domingo, 24 de maio de 2015

Perto da Felicidade (Richard Yates)

As minhas expectativas são sempre redobradas quando se trata de Richard Yates. Não desilude.
Em «Perto da Felicidade» o autor volta a dar vida a personagens cinzentas, onde a busca pela felicidade, por um motivo interior que impulsione e motive o sentido dos dias seguintes, assume o principal cenário.
No contexto dos anos 40, na América, o leitor vai encontrar um conjunto de personagens com a alma virada do avesso, com os olhos projetados no futuro, mas com anseios antigos e pesados, de raízes num passado que em muito lhes condiciona qualquer passo imaginado.
Charles Shepard não ultrapassa o desgosto de não ter combatido, dedicando-se a uma esposa passiva entregue ao estímulo emprestado do álcool.
O seu filho, Evan Shepard é todo ele tecido mole. Conforme a vida lhe vai pegando, ele vai cedendo. Sem postura. Sem robustez. Entre casamentos laçados à força, vai sonhando com um futuro melhor, mas que não agarra para lá de um pensamento que vai e volta.
Gloria sofre a eterna marca quente da rejeição. Mulher. Mãe. Itinerante. Com dois filhos a cargo, a vida desta mulher mascarou-se pela som das palavras, que fala sem cessar na tentativa de calar uma dor antiga. Rachel, a filha, assume o casamento como o pilar da sua vida. Onde se encosta, e agarra, na tentativa de lá extrair todas as razões de ser da sua existência. Chegará?
Estas são algumas das personagens que irão acompanhar o leitor de «Perto da Felicidade». Todos eles muito diferentes entre si, mas que se encontram num ponto comum: a insatisfação com aquilo que a vida lhes tem dado e a vontade, quase secreta, de ir ao encontro de algo mais. De chegar mais perto. Mais perto dessa felicidade, que só espreita em dias suspeitos.

Recomendo.

Boas leituras!
 

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