quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Rebecca (Daphne Du Maurier)

O nosso maior erro é partir do princípio que estamos certos. E o nosso maior erro é que partimos sempre do princípio que estamos certos, quando estamos perdidamente apaixonados. Seja pelo lado bom, como pelo lado mau.
Como explicar estas tonalidades pouco claras?
Pois bem, quando estamos apaixonados podemos pender para um, ou para o outro, prato da balança, mas sempre longe do equilíbrio.
Dois pratos. O da abundância. O da ausência.
Abundância num coração recheado de amor doente para dar. É tanto que transborda nas cordas vocais, desafina e grita numa dor pungente. Dramatismo que combina com atenção, atenção que combina com a certeza de estar lá, sempre. Nessas luzes da ribalta!
Ausência de si, de tanto amor para dar. Espécie de altruísmo que combina com sentimentos doentes, para dar. Eternamente ausente de corpo, algures em saldos, e coração a prémio. A desaparecer em si mesmo…!
Dizer que o amor é complexo, seria o mesmo que dizer o meu nome: nada de novo. Essa complexidade nada de novo nos traz. Contudo, não consigo deixar de me sentir tola …
Sinto-me tola porque quando o meu cérebro repousa neste tema tão abençoado, não consigo desligá-lo do egoísmo de que também é feito.
Abundantes são os loucos que asseguram para si a certeza absoluta de que são amados, sejam ou não.
Ausentes são aqueles que se anulam em prol de um dito amor, que nem sabem se existe, mas de nada fazem para se assegurarem dessa desejada, mas temida, certeza.
O egoísmo senta-se nesse cadeirão, de dois braços, abundantes e ausentes. De tudo querer, mas só para si, empanturrados em almofadas e conforto fingido.
Mas que merda é esta?
O amor é preparar o coração para a dor.
O amor é saber que teremos de ser, um dia, corajosos para dizer «amo-te» sem a certeza do eco da nossa voz.
O amor é um sorriso provocado na boca do outro.
O amor é apenas … simplicidade!



O medo de amar apodrece dias que poderiam contar as melhores histórias.


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