Pequena Abelha (Chris Cleave)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Chris Cleave é um autor que merece destaque. Em «Incendiário» fui surpreendida por uma história bela e original que desde logo me cativou muito. Agora, em que finalmente me decidi a pegar neste livro que há muito habita na estante, sou novamente surpreendida por esta «Pequena Abelha».
Da forma mais simples e direta possível, este livro fala de compaixão. Toda a história encerra em si a mensagem importante de nos desprendermos de nós próprios e até onde conseguimos esticar a distância que vai do nosso umbigo à dor do outro.
Sobre Abelhinha, uma jovem nigeriana de 16 anos, refugiada e presa num centro de detenção de imigrantes no Reino Unido, conhecemos o sofrimento de estar presa sem nada ter feito, o que ali vive e o que até ali a conduziu: a morte que conheceu de tão perto, a violência a passar-lhe de frente e mais uma vez a morte, a passar-lhe de raspão.
Compaixão e empatia. Este livro cruza lugares e valores supostamente diferentes mas que, analisados a rigor, só diferem na forma: a necessidade do poder mantém-se esteja-se lá onde se estiver. Em África ou no Reino Unido.
E do Reino Unido para África, bem perto de Abelhinha, chega Sarah, que longe dos horrores da primeira, vem passar umas férias nesse sol quente sem igual.
De vidas tão diferentes, e sem se prever, a vida destas duas mulheres vão enlaçar-se para sempre. Assim, num abrir e fechar de olhos. Num rápido gesto de uma catana que corta e separa drasticamente o tempo que passou, o presente e o que virá depois.
O depois.
Um depois que voltou a juntar estas duas mulheres tão diferentes em modo de vida, um outrora perfeito e definido e o outro, da Abelhinha, feito de sofrimento de uma ponta à outra. Uma união que ditará o futuro de ambas.
O livro de Chris Cleave é um forte apelo à compaixão e até onde se vai na procura de nós mesmos, na consciência do nosso sofrimento, na consciência do facto de querermos mudar alguma coisa na vida desligando o controlo remoto dos dias esbatidos pela rotina perfeita. De quem percebeu, finalmente, a necessidade de começar a dar, dar de nós mesmos como nunca antes fizemos. Numa troca serena e perfeita de quem percebe dores e de quem se compadece.
No fim, se não se assiste há perfeição almejada, resta a esperança. Essa esperança está escrita nas infâncias ainda tenras, por crescer e solidificar, e que estenderão o caminho traçado pelos que antes deram o primeiro passo.
 
E essa esperança é doce como o mel das abelhas.
 
Um livro notável.

4 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Gostei muito da tua análise.
É um livro com uma mensagem muito forte em defesa da tolerância.
Por vezes custa a ler,pelo dramatismo e realismo, mas é uma obra magnífica

Denise disse...

Olá Manuel

Obrigada!
Um livro admirável.
A mensagem sobre a tolerância, compaixão e a empatia é digna de nota. A personagem da Abelhinha é difícil de esquecer :)


Beijinhos e boas leituras

Kel disse...

Denise, andamos em sintonia :) Lemos as duas o "Livro sem Ninguém", e também comprei este nas últimas semanas porque me chamou a atenção! Estou a ver, pela tua opinião, que foi uma boa compra.
Beijinhos

Denise disse...

Kel

Que giro!
Um livro muito bonito...
Fizeste uma excelente compra!
Vou esperar pela tua opinião ;)

Beijinhos e boas leituras

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