segunda-feira, 4 de abril de 2011

Livro (José Luís Peixoto)

Fiquei com inveja do teu nome.
Fiquei a roer as unhas quando descobri. Gostava imenso de poder ser como tu, de ter essas formas e de ter essa capacidade.
Gostava de ir ao notário e que a minha complexidade fosse de uma plena autenticidade. Nem sei explicar o porquê de tamanha necessidade. Mas tu, só por existires ... está tudo dentro de ti, basta... tu sabes o que basta enquanto falamos um com o outro. Não há espaço para mentiras.
Oh Livro, "posso ler-te"? A tal piada com a qual tu te ris com o umbigo.
Na tua realidade há realidades. Dentro de ti posso ser aquilo que eu quero e entrar em mundos sentidos, e começo a perder a razão. Há sorrisos e chávenas de café. Há sofás confortáveis, com anos de tempos guardados, de segredos, de ponteiros parados, de beijos congelados pelo ferver do coração.
Prefiro perguntar-te isto, ao contrário dos outros:
Livro, ... posso viver-te?

Ao som de: Michelle Featherstone "Coffee & Cigarettes"

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