domingo, 6 de novembro de 2011

Todos os Nomes (José Saramago)


Estou a olhar para o relógio e a procurar, desenfreadamente, o teu nome. A rasgar-me por dentro, na procura diabólica, do teu nome.
Está aqui, afinal. Procuro, procuro e procuro mais um bocado, para chegar a uma triste conclusão. A uma conclusão idiota, como tu. E como eu.
O teu nome. O teu nome é feito de chuva. Passado. Cheiros antigos. Um abraço de horas. Risos. Saudade. Gavetas fechadas. O teu nome é saudade e dor.
O som do teu nome, hoje, é um estalo de luva branca nesta minha pálida pele.
Como pude procurar-te tanto e tu aqui, sempre?
O teu nome. O teu nome. O teu nome.
Gosto do som. E a impossibilidade que trouxeste com ele escondeu-me, também, numa concha que levou com ela a capacidade de me fazer ouvir. Culpar-te? Talvez. Culpar-me? Absolutamente.
 
Que livro.

O teu nome.

 

Ao som de: Peter Gabriel "No Way Out"

1 comentário:

Duarte disse...

Simplesmente o livro mais sublime de Saramago :)