domingo, 30 de abril de 2017

Sobre escrever com o coração


 
Em "Tudo sobre livros" Virginia Woolf desafia-nos a refletir sobre a relevância do amor em tudo aquilo a que nos dedicamos e propomos.
O que será mais importante: escrever sob as bases teóricas da literatura, na ponta da língua, ou escrever com o coração na garganta?
A autora elogia as camadas mais jovens do mundo da literatura ressaltando, no entanto, um aspeto que se assemelha a uma espécie de impressão em massa. Nada há que os distinga nas obras que, afincadamente, escrevem. Todos eles, segundo defende, baseiam a sua arte de escrever na sombra da educação.
Que quer isto dizer, concretamente?
Que se moldaram às leis de um ensino padrão, fieis ao professor que ensina, modela, orienta e corrige. Fiéis na crença, ilusória e como tal muito cega, de que essa orientação os levará ao fim de ambicionada jornada de escritor.
 
Para Virginia, faltará sempre algo muito mais relevante porque com base nesta perspetiva, lança a questão:
"Mas, perguntamos nós, virando as páginas honestas, admiráveis e inteiramente sensatas e nada sentimentais, onde está o amor?"
Falta amor.
Uma história para ser real, tem de ser escrita com amor, tem de ser visceral, tem de ser autêntica, genuína, pura, pessoal. E tudo isso, e muito mais, resume-se a um pouco de amor. Mas que seja próprio de quem escreve. Só dele. É dessa forma que a sua história se poderá repartir, perpetuando-se por cada um dos leitores que, também genuinamente, se lhe dedicarem.
 
 
Virginia, bem haja mais uma vez.
 

1 comentário:

Isaura Pereira disse...

Olá!
Já conhecia este livro. Quero muito ler.
Beijinhos e boas leituras