sábado, 23 de fevereiro de 2013

Lolita (Vladimir Nabokov)


Existem livros. E existem livros que são obras de arte. Existem livros que conseguem aterrorizar-nos. Assustam. Permanecem na mente. Na alma. Não permitem esquecer. Exactamente por essa razão são obras de arte no seu expoente máximo. Assim é Lolita.
Se o motivo é o recheio de imoralidade que transborda em toda a obra, não sei. Se é o amor doentio, a perversidade reconhecida de Humbert Humbert, não sei. Se é a fragilidade e necessidade de querer proteger Lolita, não sei. Tudo? Possivelmente.
Há uma imensidão de questões que afloram à medida que a leitura, igualmente, se arrasta juntamente com os dedos nas páginas, com os olhos em cada palavra, a mente cada vez mais intrincada e um coração cada vez mais aflito. Uma imensidão de questões, mas uma delas que me persiste e não conseguirei dela escapar é as pessoas que desistiram deste livro. Ele exige. Ele revoga. E ele pede. Há, assim, uma exigência, um sentido de moralidade intrínseco no livro, e em cada pessoa que decidiu abri-lo: de perceber qual o fim de Lolita.
Poderia continuar a discorrer sobre este livro sem parar, horas a fio, mas a questão que mais toca, que mais urge é, sem sombra de dúvida, a dor que o livro me conseguiu provocar. Há de facto uma dor pungente quando um homem se apaixona por uma criança e após uma catadupa de situações, que correm umas atrás das outras, partem numa viagem, numa lua-de-mel idealizada por uma mente doente, acabando numa espécie de policial ou, diria, num duelo à antiga em medições onde se procura saber quem mais amou, essas mentes doentes. Conspurcadas. Mentes dignas da morte, num relógio há muito atrasado…

Vladimir Nabokov viu o seu livro ser censurado e negado por inúmeras editoras. Felizmente viu a luz das folhas, e do cinema. Hoje é um dos grandes clássicos da literatura. Depois da sua leitura, é muito fácil perceber porquê.


 
Se recomendo? É preciso dizer?


Ao som de: Ennio Morricone “Love in the morning”
 
 
www.wook.pt: Humbert Humbert, a European intellectual adrift in America, is a middle-aged college professor. Haunted by memories of a lost adolescent love, he falls outrageously (and illegally) in lust with his landlady's twelve-year-old daughter Dolores Haze. Obsessed, he'll do anything, will commit any crime, to possess his Lolita.

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