Sem Abrigo (Maria Inês Almeida e José Almeida de Oliveira)

quinta-feira, 7 de novembro de 2019


O livro infantil «Sem abrigo» de Maria Inês Almeida foi escrito a quatro mãos. A autora contou com o apoio do seu filho, de 8 anos, José Almeida de Oliveira e, em conjunto, na voz do menino, foi criada uma história de enorme sensibilidade debruçada sobre um tema, que por si só, é sensível e difícil de gerir. 

Esta é a história de um menino que, a certa altura, perceberá que os sem abrigo não são aquelas pessoas que, por tanto gostarem de ver as estrelas, não saem da rua. Perceberá também o quanto solitário pode ser isto de se andar sozinho na rua, com um cobertor para trás e para a frente, na imensidão de um mundo sem tetos brancos como o seu, e muito menos, sem o luar esbatido pela luz do seu candeeiro.

A autora criou uma história de enorme sensibilidade, tecida na ingenuidade tão bonita das crianças. Também é nessa ingenuidade que há espaço para crescer e ver com outros olhos, olhos maiores de quem já se prepara, aos poucos, para a desigualdade de que tantas vezes o mundo é feito.

Dessa desigualdade, e numa esperança que se deseja partilhada, este menino anseia por um mundo melhor onde o bom coração das pessoas - em que ele tanto acredita - prevalecerá em cada gesto.


Com o apoio,



Seja feliz,

As moscas de Outono (Irène Némirovsky)

quarta-feira, 6 de novembro de 2019


Em «As moscas de Outono», de Irène Némirovsky, encontramos uma pequena história em que dela se extrai mais uma espécie de amor improvável: o amor de uma empregada, Tatiana Ivanovna, pelos seus amos, os Karine.

«A escrita subtil e a afinada certeza psicológica recordam-nos do quanto a boa prosa pode conseguir em muito poucas palavras.»
The Times
É isto mesmo. A escrita sempre tão limpa, harmoniosa e direta, de Irène, transformam uma pequena história como esta, a de uma empregada que segue os amos na época anterior à Revolução Russa, num marco memorável sobre amor e resiliência.

Tatiana sempre dedicou toda a vida ao cuidado dos Karine. Quando os amos, pela força das circunstâncias políticas, se vêem obrigados a abandonar a sua casa e exilando-se em Paris, Tatiana é a última a abandonar o barco. Permanece, contra tudo e contra todos, na casa agora vazia, apenas cheia pelas memórias de um passado que, a ela, lhe parece sempre presente.

Nessa fase, entregue à solidão da casa, acolhe um dos filhos dos Karine, ferido e às portas da morte. A vinda deste jovem provoca-lhe uma catadupa de memórias passadas, as mais felizes, que parecem perdurar nos valores de uma mulher que sempre cuidou, preservou e acarinhou a família para quem trabalhou desde sempre.

Programado o seu coração, de forma vitalícia, no cuidado aos amos, também ela acaba por ir ao seu encontro, no pequeno apartamento em Paris. O choque de uma mudança nunca esperada reflete nela o medo do presente, o desejo do passado, a consciência dessa mesma impossibilidade.

O final deste livro, publicado originalmente no ano de 1931, sublinha a tragédia como redenção. A consciência como porta que se abre a todos os medos e o desejo, enfim, de continuar num passado que, tanto, se quer inalterável.

Leia. Leia já!




Seja feliz,

A ler «Uma vida inteira»

terça-feira, 5 de novembro de 2019



"Já estava há tanto tempo no mundo! Vira-o mudar e parecia que girava cada vez mais depressa de ano para ano, e Egger sentia-se um vestígio de uma era há muito enterrada, uma espinhosa erva daninha que teimava em esticar-se, enquanto pudesse, em direção ao Sol."
Em «Uma vida inteira» de Robert Seethaler 



Seja feliz,
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