesas da nova geração. Aldeia de Pedra evoca de forma brilhante a dura vida na costa da China permanentemente devastada pelos tufões, onde os pescadores se perdem nos mares violentos e as crianças são arrastadas pelas marés. A história maravilhosa e assustadora da luta de uma pequena rapariga que suporta o silêncio, a solidão e a vergonha da violação sexual. Mas é também o retrato da nova juventude urbana da China, e de como essa juventude moderna e liberal se esforça por esconder e esquecer um passado feito de crueldade e pobreza. Uma história chocante de abuso, silêncio e vergonha e, contudo, de uma beleza inaudita por uma das mais fascinantes escritoras chinesas da nova geração. www.wook.pt

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