sábado, 29 de setembro de 2012

A Dádiva (Toni Morrison)

Por muito que pense na trajectória deste livro, a única coisa que me faz parar para pensar é, de facto, na tristeza e tormenta que reina em todas as personagens. Há um cinzento muito substancial em todas elas. É um cinzento, ao contrário do que se possa pensar, realmente poderoso.
Acredito que é o sofrimento a chave do poder, não a felicidade. A felicidade é fumo, faz esquecer as coisas mais importantes, torna tudo um pouco fugaz...
O sofrimento, esse, é pesado e permite ganhar a força da vontade. A vontade da liberdade, de nos libertarmos desse fardo, de voltarmos a ser leves, um dia. Quem sabe?
 
Apesar de, inicialmente, a leitura deste livro ser profundamente confusa, vale sem dúvida, continuar até à última página. Recomendo.
 
 
Sinopse em www.wook.pt: Da autoria da primeira mulher negra a ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1993), A Dádiva é um romance extraordinário que se passa na América do Norte de finais do século XVII. Profundas divisões sociais e religiosas, opressões e preconceitos exacerbados propiciam o cenário ideal para a implantação da escravatura e do ódio racial. Jacob Vaark é um comerciante anglo-holandês que apesar de se manter à parte do negócio dos escravos, que então dá os primeiros passos, acaba por aceitar uma menina negra, Florens, como pagamento de uma dívida de um fazendeiro de Maryland. Nesta parábola do nascimento traumático dos Estados Unidos, Morrison revela-nos o que se esconde sob a superfície de qualquer tipo de sujeição, incluindo a da paixão, e o quanto essa falta de liberdade é nociva para a alma.
 

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